sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Nos vemos em 2011!

O Muque de Peão se despede de 2010 com um abraço bem apertado em todos os leitores amigos que por aqui passaram. Muito obrigado pela companhia. Que 2011 seja um ano super hiper mega blaster!!

Como última imagem do ano deixo a foto de Neil Patrick Harris com o maridão David Burtka e os filhos gêmeos, publicada na última edição da revista People. Neil Patrick soltou uma frase memorável no início do ano quando foi criticado por contratar uma barriga de aluguel: "Os filhos de pais do mesmo sexo sempre vão saber que foram muito planejados, muito esperados e muito queridos. Com pais do mesmo sexo não existe gravidez acidental".


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Descanse em paz, Bobby Farrell

Fiquei triste com a notícia da morte do Bobby Farrell, ocorrida hoje.

Bobby Farrell era a cara do Boney M., para mim o grupo que melhor representa os anos 80. Seu corpo esquálido vestindo sempre muito pouca roupa e suas coreografias rápidas e cheias de sensualidade criaram o estilo do grupo. Rivers of Babylon, Sunny, Ma Baker, Daddy Cool e Rasputin arrasam até hoje nas festas de flashbacks.

Descanse em paz, Bobby Farrell, e obrigado por ter melhorado um pouco os anos 80.

Se é para o bem de todos e a felicidade geral da nação, diga ao povo que eu fico

Ontem o Lula fez o centésimo discurso de despedida e derrubou a milionésima lágrima da saudade antecipada do cargo. Agora realmente já perdeu a graça e o Complexo de Tárcia parece que o está cegando.

Às vezes eu acho que ele fica olhando a multidão com aqueles olhinhos miúdos esperando desesperadamente que alguém peça para ele ficar...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O grande irmão

Praça Tiradentes, Ouro Preto - MG
Eu não canso de me surpreender com o Google street view. Há algum tempo eu escrevi aqui sobre como algumas pessoas consideram o serviço uma invasão de privacidade. Mas nestes dias de redes sociais e Wikileaks o conceito de privacidade certamente já não é mais o mesmo do ano passado.

Lançado há pouco tempo no Brasil com as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, o serviço hoje já inclui várias cidades do interior, como Campinas, Santos e São Vicente parcialmente mapeadas, e cidades históricas de Minas Gerais como Ouro Preto, Sabará, Tiradentes e São João del Rei totalmente cobertas. Passear pelas ruas de Ouro Preto é uma delícia, principalmente porque o levantamento foi feito em um dia de sol com muita gente nas calçadas e nas ruas e a cidade resultou bastante viva. Eu chego a ficar horas andando por vielas e ladeiras e descobrindo pequenos detalhes da cidade.

O Google street view já se tornou um de meus brinquedinhos favoritos. Na semana passada eu busquei algumas fotos antigas que eu mesmo tirei em Londres quando estudava lá há 30 anos atrás. E fui pelo Google street view buscar os mesmos lugares para comparar o quanto haviam mudado. E foi como viajar novamente. Senti-me um big brother com poder de ver tudo a qualquer momento, em qualquer continente, sem sair do lugar. Uma sensação estranhamente deliciosa.

Esquina de Westow Hill Rd., 30 anos depois

A Biblioteca Pública mudou muito pouco em 30 anos

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Que tempo é este?

Brooklyn, Nova York, no final de semana
Não há como negar que a neve que assola o hemisfério norte produz imagens muito mais fotogênicas do que as chuvas e enchentes que castigam o sul. Mas a inclemência do tempo é a mesma, e a neve só é mesmo bonitinha para quem a está observando em um retrato.

Antes da nevasca
Depois da nevasca
Quem mora em uma região sujeita a fortes nevascas como a que despencou sobre a costa leste dos Estados Unidos neste final de semana sabe que a neve paralisa o trânsito, os trens, os vôos, derruba os fios dos postes, corta as comunicações, corta a eletricidade, causa desmoronamentos, e provoca um sem-fim de outros tipos de acidentes.

Para entender melhor como a mesa ao lado, no quintal de uma casa na região de Nova York, se transformou em uma montanha de neve em menos de 24 horas, assista este filme feito em time lapse que mostra 20 horas em 40 segundos. Durante o processo o fotógrafo ainda tentou acrescentar um relógio para mostrar a passagem das horas e uma régua para monitorar o acúmulo de neve, mas a nevasca foi ainda maior do ele próprio havia previsto.


December 2010 Blizzard Timelapse from Michael Black on Vimeo.

A música social

Eu me lembro do exato momento em que ouvi Sadeness, do Enigma, pela primeira vez. Aquela música que misturava canto gregoriano com batida dance me hipnotizou completamente, e continua me encantando até hoje. O projeto idealizado pelo romeno radicado na Alemanha Michael Cretu fez escola, e dezenas de outros genéricos apareceram (dos quais eu só guardo saudades do francês Deep Forest).

O icônico album MCMXC a.D. está completando 20 anos este mês. E nada mais apropriado, para um projeto com base na eletrônica, que a comemoração envolvesse as modernas tecnologias do presente. Depois do sucesso das redes sociais e do filme social (dos diretores Ridley Scott e Kevin MacDonald feito pelo YouTube com contribuições do mundo todo), Michael Cretu lançou o projeto da música social. Foram meses compilando contribuições de fãs ao redor do mundo (inclusive do Brasil) e agora o Enigma finalmente apresenta MMX (The Social Song). O projeto completo inclui um livreto de 10 páginas com os créditos de todos os colaboradores e a reprodução das 10 capas finalistas do concurso para escolher a capa oficial.

Agora o melhor: a música, as capas e o livreto podem ser baixados de graça legalmente aqui, um oferecimento do próprio Enigma como presente para os fãs em comemoração aos 20 anos. Eles só pedem que o fã autorize uma twittada ou uma postagem no facebook para promover a novidade e voilà - liberam o link para o download. Adorei!!

 MMX (The Social Song) by EnigmaSpace

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Pais do mesmo sexo

A revista Valeparaibano, distribuída no Vale do Paraíba, traz na edição de dezembro uma matéria de capa sobre a situação das adoções por casais homoafetivos na região. A reportagem entrevistou Maria Auxiliadora e Elizabethe, de Taubaté, que vivem em união estável há 16 anos e acabam de ser incluídas no CNA (Cadastro Nacional de Adoção) - aguardando agora a chegada do filho ou filha que tanto esperaram. As duas futuras mamães descreveram todo o caminho percorrido até a concessão da adoção, e também o preconceito inicial das instituições. No Vale do Paraíba outro casal de mulheres também já teve aprovação para inclusão no CNA e aguarda a chegada do filho adotivo para breve. A inclusão no CNA significa que o casal foi completamente aceito e está apto para a guarda de uma criança como pais adotivos.

É interessante observar que, aqui como em todo o restante do país, têm crescido as autorizações por juízes das varas de infância e juventude para adoções por casais homoafetivos depois do longo e criterioso processo de avaliação por assistentes sociais e psicólogos das condições social, psicológica e socioeconômica dos pretendentes. O entendimento da Justiça tem sido para que sempre seja atendido o interesse do menor, que é o de ser adotado, diferentemente da igreja - que trabalha em uma campanha mundial contra a legalização da união de homossexuais. O bispo da diocese de São José dos Campos também foi entrevistado para a matéria, confirmando que a igreja prefere que crianças órfãs continuem em orfanatos em vez de entregues a famílias homoafetivas estáveis.

A reportagem relembra também o caso de Chicão, filho biológico da cantora Cássia Eller, que teve sua tutela definitiva concedida a Maria Eugênia, companheira estável de Cássia Eller que já cuidava do menino desde o nascimento. A tutela do menino foi contestada na Justiça pelo avô materno, mas parte da própria família de Cássia ajudou Maria Eugênia a obter a guarda do menino. Chicão, hoje com 15 anos, está tentando a carreira musical e dedicou seu primeiro trabalho às mães Cássia e Maria Eugênia.

É reconfortante ver que juízes e entidades da sociedade civil estão conseguindo se livrar do preconceito gerado principalmente pela visão religiosa atrasada que prefere condenar crianças ao abandono e descaso para não ter que admitir que casais homossexuais podem ser pais tão zelosos quanto casais heterossexuais.

domingo, 26 de dezembro de 2010

The Weepies

Steve Tannen e Deb Talan tinham carreiras musicais separadas até se encontrarem em um show em 2001. De lá para cá eles se casaram, tiveram dois filhos, e uniram as carreiras musicais com a formação do The Weepies. O casal faz aquele tipo de música com pegada folk que intoxica e vicia com apenas algumas audições.

Com quatro discos no mercado e mais um EP com versões exclusivas lançadas pela iTunes, eles têm sido presença garantida nas trilhas sonoras de séries americanas como Brothers & Sisters, Grey's Anatomy, Everwood, One Tree Hill, e How I Met Your Mother, entre outras.

O The Weepies tem o som na medida certa para esta época do ano, para curar a ressaca de bebida, a ressaca de comida, a ressaca de compras, e a ressaca de confraternizações.


 

De pernas pro ar

Uma das melhores coisas do Natal é que, mais cedo ou mais tarde, ele vai embora. E depois de sobreviver à overdose de comidas, bebidas, e cartões eletrônicos com dizeres bregas e musiquinhas irritantes, finalmente já é possível enfrentar novamente um shopping para uma sessão de cinema sem precisar matar para conseguir uma vaga de estacionamento ou correr da multidão de zumbis enfurecidos travados no modo 'compras'.

Eu adoro a Ingrid Guimarães. Ela é engraçada e veada nas medidas certas. Eu só temi que o trailer de De Pernas Pro Ar tivesse entregado as melhores piadas e que não tivesse sobrado muito para o filme. Mas não, o filme tem muito mais do que mostra o trailer e tem partes genuinamente engraçadas. A julgar pelo comportamento da plateia, vai fazer carreira de sucesso.

Tudo no filme gira em torno de sexo, e sexo sempre é uma fonte inesgotável de assunto principalmente quando tratado com humor. Ingrid faz uma empresária de sucesso que é abandonada pelo marido cansado de ficar em segundo plano na vida da esposa. Mas a vida da empresária muda ao conhecer uma vizinha (a também excelente Maria Paula) que lhe oferece uma parceria em uma sex-shop.

Cheguei a ficar meio triste com o que parecia ser um final moralista, mas uma última cena antes dos créditos desconstrói o moralismo do final e acerta o tom do filme. Ah, e a cena parcialmente mostrada no trailer, em que o personagem da Ingrid Guimarães assiste a um jogo de futebol usando uma calcinha que vibra ao som de música é realmente de rachar de rir.


sábado, 25 de dezembro de 2010

Deus existe

Os cristãos mais fundamentalistas, principalmente os católicos, costumam enxergar sinais divinos em todas as pequenas coisas. Pois se eu tivesse pelo menos um mínimo de fé cristã eu certamente teria caído de joelhos ontem e erguido os braços para os céus e toda a minha vida teria sido diferente a partir daquele momento.

Era véspera de Natal, perto das 4 da tarde, e meu iPod tocava "Maybe God Is Trying To Tell You Something" da trilha sonora de The Color Purple. Neste momento eu olhei pela janela e me deparei com um dos mais deslumbrantes arco-íris que já vi em toda a minha vida. Para mim a mensagem foi clara: Deus existe, e é gay!!

Feliz Natal!!!

 * Esta foto foi feita da sacada do meu apartamento no 5º andar. Meu prédio faz limite ao fundo com um vasto parque que se estende até a rodovia dos Tamoios. São José dos Campos é realmente uma cidade cheia de surpresas.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Adeus ano velho


O New York Times faz uma retrospectiva do ano de 2010 por meio de 97 fotografias contundentes que relembram o ano em ordem cronológica. A mostra começa com cenas dramáticas que trazem de volta à mente o desespero durante o terremoto no Haiti em janeiro. E me fazem lembrar das palavras proféticas de um haitiano que agradeceu a ajuda internacional mas disse que menos de um ano depois o mundo já teria se esquecido deles. A exposição pode ser vista aqui.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Cara de oh-my-god!!!!

Esta foi a melhor cara de oh-my-god!!!!! que já vi na vida. Tão boa que o repórter desavisado até levou um baita susto (repare só).  O repórter, todo cheio de preconceito, pergunta ao deputado americano Barney Frank se é mesmo verdade que agora os soldados héteros e homossessexuais vão ter que tomar banho juntos. O deputado, que defendeu a extinção do Don't Ask, Don't Tell faz uma cara de oh-my-god!!!!! beeeeeeem dramática e continua mais ou menos assim: "é claro que vão tomar banho juntos! Soldados não usam lavagem a seco. É isto que eles já fazem nas academias, nas faculdades, em todos os lugares. Isto nunca foi problema."

Gostei, deputado Barney Franks. Vou adotar esta reação quando ouvir de novo aqueles argumentos furados e cansados dos religiosos de plantão. Um pouco de drama é ótimo como recurso de linguagem.


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Lei que criminaliza a homofobia é constitucional e não fere a liberdade de expressão

A Folha de S. Paulo consultou especialistas em direito e legislação (link para assinantes) sobre a reclamação dos setores conservadores que o projeto de lei 122/06 fere a liberdade de expressão, e a resposta foi unânime: o projeto de lei que criminaliza a homofobia é constitucional e inofensivo para a liberdade de expressão. Foram ouvidos seis especialistas em direito constitucional: o ministro Marco Aurélio Mello do Supremo Tribunal Federal, um segundo ministro do STF que falou em caráter reservado, Ives Gandra da Silva Martins, Virgílio Afonso da Silva, Conrado Hübner Mendes da Fundação Getúlio Vargas, e Octavio Luiz Motta Ferraz.


A opinião do ministro Marco Aurélio Mello traz um fundamento interessante: "...a liberdade de expressão não pode chegar ao ponto de menosprezar a dignidade, gerando cidadãos de segunda classe". Em outras palavras, não se pode permitir que os homossexuais sejam relegados a uma posição inferior em nome da liberdade de expressão. Há muito que não se concebe a ideia de se referir a negros e descapacitados como inferiores. O ministro continua: "tudo o que realmente busque um tratamento igualitário e respeitoso é bem-vindo".


A opinião do ministro Marco Aurélio Mello e do outro ministro que não teve o nome revelado confirmam minha convicção que, nestes tempos de congresso formado por mentalidades moralistas e atrasadas, temos melhores chances de proteção pelas vias jurídicas do que legislativas.

A maravilhosa fauna gay

Se os gays representassem uma classe dentro das divisões taxonômicas, esta classe seria certamente subdividida em várias ordens, famílias, gêneros e espécies. Não há como negar que a fauna gay é de uma diversidade exuberante.

Não existe nem uma certeza absoluta sobre quantos somos. Há um grupo grande, silencioso e invisível, representado por professores, médicos, juízes, homens do clero, políticos, presidentes de empresas - que levam uma vida respeitável de pais de família tradicionais e optam por exercitar a homossexualidade de forma clandestina em encontros furtivos. Ou não exercitam a própria homossexualidade, reprimindo seus desejos e seus instintos, e carregando seu segredo inconfessável para o túmulo.

Há um outro grupo de homens que conseguem harmonizar o exercício da homossexualidade com a vida, a sociedade, e o ambiente. Têm apoio da família e dos amigos, estão livres do conflito sexual, e vivem uma vida normal sem carregar o facho da sexualidade permanentemente aceso na testa.

E há aqueles que não conseguiriam esconder ou disfarçar a homossexualidade se quisessem. São óbvios, muito evidentes, e justamente por isso são quase um símbolo de tudo que é gay. Pela visibilidade, são muitas vezes rejeitados pelas próprias famílias, e se tornam também as maiores vítimas da intolerância e da violência urbana.

Considerando toda a fauna gay, o terceiro tipo representa a ponta do iceberg - a única parte realmente visível. E era somente neles que o João Pereira Coutinho provavelmente pensava quando escreveu aquele artigo infeliz. Como se as trincheiras de soldados homossexuais fossem uma eterna festa e os soldados não se ocupassem de nada mais que fazer viadagens e bichices o tempo todo.

A fauna gay é muito mais diversa do que pensam os não iniciados, e está precisando de mais visibilidade em todas as suas ordens, famílias, gêneros e espécies.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

João Pereira, estás a decepcionar-me

Eu adoro ler o João Pereira Coutinho na Folha de S. Paulo. Este portuguesinho especializado em assuntos brasileiros tem ideias vanguardistas, um olhar inteligente sobre o cotidiano, e escreve muito bem. Mas estranhei muito a coluna de hoje (Marchando com Barbra Streisand, link para assinantes) em que o jornalista se revela contra a extinção da política americana do "Don't Ask, Don't Tell' sob o pretexto que "...se a maioria dos soldados não quer os homossexuais, é absurdo impor quando a sobrevivência está em jogo".

Nunca imaginei que o João Pereira pudesse estar desinformado a tal ponto. A extinção da política americana só se deu depois de as forças armadas realizarem uma pesquisa ampla entre suas fileiras e constatar que a grande maioria dos soldados aprovava e incentivava a extinção da política do preconceito. A anedota do jornalista sobre usar um disco de Barbra Streisand e se fingir de homossexual para escapar à convocação também não me soou de bom gosto. Embora ele afirme que não tem preconceito e que "...o que alguém faz entre os lençois não tem qualquer relevância pública..." mais adiante ele volta com "...é um absurdo perigoso pretender impor os valores "corretos" da vida civil a uma instituição onde a sobrevivência, deles e nossa, se joga a cada momento". Aqui ele esquece que, se não fosse assim, as forças armadas ainda não aceitariam negros.

João Pereira, estás a decepcionar-me!

I have a feeling we're not in Kansas anymore

Eu adoro uma citação cinematográfica bem colocada. Uma das minhas favoritas é "It could be worse... It could be raining!" de O Jovem Frankenstein. Invejo quem já teve a oportunidade de dizer "You had me at 'hello'", ou "Hasta la vista, baby", ou "Frankly, my dear, I don't give a damn" com a mesma cara de paisagem do Clark Gable, esta considerada a campeã das citações cinematográficas.

Mas talvez a citação mais homenageada em outros filmes seja "Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore" de O Mágico de Oz. A coisa ficou estranha, tá tudo meio diferentão, bateu aquela sensação de 'onde é que eu fui amarrar o meu bode?' - é sinal que Kansas realmente ficou pra trás.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A casa do lago


São José dos Campos tinha, até os anos 90, um imenso sítio fechado no centro da cidade. Era uma área enorme de propriedade do então senador Severo Gomes da qual a gente só conseguia ver um dos lados onde estava a Tecelagem Parahyba - uma das fábricas da família, e fileiras de palmeiras imperiais que se projetavam bem acima do terreno. A tecelagem se afundou em dívidas e os descendentes não tinham mais como pagar os impostos daquela propriedade enorme, principalmente depois da morte do senador (Severo Gomes a esposa desapareceram juntamente com o deputado Ulysses Guimarães naquele acidente de helicóptero em 1992). A propriedade foi repassada à prefeitura e transformada em parque público, ganhando o nome de Parque Municipal Roberto Burle Marx - ou Parque da Cidade, como é mais conhecido.

Quando as pessoas foram conhecer o que existia por detrás daqueles muros por onde tinham passado durante décadas tiveram uma surpresa enorme: os muros escondiam uma área de beleza extraordinária com vegetação exuberante trazida de várias partes do mundo, um lago artificial com animais silvestres, construções de beleza rara projetadas por arquitetos de renome mundial, um galpão gigantesco com um vão livre enorme cujo projeto foi baseado no formato de uma gaivota de asas abertas, grandes viveiros de plantas, uma moenda de café, e a casa do lago. Na primeira vez que entrei no parque eu fiquei sem palavras - nunca imaginei que aqueles muros guardassem tanta beleza.

A casa do lago, ou Residência Olivo Gomes (Olivo era o pai do senador Severo Gomes), foi projetada pelo arquiteto Rino Levi e tem murais e paisagismo assinados por Burle Marx. Tem na frente um espelho d'água com vitórias-régias e outras folhagens exóticas. É impressionante e de uma beleza indescritível. Esta casa foi usada no filme "Aparecida - O Milagre" como cenário para representar a residência do rico empresário interpretado pelo Murilo Rosa e foi uma das razões para eu ter suportado o filme. Eu estava muito curioso para ver o parque e a casa do lago com tratamento cinematográfico. Tanto o parque quanto a casa do lago se saíram melhor no filme do que alguns dos atores do elenco.

Aparecida - a revanche

O ano de 2010 no cinema nacional decididamente foi de Chico Xavier e do Capitão Nascimento. Como o primeiro era espírita e o segundo muito provavelmente não acreditava em Deus, a igreja católica deve ter se sentido em desvantagem. É aí que entra "Aparecida - o Milagre", o filme de Tizuka Yamazaki. Eu não teria nenhum interesse em conferir o filme se ele não tivesse sido rodado aqui na minha cidade - então acabei movido pela curiosidade.

E o filme é tudo que eu já imaginava: uma canastrice sem fim em uma história piegas feita propositadamente para emocionar sem conseguir. Quando o filme começou eu já tinha a certeza que a última cena seria algo em tom apoteótico com a "Ave Maria de Gounod" ao fundo - pimba!! acertei em cheio.

Eu continuo achando incrível como os católicos costumam atribuir todo grande evento bom a uma interferência divina, um milagre, e não conseguem explicar então porque o tal Criador benevolente tem acessos de fúria e às vezes resolve matar milhares de homens, mulheres e crianças em um tsunami. Também nunca me conseguiriam explicar porque uma santa intercederia para salvar da morte o filho de um rico empresário (a história do filme) enquanto deixa uma criança morrer arrastada por um carro roubado por ladrõezinhos assassinos adolescentes.

Mas ver a minha cidade como cenário de um filme de cinema foi interessante. Se a sua cidade não aparece no filme, então nem perca seu tempo.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Fingindo-se de hétero

O senado dos Estados Unidos acaba de extinguir a terrível política do "Don't Ask, Don't Tell" que determinava que gays só podiam servir nas forças armadas se se fingissem de héteros. A decisão do senado vai agora para assinatura do presidente (Obama já confirmou que vai assinar) e em pouco tempo já estará sendo implementada.

Por mais absurda que a política do DADT possa parecer, não é assim que a sociedade - inclusive a nossa - funciona? Não são os gays mais óbvios os que mais sofrem preconceito e a violência das ruas? Não somos treinados desde cedo a nos fingirmos de héteros? Você nunca ouviu "Você é gay? Nossa, nem parece!" como se fosse um elogio? Ou "Tudo bem ser gay, contanto que não fique rebolando e desmunhecando!". Em outras palavras, a nossa sociedade se sente muito avançadinha e bem preparada para aceitar os gays contanto que eles se finjam de héteros. Simples assim. Esta história de "Don't Ask, Don't Tell" é muito mais familiar e universal do que se pode imaginar.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Hermano ou Hermana?

Começou na Argentina nesta semana mais uma edição de El Gran Hermano - o Big Brother deles. Entre os participantes está Emiliano Boscatto, vencedor do concurso Mr. Gay Córdoba 2008. Até aí tudo igual; nós já tivemos também o gay assumido Jean Wyllys que alcançou fama através do programa no Brasil e hoje acaba de se diplomar deputado federal. Para quem já não mais se lembra, Jean Wyllys foi o vencedor da versão 2005 do programa - o que comprova que ele conseguiu dar seu recado e cativar as milhões de pessoas que votaram nele.

Mas a Argentina parece que está mesmo decidida a passar na frente do Brasil em tudo. O Big Brother que começou lá esta semana tinha um "convidado surpresa" sobre o qual nada havia sido dito. Só depois que todos estavam confinados na casa é que foi divulgada a história de Alejandro Iglesias. Ele nasceu Silvia, é um trans - um homem em corpo de mulher. Ele quer vencer o programa para poder pagar a cirurgia que o transformará definitivamente em homem com uma prótese. E ninguém na casa sabe ainda. Pelo desembaraço e simpatia do "rapaz" vai ser uma ótima oportunidade para as pessoas do país inteiro compreenderem sua história e entenderem melhor o drama que os trans vivem.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A invasão das mulheres nórdicas

Eu não sei se é um fenômeno típico da região onde moro, mas parece que agora toda mulher morena de classe baixa resolveu virar loira de último grau. Talvez seja resultado do aumento do poder aquisitivo das classes D e E - agora toda mulher pode ir até a farmácia e comprar um tubo de tintura para cabelo escrito "loiro natural".

Não tenho nada contra pintar o cabelo. Acho ótimo, dou a maior força. Já vi cabelos vermelhos e até azuis muito bem pintados e gostei. O problema é a solução caseira mal feita que invariavelmente deixa o cabelo com o look palha-seca-de-milho, palhoça-de-beira-de-estrada ou, com muita sorte, capacete-impenetrável. Estas coitadas acham que vão ficar a cara da Vera Fisher ou da Ana Hickmann, mas o máximo que conseguem é ficar com cara de biscate.

Eu não entendo nada de cabelos. Mas acho que qualquer leigo consegue reconhecer um cabelo ressecado e sem vida colado na cabeça como se fosse uma placa sólida. Dá pena.

Quando eu encontro com estes bandos de loiras falsas mal-pintadas eu sempre acho que devo ter dito alguma palavra mágica sem perceber e ter sido teletransportado para a Suécia. Ou para a Dinamarca.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Obra de arte

O que esperar de um filme cujo trailer já é uma pequena obra de arte? Vem aí: The Tree of Life (muito provavelmente vai se chamar A Árvore da Vida em português), de Terrence Malick, com Brad Pitt, Sean Penn e Jessica Chastain. O duro é esperar até maio do ano que vem para conferir.

O cara do ano

2010 foi, decididamente, o ano em que o computador ficou mais importante que a televisão. Nos Estados Unidos já se desconfia que as pessoas passam mais tempo em frente ao computador do que em frente à TV, e no Brasil a situação deve atingir este patamar dentro de muito pouco tempo.

Eu fui criado em frente à TV. Nos anos 70 a gente voltava da escola correndo para assistir ao Vigilante Rodoviário e seu fiel amigo-cão Lobo, e ver a Márcia Cardeal, que comandava o programa Zás-Trás com uma coletânea de desenhos animados supimpas. O Vigilante Rodoviário, o Lobo, a Márcia Cardeal, e a gíria "supimpa" são agora parte de um passado muito distante e fora de moda. Hoje a gente assiste a séries americanas no computador no mesmo dia em que foram exibidas na TV americana, e fica o dia inteiro conectado com amigos virtuais trocando vídeos, fotos, e chavecos.

Por isso é bastante icônica a escolha de Mark Zuckerberg como "Pessoa do Ano" pela revista TIME. A posição já foi de Obama (2008), de George W. Bush (em 2000 e 2004), da rainha Elizabeth II (em 1952), do Papa João Paulo II (em 1994), e até de Adolf Hitler (em 1938). Mas para entender como Zuckerberg chegou onde chegou é preciso retornar a 1982, quando a revista surpreendeu meio mundo ao escolher para a posição "o Computador". Uma nova era começava. Curiosamente, nem Bill Gates nem Steven Jobs tiveram a honra de ser escolhidos até hoje, mas é sem dúvida graças também a eles que Zuckenberg está hoje na capa da TIME.

Você lembrou de pagar a sua mensalidade do Facebook este mês? Ah, não tem mensalidade? Não é realmente incrível que mentes brilhantes como a deste menino tenham criado coisas tão fabulosas que podem ser desfrutadas absolutamente de graça e de forma legal?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Deixem o meu iPod em paz!

A National Organization for Marriage (NOM) é uma organização criada nos Estados Unidos em 2007 por um grupo de pessoas mal-amadas e tem por objetivo principal atazanar a vida dos gays. Como eles não têm nada melhor para fazer em suas vidinhas medíocres eles passam o dia inteiro tentando impedir que o casamento seja aprovado para os homossexuais, além de espalhar que os gays vão desestruturar a sociedade americana e acabar com as famílias e... zzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzzzz  Desculpem, gente, eu cochilei - este papo desta gente mal-comida me dá uma preguiça mental enoooooorme.

Pois bem, agora eles resolveram atacar o Steven Jobs frontalmente em um comercial bastante ofensivo. Tudo porque a Apple se recusou a comercializar um aplicativo anti-gay para o iPhone chamado de Manhattan Declaration. O aplicativo é baseado no manifesto de quase 5.000 páginas criado em 2009 que tenta barrar as reivindicações de direitos dos homossexuais nos Estados Unidos.

Nunca foi segredo para ninguém que a Apple não permite aplicativos que tenham conteúdo erótico, pornográfico, ou que desrespeitem crenças religiosas ou fomentem o preconceito. Agora eu estou torcendo para que o Steven Jobs fique com muita raiva e coloque um código secreto que faça os iPods e iPhones desta gentinha da NOM explodir e causar cancro no cérebro de todos eles.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

2010 em filme

Hoje foi dada a largada para a temporada de premiações dos filmes de 2010 com as indicações para os candidatos ao Globo de Ouro. A lista de indicados pode ser conferida aqui.

Alguém com bastante tempo sobrando fez uma ótima colagem dos filmes do ano. Você consegue identificar os que assistiu?

O olhar de pombo

Entre as milhares de armas secretas desenvolvidas pelos gays para dominarem o mundo está o "olhar de pombo". Aquela incrível habilidade de escanear todo o ambiente e olhar para os lugares de interesse sem mover a cabeça. Muito útil na academia e nos vestiários, por exemplo, quando olhares diretos podem significar problema.

Esta cena do filme francês "O Closet" (Le Placard, 2001) é bastante ilustrativa. Primeiro, uma das secretárias está fofocando que sempre desconfiou que François (o excelente ator  Daniel Auteuil) fosse gay principalmente devido ao "olhar de pombo" dele. E logo em seguida entra François. Dando pinta com o melhor "olhar de pombo" já visto em toda a história do cinema.

WikiLeaks é a Revista Bundas

Imagine que sua vizinha mocreia e gorda gosta de fazer a dança da boquinha da garrafa no fundo do quintal só de tanguinha de crochê. E que você a filmou pela janela sem ela perceber e colocou o vídeo no YouTube. O caso do vazamento de informações sensíveis que o mundo todo está comentando é bastante parecido - mas o WikiLeaks é só o YouTube da história.

"Wiki" significa 'rápido' em havaiano e tem sido usado para designar alguns projetos colaborativos na Internet. O aplicativo wiki é normalmente disponibilizado por algum portal, e o conteúdo é inserido pelos usuários. É mais um dos fantásticos usos da Internet e tem produzido projetos maravilhosos como a Wikipedia, o Wikitionary, e muitos outros. O próprio WikiLeaks ganhou muitos prêmios de jornalismo em 2008 e 2009 incluindo o UK Media Award da Anistia Internacional.

No mundo sempre houve gente com informações sensíveis e sempre houve gente interessada em conhecer o conteúdo destas informações. A Internet agora disponibiliza o canal para a publicação. A indústria fonográfica, a indústria do cinema, as editoras, os jornais, as revistas - todos estão tendo que se adaptar. Adaptar ou morrer. Vivemos a era da divulgação. E isto é uma coisa boa.

Os Estados Unidos demonstraram grande preocupação com as informações vazadas porque são, via de regra, um país que fala e faz muita besteira. Ao contrário dos embaixadores brasileiros, que são de carreira, os americanos são apontados pelo presidente com motivação puramente econômica. São normalmente grandes empresários servindo de relações públicas americanas no país para onde foram designados. São diplomatas que conhecem pouco de diplomacia de carreira e normalmente falam e escrevem muito mais do que devem.

Todo mundo está careca de saber que quando os microfones são desligados e as luzes apagadas eles falam mal do Chávez. E do Irã. E das bebedeiras do Lula. E do passado da Dilma. E da inconstância da Cristina Kirchner. E das burradas do Berlusconi. E de um montão de outras coisas. Mas tudo que foi divulgado até agora mais parece fofoca de salão de cabeleireiro. Coisa de Revista Caras. Ou, no caso destas fofoquinhas mixurucas, de Revista Bundas.

Vivemos a era dos vídeos de celebridades fazendo sexo que pipocam na rede quase todo dia. De documentos secretos que são divulgados a toda hora. De diálogos sigilosos que são reproduzidos a três por quatro. De discos e filmes que vazam antes do lançamento. Para a indignação dos Estados Unidos com a divulgação de informações pelo WikiLeaks eu só tenho a dizer "Apertem os cintos e sejam bem-vindos à era digital. Isto é só o começo!".

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Os gays falam diferente?

Há muito que se discute sobre a forma como os gays falam. E não estou me referindo ao "dialeto gay" - aquele conjunto de vocábulos e gírias específicas que constituem o jargão do grupo, mas ao "sotaque gay" - aquele jeito de falar com afetação.

Nos Estados Unidos este "sotaque gay" já vem sendo estudado há um certo tempo, e me parece ser algo realmente muito mais marcante do que se vê no Brasil. Lá, alguns gays imprimiram uma afetação marcante ao modo de falar que normalmente vem acompanhado de ceceio - a pronúncia dos sons sibilantes como se a língua estivesse presa ("lisp", em inglês). Alguns fonoaudiólogos americanos estudaram o "ceceio gay" recentemente sem nenhuma conclusão definitiva sobre sua origem ou propósito. O fato interessante é que o modo afetado de falar é incorporado por muitos gays com tanta naturalidade que eles próprios não mais o percebem, da mesma forma que um estrangeiro dificilmente percebe o próprio sotaque ao falar outro idioma. Hollywood tem até  professores de oratória especializados na eliminação do "sotaque gay" que atendem pessoas interessadas em seguir a carreira artística.

A afetação dos gays americanos é muitas vezes comparada à afetação de alguns britânicos mais formais, o que acabou gerando uma frase de efeito humorístico bastante empregada pelos ingleses "I'm not gay; I'm just British".

Eu, pessoalmente, acho que o sotaque do gay brasileiro é muito mais sutil do que o dos gays americanos. E muito mais evidente quando os gays estão entre amigos, no seu próprio meio - tornando-se menos perceptível quando o ambiente é hostil, por razões óbvias. Mas para mim não é normalmente o sotaque gay que primeiro ativa o meu gaydar. É o "olhar de pombo".

domingo, 12 de dezembro de 2010

A bola da vez

Nos estados americanos onde a união entre cônjuges do mesmo sexo ainda não é reconhecida pipocam processos movidos por grupos de casais dispostos a obter a igualdade. Um dos processos que começa a ter repercussão é o movido por sete casais gays no estado de Montana. O que diferencia este processo de outros tramitando em vários juizados estaduais é o fato de que os requerentes não estão pleiteando o casamento - mas o reconhecimento dos mesmos direitos dos casais heterossexuais, principalmente no tocante a herança e ao direito de tomar decisões vitais em caso de incapacidade do outro cônjuge. Os requerentes organizaram uma página na Internet onde se apresentam e descrevem como tem sido a vida comum e o compromisso com o outro ao longo dos anos.

Jan e Mary Anne estão juntas há 27 anos
Tome Jan e Mary Anne, por exemplo. Eles têm, respectivamente, 66 e 74 anos, e estão juntas há 27 anos! Cada uma delas tinha 2 filhos de casamentos anteriores quando se conheceram. Juntas criaram os quatro filhos e os netos, e é óbvio que estejam preocupadas com as implicações de saúde comuns na terceira idade. Nos locais onde não existe o reconhecimento oficial, uma pode até mesmo ser impedida de visitar a outra em um hospital por "não ser da família".

Enquanto não houver o reconhecimento oficial a nível federal, muitos casais homossexuais passarão por estas mesmas preocupações. E aqui no Brasil a situação não é diferente. Alguém que se acidente em um final de semana pode ser hospitalizado e separado do parceiro por uma família hostil. Juízes normalmente costumam reconhecer a união de facto, mas isso implicaria arrolar testemunhas e provas em uma situação onde pode não haver tempo suficiente. Uma simples "certidão de casamento" resolveria todos estes problemas.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Michael não morreu

Certamente daqui 20 anos ainda serão lançadas músicas inéditas de Michael Jackson descobertas em algum fundo falso de baú, além de novas mixagens e arranjos para gravações antigas. E a gente vai chegar à conclusão que Michael Jackson está cantando cada vez melhor.

É difícil ouvir Michael, o disco de inéditas que chega às lojas nesta semana, sem ser imparcial. Sem lembrar que Michael Jackson está morto e que nunca mais vai gravar outra vez. Mas mesmo assim o disco é bom e gostoso de ouvir.

Examinando a capa do disco com atenção a gente percebe que há uma colagem de capas antigas no fundo que emolduram a cena da "coroação" do rei do pop por anjinhos - confirmando que a morte não lhe tirou a majestade.

Por razões óbvias a palavra final do disco, pela primeira vez, não foi dada pelo próprio Michael. Fiquei imaginando quem deve ter tido a última palavra na edição das músicas, nos arranjos, em todas as centenas de escolhas e decisões que envolvem um lançamento desta natureza. Mas, ouvindo as músicas, tive a certeza que tentaram o máximo possível fazer o que Michael Jackson provavelmente teria feito.

Religião não define caráter

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

EXTRA! EXTRA! EXTRA!
Resolvido mistério dos ataques homofóbicos na região da Paulista

Aconteceu mais um ataque homofóbico na região da av. Paulista. O agressor desta vez usava um soco inglês e, se não tivesse sido afastado do local por uma mulher que o acompanhava, poderia ter matado o jovem agredido.

Várias autoridades médicas de renomados institutos da Europa e dos Estados Unidos que têm estudado os casos junto com as autoridades brasileiras acabam de descobrir que os agressores são homens que passaram a vida toda com vontade de dar a bunda mas com muito medo da opinião dos outros. A pressão fez com que seus cérebros atrofiassem e o espaço fosse ocupado por uma excrescência purulenta de cheiro repugnante que provoca este tipo de comportamento.

Estima-se que a aprovação de leis mais severas que combatam a homofobia e o preconceito religioso consigam fazer com que o cérebro destes agressores volte a se desenvolver.

Ah, e Arnaldo Jabor deu um ótimo recado ontem no Jornal da Globo:

Existia vida antes da Internet?



O vídeo acima foi criado pela ex centric, de Portugal, empresa especializada em aplicativos para a Internet, e mostra como seria a Natividade na era digital com os recursos que transformaram a forma como pesquisamos, publicamos, informamos, divulgamos, adquirimos, etc.

É interessante notar como nos lambuzamos com tantos aplicativos e recursos, com tanta gente ainda hipnotizada com todas as possibilidades. É a fase de arremedos de celebridades com bundas e cérebros de tamanhos inversamente proporcionais que vivem anunciando "Amu voçêis!!" Ou dos viciados em auto-promoção que chegam a divulgar asneiras do tipo "Indo para o banheiro" ou "Fazendo cocô agora". Ou dos proprietários deslumbrados brandindo seus iPhones, iPods ou iPobres freneticamente.

Agora  que vivemos em um emaranhado de redes sociais, web, e-mail, twitter, wikipedia, google, e o caralho-a-quatro, não dá nem mais para lembrar como era a vida antes da Internet. Peraí, existia vida antes da Internet?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Obama fail

Eu torci pela vitória do Obama como se a eleição fosse aqui. Gosto do jeitão jovial dele e da Michelle, e me encantei com todas as possibilidades que se abriram com a eleição de um presidente jovem e negro depois do período horroroso que foi a administração do Bush. Mas confesso que estou decepcionado. E muito.

Ninguém achava que ele ia chegar na presidência chutando o pau da barraca. Mas já se passou tempo suficiente para ele mostrar a que veio. E o que todo mundo viu até agora é um presidente muito mais fraco e omisso do que o que foi apresentado na campanha.

A comunidade LGBT, por exemplo, já está com o caldo quase entornando. O presidente poderia ter feito um trabalho mais incisivo para acabar com o horror que é a política do "Don't Ask, Don't Tell" nas forças armadas americanas, e já deveria ter saído de cima do muro em relação aos gays. Até agora suas declarações têm sido muito insípidas e limitadas ao politicamente correto - e são, inclusive, muito mais brandas do que as promessas feitas em campanha.

O vídeo que ele gravou para o projeto "It Gets Better" do Dan Savage me deixou perplexo. O vídeo é muito simpático e otimista, mas - raios!! - ele é o presidente dos Estados Unidos! Ele não deveria aparecer para dizer que as coisas vão melhorar, mas sim o que ele vai fazer para que elas melhorem! Ele preferiu se nivelar com os cidadãos comuns, como se não tivesse em suas mãos o poder para acelerar as mudanças. Decepcionante. Ainda mais vindo de um presidente negro que certamente sofreu muita discriminação na própria pele. Eu acho que ele poderia estar fazendo mais. Muito mais. É uma pena, porque eu queria muito gostar do Obama.

Nojo

É difícil de acreditar que uma instituição de nível superior no Brasil seja capaz de um ato tão nojento, tão abjeto, tão ignóbil, tão baixo - quanto o protagonizado pela Faculdade Adelmar Rosa, uma instituição particular de Teresina, no Piauí. Segundo notícia publicada hoje na Folha de S. Paulo, o professor Raimundo Leôncio Fortes usou um texto de sua própria autoria em uma prova da cadeira de Estudos Sociais.

O texto é homofóbico e ataca o projeto da lei anti-homofobia, e é de uma baixeza indescritível. Vários alunos expressaram revolta com o texto e deixaram a sala de aula. A faculdade afirma que o professor foi demitido. Mas o episódio é vil e revoltante.

Um trecho do texto: "Essa pretensão entre os homossexuais não tem sentido, não devendo ser reconhecido juridicamente [...] contraria a ordem das coisas relativas à sexualidade e genitalidade humana. Sendo o ânus um órgão não receptor, como a vagina, mas expelidor de excrementos, não existem mecanismos facilitadores deste tipo de relação [...] por ser uma relação cuja posição não é face a face, mas ao contrário, no mais puro estilo animal".


No site da faculdade há um link "Fale conosco". Aproveite para escrever e deixar seu repúdio - estas coisas não podem ficar assim. Esta notícia me deixou a mil, e eu nem tomei ainda a minha dose diária de cafeína.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Amor de três pontas

A série As Cariocas exibida pela Globo tem mostrado algumas histórias realmente muito interessantes. Na história de ontem A Iludida de Copacaba a esposa (Alessandra Negrini) está insatisfeita com a falta de atenção do marido (Thiago Lacerda), com quem não faz sexo há muito tempo, e acaba se entregando ao melhor amigo do marido (Eriberto Leão). Mas depois descobre que o marido e o melhor amigo tinham um caso secreto e eram amantes há muito tempo.

No final tudo se resolve com uma solução criativa:

As redes

O verdadeiro Zuckerberger não era
assim tão soturno
Não entendi todo o hype em torno de "A Rede Social" - achei o filme muito chato. E provavelmente muito falso. Basta googlar Zuckerberger para ver que em 90% das imagens ele é um cara risonho e alegre - nada a ver com aquele menino taciturno e chato mostrada no filme. Sem contar que uma história baseada em um personagem que muito provavelmente sofre de Síndrome de Asperger seria mais interessante se tivesse sido focada no que ele tem de melhor: os desafios técnicos da construção do Facebook - que certamente não foram poucos. Mas o filme é centrado na batalha legal para provar quem foi o pai da ideia - um assunto no qual o próprio personagem principal não tem o menor interesse.

Orkut e o maridão Holbrook
Também achei muito falso dividir estudantes universitários entre nerds que passam a noite inteira no computador e farristas que vivem em uma vida de festas intermináveis. Nerds são geralmente consumidores compulsivos de pornografia digital, mas não há no filme uma única cena de um deles se masturbando em frente do computador - o que teria deixado o filme um pouco mais realista e interessante. E também não colou a cena em que um aluno nerd chega atrasado e assiste a uma palestra de mais de 1 hora sem saber que era o Bill Gates quem estava falando. Um nerd pode não saber quem é Angelina Jolie mas jamais deixaria de reconhecer o Bill Gates.

Resta esperar que logo alguém tenha a ideia brilhante de fazer um filme sobre o Orkut Büyükkokten, o criador do Orkut. O cara é gay assumido e se casou há algum tempo com o namorado Derek Holbrook.  E parece ter uma vida muito mais interessante que a do Zuckerberger. Ele teria, por exemplo, a oportunidade de explicar sobre a foto abaixo, que ele mesmo postou em sua página. Tenho certeza que a explicação deve ser muito interessante.

Orkut e Holbrook

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Chute no saco

Apesar de eu acreditar no que escrevi na postagem anterior que no final a batalha pelos direitos LGBT será ganha, às vezes eu tenho vontade de tirar a metralhadora giratória do armário e fazer as coisas andarem mais depressa. A gente sabe que no final tudo vai dar certo, mas a gente tem pressa.

A última novidade: Jean Wyllys, o candidato gay a deputado federal pelo Rio de Janeiro, deve perder a chance de se eleger mesmo depois de sua vitória ter sido provisoriamente confirmada. Tudo devido ao complexo sistema eleitoral brasileiro que se baseia em coeficientes eleitorais partidários que "puxam" candidatos com base na votação proporcional obtida pelo partido. O presidente do TSE acaba de aceitar recurso do PT do B para que sejam somados ao coeficiente do partido os votos obtidos pelos candidatos que tiveram o registro negado. A nova contagem altera o quadro e Jean Wyllys, que concorreu pelo PSOL, fica fora.

Pela primeira vez teríamos um deputado gay assumido e bem resolvido, militante das causas LGBT e com bastante traquejo. Este revés é um verdadeiro chute no saco...

Fatos novos

A luta pelos direitos da comunidade LGBT segue um curso previsível quando analisada de um ponto de vista macro. Dentro de algum tempo, em todos os países civilizados incluindo o Brasil, os homossexuais terão direito ao casamento com exatamente os mesmos direitos dos heterossexuais, e serão respeitados em todos os níveis da sociedade. Enfim, a homossexualidade não será uma questão - ser homossexual terá exatamente as mesmas implicações que ser heterossexual.

Ninguém nos dias de hoje pensaria em trazer de volta a escravidão ou a segregação racial. Qualquer político insano que propusesse tamanha loucura seria barrado e escorraçado pela sociedade. A evolução natural da sociedade impulsiona esta evolução natural dos direitos individuais.

É justamente por isso que o outro lado - os políticos conservadores e os religiosos extremistas - começam a entrar em desespero. Porque abraçaram uma causa perdida. Fatos novos contribuem todos os dias para a conscientização coletiva - fatos como o aumento da visibilidade positiva dos homossexuais, a violência contra os gays, o suicídio de jovens gays nos Estados Unidos, o declínio da importância religiosa, a constatação que gays constituem famílias tão sólidas e estáveis quanto os heterossexuais.

Enquanto isto o outro lado não tem muita esperança. Eles têm uma argumentação surrada e vencida que não evolui, não recebe fatos novos, e cada vez convence menos pessoas. Que fatos novos poderiam esperar? Só mesmo se deus em pessoa descesse puto-da-vida em praça pública num domingo de manhã para dizer que está tudo errado. Mesmo assim, há 50% de chances de ele ser mulher e mais de 10% de chance de ele ser gay - então eu não contaria muito com esta alternativa.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Dia histórico

O dia de hoje promete entrar para a história da luta pelos direitos LGBT nos Estados Unidos e no mundo. Dentro de algumas horas (10 da manhã no horário da California) será oficialmente aberta a oitiva do processo que visa provar que a Proposição 8 (que impede os casamentos entre casais do mesmo sexo na California) é inconstitucional. Em 4 de agosto o juiz Vaughn Walker havia decidido em favor dos casais homossexuais, mas a decisão final ficou pendente de análise pela segunda instância - fase que se inicia hoje.

Por que é tão importante?

1. Porque a decisão tem tudo para ser favorável aos casais homossexuais que iniciaram o processo, estendendo-se automaticamente para toda a população do estado.

2. Porque a decisão em segunda instância pela 9ª Comarca Federal será proferida por uma banca de 3 juízes. Os 3 juízes foram escolhidos por sorteio há alguma semanas e, por sorte, todos são juízes conhecidos por decisões liberais.  As associações que lutam contra a aprovação do casamento entre homossexuais tentaram, inclusive, barrar o juiz Reinhardt - um dos escolhidos - alegando conflito de interesses, uma vez que a esposa dele é presidente de uma associação que luta pela igualdade de direitos. O juiz Reinhardt já disse que vai agir com isenção e que não abre mão de sua presença na banca.

3. Pela primeira vez o casamento entre homossexuais será julgado com base no "mérito" do processo. Ou seja, não é uma questão de concordar ou deixar de concordar, mas um julgamento com base nos princípios legais que foram levantados por Vaughn Walker na primeira decisão: direitos humanos, igualdade, evolução da sociedade, homofobia injustificada, medo dos gays, inconstitucionalidade de artigos que tentam barrar os direitos dos gays, etc. Espera-se que a decisão final, com esta base jurídica tão sólida, sirva de precedente para uma grande alavancada na luta pelos direitos dos homossexuais nos Estados Unidos como um todo.

4. Apesar de a California estar tão longe, a repercussão é muito grande. A imprensa dará ampla cobertura. As celebridades internacionais farão depoimentos. A repercussão no Brasil deverá ser ainda maior do que a aprovação do casamento entre homossexuais na Argentina, da qual não se fala mais nada.

5. Devido à importância do evento a Justiça aprovou que seja televisionado. Vários sites farão transmissão simultânea.

6. O governador Schwarzenegger e o advogado-geral do estado da California já anunciaram que são a favor da igualdade de direitos no casamento e que o estado não vai recorrer caso a decisão seja favorável aos homossexuais.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Promessa é dívida!


No início do ano passado Britney Spears teve que disfarçar bastante com o enigma "If U Seek Amy" (que em inglês soa como FUCK ME soletrado). Mas pouco tempo depois Lilly Allen resolveu escrachar geral e estourou com Fuck You (Very Much). E em 2010 veio Cee Lo Green com outro sucesso - Fuck You!.

A gente sabe que 2010 vai ser o ano em que a música definitivamente derrubou a última barreira da hipocrisia e adotou o FUCK quando o bom moço Enrique Iglesias lança Tonight (I'm Fucking You). A musiquinha dançante não me sai da cabeça.
Enrique, promessa é dívida!!!!

Enrique Iglesias - Tonight (I'm Fuckin' You) feat. Ludacris & DJ Frank E:

Robbie Williams mata a cobra e mostra a bunda

Que o Robbie Williams é muito exibicionista e não perde uma oportunidade de mostrar a bunda todo mundo já sabia. Mas que ele estava mostrando a bunda por quaisquer 20 libras é novidade. De bônus, lendo as legendas, a gente ainda aprende que "bunda" em dinamarquês é "røv".


sábado, 4 de dezembro de 2010

Violência contra homossexuais

Sob o título Violência Contra Homossexuais o dr. Dráuzio Varella assina excelente artigo na Folha de S. Paulo de hoje. O dr. Dráuzio deixa claro, inclusive, que apoia o casamento entre homossexuais. Seguem alguns trechos para reflexão:

"A HOMOSSEXUALIDADE é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados."

"Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por mero capricho. Quer dizer, num belo dia, pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas, como sou sem-vergonha, prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.
Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros."

"Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países o fazem com o racismo."

"Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais que procurem no âmago das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal aceitam a alheia com respeito e naturalidade."

"Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser nazistas a ponto de pretender impor sua vontade aos mais esclarecidos."

Para ler o artigo na íntegra, clique em "Mais informações" abaixo.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Está frio lá fora

Baby, It's Cold Outside foi composta em 1944 por Frank Loesser. A música tem a forma de um diálogo entre dois amantes, onde um tenta convencer o outro a ficar porque faz muito frio lá fora para sair agora. Não é exatamente uma música de Natal, mas sempre foi presença garantida nos discos natalinos.

A forma de diálogo propiciou grandes duetos. Entre outros, foi gravada por Michael Bublé com Anne Murray, por James Taylor com Natalie Cole, por Barry Manilow com K. T. Oslin, por Ray Charles com Dionne Warwick, e até por Willie Nelson com Norah Jones. A música precisou completar 66 anos até que alguém tivesse a ousadia de apresentar o dueto com um casal do mesmo sexo - mais um mérito da série Glee.

Chris Colfer e Darren Criss - Baby, It's Cold Outside

From Doha with love

Fiquei contente com a escolha do Catar para sediar a Copa do Mundo de 2022. Eu estive no Catar a trabalho várias vezes e sempre achei o país muito simpático e a população muito hospitaleira. O Catar foi protetorado britânico durante muitos anos e a gente logo percebe a marca inglesa na organização do trânsito - principalmente nos sinais e nos vários roundabouts, aquelas rotatórias que são típicas da Inglaterra. E foi no Catar que eu vivi uma história extraordinária.

Eu estava ajustando o tripé e a objetiva da minha câmera para fazer uma foto de um palácio de mármore branco incrivelmente bonito e nem me dei conta dos dois soldados que se aproximaram. Levei um susto quando, já do meu lado, eles gritaram comigo muito agitados. Eu só conseguia dizer que era brasileiro e que não falava árabe. Com muito esforço eu consegui entender que aquele era o palácio do Emir e que não pode ser fotografado por questões de segurança. Pronto, eu estava detido. Os soldados pediram que eu os acompanhasse. Atravessamos a rua e entramos em uma casamata do lado de fora dos portões, de onde os soldados começaram a disparar um monte de telefonemas nervosos. Na minha mente só vinham imagens de O Expresso da Meia-Noite e eu já me via apodrecendo em uma prisão do Oriente Médio para o resto da vida.

O lugar não tinha janelas e tinha o ar condicionado ligado no máximo. Eu estava parado em pé aguardando e morrendo de medo, e o frio começou a me incomodar. Foi quando aconteceu algo incrível. Inconscientemente eu comecei a esfregar a mão uma na outra da forma como a gente faz para se aquecer. Nesta hora o soldado largou o telefone, caminhou até mim, tirou o próprio casaco que estava usando e o colocou nas minhas costas. E neste exato momento eu tive a certeza que não corria nenhum perigo.

From Doha with love

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Código fonte

A Origem (Inception, 2010) dividiu o público em vários segmentos: os que gostaram e os que odiaram, os que entenderam e os que não entenderam, e os que acharam uma coisa e os que acharam outra coisa. Isto é sinal que todo mundo teve que pensar um pouco - o que é bom. Eu adoro usar o cérebro durante um filme, mas também não tenho nada contra alguns filmes que são pura diversão, daqueles que dá para deixar o cérebro descansando em casa.

Agora vem aí outra grande produção de ficção científica: Source Code. Ainda não tem título em português, mas não vejo motivo para não virar Código Fonte mesmo - que é o que a gente usa em programação de computador. Gostei muito do trailer. Matrix continua fazendo escola. E se o filme for um fracasso total, pelo menos a gente tem a companhia do Jake Gyllenhaal para ajudar a passar o tempo.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Deixa de ti-ti-ti!

Você alguma vez já chegou naquele ponto de ligar o "então, foda-se!"? Naquele ponto quando a gente já explicou de todas as maneiras sutis e educadas, já fez até desenho, mas as cabeças burras continuam se recusando a entender? Quando o único jeito é deixar a sutileza de lado e falar na lata o que precisa ser dito?

Ontem o personagem da Isis Valverde em Ti-ti-ti chegou a este ponto, com muita classe. Eu não estou seguindo a novela religiosamente, mas ao final de todo dia eu entro lá no site do G1 e assisto às cenas em que aparecem os personagens do André Arteche, da Giulia Gam e da Isis Valverde. O texto que estes personagens têm interpretado é muitas vezes emocionante e de um esmero raro. Para quem não está seguindo a trama, Marcela (Isis Valverde) é a melhor amiga de Julinho (André Arteche), que é gay e perdeu o namorado Osmar em um acidente de carro. A mãe de Osmar, d. Bruna (Giulia Gam) não aceita a homossexualidade do filho - nem depois de morto - e passou a hostilizar o genro Julinho que ela amava feito um filho até saber que ele havia sido namorado de Osmar.

Mais uma vez o texto de Maria Adelaide Amaral me surpreendeu e me emocionou. Muito.