domingo, 31 de julho de 2011

Cutucando com vara curta

Enrique Iglesias voltou a causar esta semana ao declarar, mais uma vez, que tem pinto pequeno. É a segunda vez que o cantor solta esta pérola no meio de uma entrevista, assim como quem não quer nada.

Eu adoro este menino, não só pela carinha de me-leva-pra-casa-e-cuida-de-mim, mas também pela atitude. Tudo indica que ele é realmente hétero, e seu relacionamento de quase uma década com a tenista russa Anna Kournikova não parece encenação, mas ele não faz nenhuma questão de ficar se afirmando ou "parecendo" hétero.

É bom ver o universo das convicções e simbologias do homem machista sendo cutucado assim com vara curta (e, se as afirmações dele são verdadeiras, então esta observação pode ser entendida também literalmente).


Outra das inúmeras vezes que ele já fez isto foi há uns três anos, durante um show. Ao convidar alguém para o palco para o esperado número em que ele canta Hero, normalmente para uma fã adolescente grudenta, eis que surge um... rapaz gay!! Enrique Iglesias cantou para o rapaz da mesma forma apaixonada e ainda o envolveu em um gostoso abraço por trás (momento 2:39 do vídeo) para ficarem mais juntinhos.

Talvez este tipo de comportamento se torne mais comum em um futuro melhor onde as sexualidades sejam menos estanques e mais fluidas.

sábado, 30 de julho de 2011

Mat Kearney

Young Love, terceiro álbum do cantor americano Mat Kearny, chega às lojas na próxima terça-feira, 2 de agosto.

Depois do sucesso de City of Black and White, de 2009, sua voz tem sido presença constante nas trilhas sonoras de seriados americanos (30 Rock, Without a Trace, The Hills, Jericho, Wildfire, One Tree Hill, Scrubs, NICIS, Grey's Anatomy, Vampire Diaries, entre outros).

Young Love é uma coleção de 10 histórias onde Mat Kearney explora diferentes arestas de sua vida pessoal. Como na linda Rochester (abaixo), a história da vida de seu pai.



Mat Kearney - Rochester:

Change is a stranger, you have yet to know

Quando Paul McCartney escreveu "will you still feed me when I'm 64?" há 44 anos atrás, vivíamos em uma época em que a vida acabava pouco depois dos 50. De lá pra cá muita coisa mudou, como prova Giorgio Armani - fotografado esta semana na ilha espanhola de Fomentera com um amigo.

Tudo bem, ele tem dinheiro e pode ter investido em operações plásticas, botox, injeções de colágeno, o escambau. Mas é óbvio que ele se cuida muito bem e que ginástica e dieta devem ocupar lugares importantes em sua vida.

A lei da gravidade não tem misericórdia com ninguém e um dia tudo despenca, mesmo para os ricos e famosos. Estar nesta boa forma aos 77 anos (sim, daqui três anos este senhor vai estar com 80 anos!) é uma dádiva, e deveria servir de inspiração para os mais jovens.

Agora, sai da frente, Giorgio Armani, que eu preciso dar uma olhada melhor neste seu amigo.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Inspiração


No decorrer desta semana eu viajei por vários álbuns de fotos mostrando momentos de extrema felicidade das pessoas que finalmente puderam se casar no estado de Nova York. Mas nenhum casal me comoveu tanto quanto Phyllis Siegel, de 76 anos, e Connie Kopelov, de 84 anos. Elas tiveram prioridade na fila devido à saúde frágil, e foram as primeiras a oficializar o casamento naquele cartório. Elas estão juntas há 23 anos.

O carinho entre elas, a alegria dos amigos - tudo se sente tão autêntico. Nada que eu pudesse escrever aqui conseguiria comunicar a inspiração que estas duas mulheres me fazem sentir.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Aceitação

Qual a diferença entre dizer "Metade da população rejeita os gays" e "Metade da população aceita os gays"? Matematicamente, nenhuma. Mas, psicologicamente, existe uma grande diferença entre enfatizar a rejeição ou a aceitação.

Este é o problema com a divulgação da pesquisa realizada pelo IBOPE sobre a aceitação do casamento gay no Brasil e divulgada hoje. As manchetes tanto do UOL quanto do G1, os maiores portais de notícia do Brasil, se apressaram em divulgar que "55% da população reprova união gay" sem se dar conta que isto significa que "45% da população é favorável à união gay"- o que é um índice ótimo!! Basta considerar que a aceitação no estado de Nova York hoje é de 53% mas era de apenas 27% em 1996!

45% de aceitação no Brasil na atual situação é muito bom, é um índice para comemorar! Principalmente levando-se em conta que a aceitação é crescente, que as lutas têm conquistado bons resultados, que a população mais jovem tende a ser mais liberal e que a população mais velha e conservadora vai diminuindo naturalmente em número.

Além disso, a pesquisa (que pode ser consultada na íntegra aqui) traz outros resultados que não representam nenhuma surpresa: que a aceitação é maior entre os níveis de escolaridade mais altos, que é maior entre os mais jovens, menor entre os evangélicos, etc. Nada surpreendente.

Agora, os jornais bem que poderiam ter dado a notícia em um tom menos pessimista. O esperado de uma publicação seria posicionar-se ao lado da luta pela conquista de direitos humanos. Mesmo que a diferença seja só psicológica.

Carente 3.0

O vídeo já tem uma semana, o que é uma eternidade na internet, e certamente todo mundo já viu. Talvez os mais de meio milhão de acessos neste período sirvam para confortar o coitado. Mas não deixa de ser altamente sintomático da dependência que muita gente desenvolve pela falsa sensação de fama proporcionada pelas redes sociais. E seria até engraçado se não fosse tão patético.

Mistura de FOMO com carência afetiva, imagino que situações como esta se tornem cada vez mais comuns no futuro. Não há melhor massagem para o ego do que postar uma frase que vai ser automaticamente lida por 300 ou 400 "faces" - como muita gente já está chamando sua multidão cativa de "amigos" ou "seguidores". Algumas pessoas transformaram isto em sua atividade principal.

E agora, com licença, que eu preciso cutucar alguém.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Os Idos de Março

Achei genial esta ideia para o cartaz do filme The Ides of March, que tem estreia prevista para o ano que vem. No filme, o ótimo Ryan Gosling trabalha no comitê de campanha de eleição de um candidato a governador (George Clooney) e faz um curso relâmpago de como jogar sujo na política.

Como na convivência cotidiana de casais há muito juntos, às vezes a gente não consegue determinar onde termina um e começa o outro.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Eu sou você amanhã

Eu tenho um pouco de medo destas pessoas que têm aversão à diversidade, que não conseguem conviver com o diferente. Mentira. Eu tenho MUITO medo.

É de criança que se aprende a conviver com a diversidade. Da mesma forma, é de criança que se copia e se internaliza o preconceito e a intolerância dos pais e dos adultos. Estas crianças que vivem no meio do preconceito, ao crescer não conseguem aceitar que outros seres "inferiores" - negros, homossexuais, mulheres, judeus, muçulmanos, deficientes - possam ter os mesmos direitos que eles, ou sequer compartilhar do mesmo espaço.

A intolerância à diversidade pode crescer, sufocar a razão, e assumir contornos psicóticos. Estes sociopatas são capazes se empreender verdadeiras batalhas para assegurar que os diferentes não deixem sua condição de eternos subjugados. São capazes de entrar para a política para barrar as lutas pela igualdade de direitos. São capazes de pegar em armas e matar cruelmente sem o menor arrependimento. São até capazes de explodir edifícios e cidades.

Jake Walden - Same Something Different

Jake Walden está lançando hoje seu segundo disco, Same Something Different. Este moço de lindos olhos azuis que sempre consegue me tirar do sério quando canta com sua voz levemente rouca trabalhou arduamente para este lançamento enquanto compartilhava com fãs e amigos todo o andamento do projeto através de seu blog e de sua página no facebook. Destituído de qualquer tipo de estrelismo, Jake não escondeu sua ansiedade com o lançamento. Ainda ontem estava lá no facebook contando os minutos para o lançamento junto com os fãs, sem conseguir dormir de tanta excitação.

Eu já tinha falado dele aqui há pouco mais de um ano. Adorei o novo álbum de cabo a rabo, principalmente da surpresa que o Jake incluiu entre as faixas de sua composição: uma gravação de A Case Of You, a música de Joni Mitchell que é a minha música favorita. Eu poderia imaginar que ele gravou A Case Of You para mim, mas quem segue seu blog sabe que esta era a música favorita de sua avó, que faleceu há três anos.

Os fãs que derem um "curti" na página dele no facebook podem baixar inteiramente grátis a faixa que dá título ao álbum. E agora peço, por favor, que não me liguem ou visitem hoje - vou passar o dia curtindo Jake do jeito que ele merece. Ah, esquecei de dizer que ele continua solteiro - mas acho que não por muito tempo.

 Even In Your Doubt by Jake Walden

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Novos ventos

Juiz Fernando Henrique Pinto
O programa Papo Vanguarda, transmitido pela afiliada da Rede Globo para o Vale do Paraíba, apresentou ontem uma entrevista com o dr. Fernando Henrique Pinto, juiz de direito da 2ª Vara da Família e das Sucessões de Jacareí, responsável pela decisão que permitiu o primeiro casamento gay no Brasil por meio da conversão de uma união estável pré-existente.

Jovem, simpático, bonito, bem-humorado, o juiz Fernando Henrique Pinto, que já havia dado uma aula de cidadania no texto de sua decisão, falou do direito que deve ser assegurado a todos os cidadãos de oficializarem suas relações com as pessoas que amam, da derrubada dos entraves normalmente interpostos por sentimentos religiosos exacerbados, e voltou a afirmar que o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo não afeta nem tira direitos de absolutamente nenhum terceiro.

O juiz está no facebook, onde recentemente aproveitou para divulgar o casamento homoafetivo de uma colega juiza de Santa Catarina. Foi no sábado passado, quando a juíza Sônia Maria Mazzetto Moroso, da 1ª Vara Criminal de Itajaí, formalizou o casamento com a servidora pública municipal Lilian Regina Terres.

Engana-se quem pensa que o nosso Judiciário está à frente de seu tempo. O nosso Judiciário está em seu tempo devido, vivendo a realidade presente. O nosso Legislativo foi que se acovardou e parou no tempo. Coincidentemente, há exatamente um ano atrás eu escrevi exatamente sobre isto que está acontecendo.

domingo, 24 de julho de 2011

Assalto ao Banco Central

O filme é a versão romantizada do famoso assalto ao Banco Central em Fortaleza por um bando que cavou um um túnel sob vários quarteirões, e funciona muito bem do começo ao fim.

A primeira coisa que chama a atenção é o elenco estelar, com ótimos atores mesmo nos pequenos papéis. Uma delícia rever Hermila Guedes (de Céu de Suely), Gero Camilo (um dos melhores atores do Brasil, sempre marcante), Milhem Cortaz (amedrontador), Vinícius de Oliveira (de "Central do Brasil", agora homem feito e no papel de um evangélico efeminado, excelente!), Ilva Niño (excelente atriz que parece existir desde a invenção da TV - foi a criada de Viúva Porcina em Roque Santeiro e atualmente é a mãe do cangaceiro Herculano em Cordel Encantado, e no filme faz uma ponta com interpretação cheia de humor), e mais uma plêiade de grandes atores como Lima Duarte, Giulia Gam, Daniel Filho, Antonio Abujamra, Milton Gonçalves - aparentemente todo o primeiro escalão da Globo.

A história é contada em diferentes linhas do tempo, e a gente já sabe desde o início que os bandidos serão na maioria presos, o que só aumenta o interesse em saber como a trama vai se desenrolar até lá. O roteiro genial consegue fazer com que o filme dominado pelo drama e tensão seja também extremamente divertido. Dava para sentir que o cinema lotado havia embarcado com tudo na onda do filme.

Tem uma frase no filme, "Mulher é foda!" que é dita em um contexto que eu não posso explicar aqui para não estragar a surpresa, mas que se revelou uma sacada genial.

Assalto ao Banco Central é diversão garantida.


O homem mandioca

Quando as fotos safadinhas de Juliano Cazarré caíram na rede há algumas semanas todo mundo julgou se tratar de uma montagem. Até que esta semana o próprio Juliano confirmou que realmente fez as fotos para o blog de Diego Bresani, de Brasília, e reafirmou o bom-humor do ensaio. As fotos continuam no ar e o ensaio de Diego Bresani está arrebentando a boca do balão. Agora todo mundo pode matar a curiosidade sobre o quê despertou a paixão da Eunice na novela das nove.

Nota dez para o Juliano! Depois da enxurrada de estrias e celulites de mulheres-jacas de bundas avantajadas e cérebros atrofiados é com muito prazer que damos as boas-vindas à era do homem-mandioca, homem-nabo, homem-banana, homem-pepino... Que venham a horta inteira e o escambau!

Life is a bitch and then you die

Sua vida seria diferente se você soubesse exatamente a data em que iria morrer? E se você tivesse que pagar tudo que adquire com tempo, em vez de dinheiro, será que pensaria mais antes de comprar algo? Esta ideia interessante é a premissa do filme In Time, com Justin Timberlake.

A ideia é bastante original. Nesta nova realidade todo mundo pararia de envelhecer aos 25 anos e a partir daí ganharia um ano extra que serviria de moeda de troca para tudo na vida. Quer comprar uma roupa nova? Custa 50 minutos. Um café? Custa 4 minutos. Uma mansão com piscina? Talvez uns 9 meses. Arranje um bom trabalho e no final do mês você poderá receber um salário de uns 20 dias, ou procure um trabalho melhor que lhe pague uns 40 ou 50 dias e você ficará mais despreocupado.

Se o filme é bom ou não, vamos ter que esperar até outubro para saber. Mas você já parou para pensar o quê faria se tivesse apenas 10 minutos na carteira?

sábado, 23 de julho de 2011

E Amy finalmente terminou de morrer

Não acho que Amy Winehouse deva ser endeusada como muita gente está fazendo agora que ela terminou de morrer. A morte prematura é sempre perturbadora, mas Amy está muito longe de ser uma deusa.

Amy Winehouse foi muito talentosa durante um período muito breve. Seu último disco foi recusado e classificado de medíocre. Há anos não tinha uma única apresentação digna.

Há alguns meses eu perdi uma amiga com câncer. Olhar para uma pessoa e saber que ela está morrendo é muito cruel. A diferença é que minha amiga tinha uma vontade muito grande de viver e lutou contra a doença até o último dia. Já a doença da Amy era tão terrível que ela não tinha forças para lutar e talvez nem consciência do grau de gravidade em que se encontrava.

A maior tristeza foi ver sua doença sendo exibida durante anos na frente dos nossos olhos levando a uma morte lenta e anunciada desde meses atrás. Muita gente ainda não se deu conta do drama que vivem muitas famílias e muitas pessoas nas ruas, de todas as idades, inclusive crianças. Ninguém vai ouvir falar delas porque elas não são famosas como a Amy. Mas várias delas morrem todos os dias do mesmo mal.

Pink Sunday

À meia-noite de hoje entra em vigor a lei da igualdade no casamento no estado de Nova York. Como resultado, a partir da zero hora deste domingo os casamentos já podem ser oficializados.

São tantas famílias que esperaram tantos anos por este momento que os casais não querem perder um momento sequer. Uma quantidade enorme de casais já requereu e obteve a licença de casamento e preferiu agendar a cerimônia para este primeiro domingo mesmo. O número de casais foi tão grande que o estado de Nova York não tinha estrutura para atender a todos e se viu obrigado a criar uma loteria para sortear quem seria atendido. Por outro lado, foi também tão grande a quantidade de oficiantes (espécie de 'juiz de casamento' que tem autoridade para oficializar o ato civil) que se ofereceram para trabalhar neste domingo histórico, que o governo declarou que atenderá todos os 823 casamentos agendados para o domingo. Será o maior número de casamentos já realizados em um único dia em toda a história do estado de Nova York.

O próprio prefeito Bloomberg fez questão de se oferecer para oficializar o casamento de Jonathan MintzJohn Feinblatt, que estão juntos há 13 anos e têm duas filhas de 6 e 8 anos. Feinblatt é Conselheiro Chefe de Políticas da prefeitura de Nova York e amigo pessoal do prefeito. O New York Times, jornal simpatizante que muito ajudou nesta conquista, publicou um editorial muito bem inspirado sobre como o casamento vai alterar as vidas de Jonathan e John: 2 Dads, 2 Daughters, 1 Big Day.

Neste domingo Nova York se pinta na cor da esperança e entra mais uma vez para a história.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A inveja é uma merda


O ataque terrorista de hoje à pacata Noruega é de deixar qualquer um com os cabelos em pé. Fora todas as motivações e complexas interpretações políticas que permearão os jornais nos próximos dias, na raiz de todo ato desta natureza está a inveja. Uma grande inveja de uma sociedade moderna e progressista que os agressores não conseguem e não têm competência para reproduzir.

A inveja é a exacerbação da admiração. Mentes doentes não conseguem suportar a admiração por aquilo que para eles é inatingível. Esta admiração se torna em inveja, em gana de destruir algo que não se pode ser.

Os grandes inimigos dos gays passam por processo semelhante. São normalmente indivíduos mal resolvidos aprisionados por complexos de culpa impostos pela religião, que não conseguem conviver com a ideia de que os homossexuais geralmente são livres, se divertem mais do que eles, e vivem melhor do que eles. Os gays têm as vidas que os homofóbicos gostariam de ter mas não conseguem por falta de coragem ou competência. Daí surge o impulso de destruir aquilo que o tempo todo os está lembrando de seus fracassos. A inveja é uma merda.

A grande família brasileira

Esta cena abriu o episódio de hoje de A Grande Família. Sim, foi um episódio sobre casamento gay, sobre preconceito e... pasmem! sobre reações a um beijo gay!! Acho que a Rede Globo está querendo dizer algo.

No episódio surgiu Fábio, o irmão gêmeo gay de Paulão - os dois interpretados por Evandro Mesquita. E o dilema se centrou na divisão dos personagens entre as festas de aniversário de Paulão (que não aceita o irmão gay) e do casamento de Fábio com seu noivo. Os problemas começam depois que Agostinho (Pedro Cardoso) faz um escândalo quando o casal gay se beija dentro de seu taxi e sua empresa começa a ser boicotada pelos clientes gays.

Apesar de mostrar gays estereotipados - que condizem mais com o universo da família classe média baixa retratada no programa - o programa inseriu várias mensagens contra o preconceito e todos os personagens principais tinham posição positiva de apoio. E o episódio termina com a aceitação pelo irmão hétero, e com o Agostinho finalmente permitindo que o casal gay se beijasse dentro de seu taxi.

Agostinho mudou de atitude em relação à aceitação do beijo de um casal gay. Sendo Agostinho um conservador como a Rede Globo, isto pode ser um recado que as coisas vão mudar. Por enquanto, a polêmica do beijo gay continua.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Joss Stone - LP1

Vazou hoje o novo álbum da Joss Stone, LP1, que tem lançamento oficial na próxima semana. Quem não conhece a cantora e a ouve pela primeira vez custa a acreditar que ela não é negra. Joss Stone tem voz de negra, e isto é um grande elogio. Também difícil de acreditar que ela tenha só 24 aninhos.

Esta nova geração de meninas inglesas parece realmente disposta a arrebentar a sapucaia. Joss Stone, Amy Winehouse, Duffy, Adele - todas têm menos de 30 anos e voz de quem está há décadas na estrada.

O cantor Smokey Robinson apelidou Joss Stone de "Aretha Joplin", alcunha de grande responsabilidade que ela parece desempenhar sem dificuldade.

O novo disco tem 10 faixas e é o primeiro lançamento pelo selo próprio da cantora - daí o nome LP1. Fui fisgado já na primeira audição, principalmente por Drive All Night, faixa 5. Parece que Aretha Franklin e Janis Joplin realmente abençoaram esta garota.

Joss Stone - Drive All Night:

Vendo coisas

Eu acho o cúmulo do cúmulo quando pessoas começam a "enxergar" figuras religiosas em todo lugar. Olham para a borra do café ou para um nó na madeira e lá estão dois olhos fixos fuzilando-os com um olhar de cobrança. Deve ser resultado de muito sentimento de culpa acumulado.

Fosse eu crente, preferiria acreditar em um deus com mais magnanimidade e grandeza, capaz de grandes gestos nobres como tirar uma vila de pescadores da linha de um tsunami impiedoso e que não perdesse seu precioso tempo com a vaidade de ficar estampando seus retratos por aí.

O caso mais novo aconteceu esta semana em uma cidadezinha da Carolina do Sul nos Estados Unidos, onde um casal afirma que é o rosto de Jesus aquele borrão que apareceu misteriosamente no tíquete de compras do Walmart. O casal é evangélico. Neste ponto eu estou me segurando para não fazer uso da piada pronta, mas não é engraçado que este deus deles só perca tempo se reafirmando para os já convertidos? Além disso, em um desenho malfeito, qual a diferença entre a cara de Jesus, do Lula, e do Bin Laden?

Pois hoje de manhã eu juro que vi a cara do George Clooney na minha torrada. Será que ele está tentando me mandar uma mensagem?

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Transições

Confesso que fiquei surpreso quando li que o cantor Keith Caputo está prestes a concluir a transição de gênero e que já está vivendo como mulher. Agora ela é Keith Mina Caputo. Eu sempre gostei da música dele, mas sabia pouco de sua vida e jamais suspeitei que ele sofresse de disfunção de gênero.

Eu o achava muito bonito como homem e acho que como mulher não ficou lá estas coisas. Mas é claro que a minha opinião não tem a menor importância. É importante reconhecer a coragem de quem enfrenta o mundo para conseguir viver em paz com seu corpo. Viver em um corpo de gênero diferente do que está gravado na mente deve ser uma barra pesadíssima. Perto disto, gostar do mesmo sexo estando no corpo certo é fichinha.

Eu já adorava a gravação dele para Why, da Annie Lennox, e ontem a ouvi com ouvidos diferentes. Tomaram um novo significado as palavras "And this is how I feel. Do you know how I feel? 'Cause I don't think you know how I feel. I don't think you know what I feel". Durante estes anos todos eu não sabia como ele se sentia.

Keith Caputo - Why:

terça-feira, 19 de julho de 2011

Um pai e um filho

Eu ainda não consegui processar direito a notícia do ataque ao pai e filho que estavam abraçados e foram confundidos com um casal gay. Passado o choque, algumas dúvidas ainda ecoam na minha cabeça:

A notícia teria tido a mesma repercussão se os dois realmente fossem um casal gay?

O que assombra mais a população: o fato de um pai e seu filho terem sido atacados covardemente, ou o fato de eles terem sido confundidos com gays?

Não é interessante, apesar de cruel, que outras pessoas sintam na própria pele o drama dos gays? Imagine sua vizinha religiosa com medo de sair à rua com a filha e ser espancada por serem confundidas com um casal de lésbicas. Será que ao expandir o círculo de possíveis vítimas não teremos um argumento adicional para a aprovação da lei anti-homofobia?

O beijo gay na novela ou
A novela do beijo gay


Se você olha para a bandeira do arco-íris e vê só um pano listrado amarrado em um mastro então você não vai entender nada. É importante saber que para muita gente aquele pano amarrado no mastro é o símbolo de lutas e conquistas em uma grande batalha que é vencida dia a dia.

O beijo gay na novela da Globo virou o símbolo de um ideal possível. Deixou de ser uma simples manifestação de amor e carinho entre dois personagens e virou o emblema de uma luta. Quem decidiu isto não fui eu, não foi a Globo, não foi você. Nasceu naturalmente de uma picuinha da própria emissora. Ao impor resistência fez nascer uma reação igual e contrária.

Eu digo picuinha porque não há palavra melhor para descrever esta pirraça. A atual novela das oito não economiza cenas de casais héteros se lambendo e se esfregando. Uma senhora mãe de duas filhas adolescentes se entrega a um cafajeste em um hotelzinho de quinta categoria no meio da tarde enquanto o marido trabalha. Um personagem pegou uma camisinha usada do lixo do banheiro e usou o sêmen para engravidar a prima. E querem me convencer que o público não está preparado para ver dois homens se beijando???! Hello-o-o-o!!!

Eu também achava que beijo ou não-beijo não fazia diferença nenhuma. Mudei de ideia. O beijo gay na novela da Globo virou uma questão de honra. É preciso que a população veja muito homem se esfregando, se curtindo, e se beijando, para derrubar de uma vez este tabu. Desde o dia em que eu vi a cena da camisinha usada catada do lixo do banheiro que uma frase não me sai da cabeça: QUE PORRA É ESTA, REDE GLOBO?

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Lições de vida

O fato de Insensato Coração, uma novela com grande audiência, trazer tantas lições implícitas e explícitas é notável. A cada pequeno detalhe cuidadosamente colocado nas cenas eu penso comigo: "milhões de pessoas estão vendo isto".

Algumas mensagens implícitas são realmente geniais. Como o fato de a fictícia Liga da Família Carioca, uma destas organizações hipócritas que se baseiam nos princípios da TFP, ser presidida por uma mulher adúltera que curte um avassalador amor de pica por um cafajeste com cara de safado. Um lance de mestre dos escritores.

Outras mensagens são bem mais explícitas, quase acadêmicas. Como a cena de hoje entre o filho gay recém saído do armário e a mãe ainda em estado de choque. Tenho certeza que outras pessoas além de mim desabotoaram o peito e ficaram com os olhos rasos d'água. O amor da mãe, o carinho do filho, e as duas frases do filho que encerram a cena, são de dilacerar a alma.

A última bolacha do pacote

Fiquei tristinho quando li que Brothers & Sisters tinha sido cancelada e que o episódio 22 da quinta temporada seria mesmo o último. Eu já tinha baixado o episódio mas a cada vez que pensava em vê-lo me vinha aquela dorzinha no coração. Era a última bolacha do pacote, literalmente, e após assistir o filme eu estaria me despedindo da série pra sempre.

Adiei o prazer enquanto pude. Até que no último final de semana finalmente vi o episódio e me decepcionei muito. A história é banal, o roteiro é chocho. A série já dava sinais de cansaço há muito tempo, e aquele processo do personagem-ser-confrontado-com-problema-exercer-negação-até-último-grau-e-finalmente-fazer-o-oposto-do-que-disse-antes já estava começando a encher.

Uma pena. Brothers & Sisters teve ótimos momentos no início, desenvolveu boas histórias, e tinha um casal gay sensacional que teve direito até a casamento em uma cena emocionante. Deveria ter acabado com um final em alto estilo enquanto ainda estava no auge.

O livro sagrado

Depois de muitas guerras e catástrofes naturais grande parte da história estava perdida. O passado foi pouco a pouco sendo recuperando em escavações ao redor do mundo. E a humanidade voltou a ter esperança quando foram encontrados os escritos que descreviam a vida daquele Homem bom que vivera na Terra há muitos séculos e oferecera a própria vida para assegurar que o Bem triunfasse.

Os escritos vinham dos quatro cantos do planeta, em várias línguas, alguns até em idiomas já extintos. Foram sendo juntados para formar livros completos, e toda a humanidade passou a seguir as escrituras sagradas e a pautar suas vidas pelos ensinamentos daquele Livro e daquele Homem. O ano era 3.580 e o nome do Homem era Harry Potter.

domingo, 17 de julho de 2011

A arte de Steve Walker


Quando descobri o trabalho do canadense Steve Walker eu vivia o auge de um grande amor, e seus trabalhos eram uma perfeita representação de detalhes da minha realidade. A identificação foi imediata. Cada uma de suas obras representava um fragmento diferente de meu cotidiano, com seus códigos, suas cores, suas texturas. Era como se minha intimidade estivesse sento devassada, mas de um jeito que tinha mais a ver com compartilhar do que com invadir. Um jeito bom.

Steve Walker diz que não faz quadros gays ou homoeróticos. Ele prefere dizer que sua pintura representa o amor, a dor, a solidão, o companheirismo, a separação, o reencontro, a intimidade. Eu concordo com ele.

sábado, 16 de julho de 2011

Polifonia

Eu nasci na era do som estéreo, que revolucionou a indústria fonográfica e simplesmente jogou o som monofônico no lixo. Mas a tecnologia continuou evoluindo e logo veio o som quadrafônico. Era uma beleza visitar os amigos chiques que tinham aquele monte de caixas acústicas enormes e aquele montanha de fios espalhados pela sala. Depois veio o dolby surround, o dolby pro-logic, o dolby digital 5.1, o dolby digital EX e a partir daí todo mundo perdeu a conta.

A ordem agora é jogar todas estas caixas e fios no lixo e partir para fones de ouvido de boa qualidade para ouvir a última novidade na música: 3D! Pelo menos é o que pede Imogen Heap para quem quiser ouvir sua linda voz etérea junto com as imagens oníricas do single Propeller Seeds. Pegue seus fones de ouvido e confira abaixo.


Imogen Heap - Propeller Seeds from Imogen Heap on Vimeo.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Fez que foi e acabou fondo

Hoje está fazendo um ano da aprovação da igualdade do casamento na Argentina. O mundo não acabou e o país não foi assolado pelas sete pragas do Egito. Muito pelo contrário, tudo continua na mais perfeita normalidade. Cerca de 3.000 casais gays oficializaram a união neste período, já houve um divórcio e um caso de viuvez. A notícia está aqui.

E ontem na Califórnia o governador assinou uma lei que obriga as escolas a incluir em seus currículos aulas sobre as contribuições das grandes personalidades gays e lésbicas. Esta lei se utiliza sabiamente do princípio da inclusão para diminuir o preconceito. No estado já existem leis que obrigam a menção das contribuições de personalidades negras e de outras minorias marginalizadas. A lei tem o nominho bonito de FAIR Education Act, e FAIR vem de Fair, Accurate, Inclusive and Respectful. É exatamente o contrário do que pretende o vereador-pastor de São José dos Campos.

E no Brasil o casamento gay já é uma realidade. A decisão do STF que equipara as uniões estáveis dos casais homoafetivos às dos casais heteroafetivos elevou estas uniões a um patamar que permite sua conversão em casamento de acordo com a lei. Vários casais já estão se valendo do processo. Eu queria que tivesse sido uma grande festa, mas tudo aconteceu sem alarde, sem fanfarra ou banda de música. Foi assim meio na base do fez que foi e acabou fondo.

Em resumo, podemos dizer que em muitos aspectos o dia 15 de julho de 2011 está muito melhor do que 15 de julho de 2010. Vamos comemorar?

Declara-se extinta a homossexualidade no Brasil.
Revogam-se as disposições em contrário.

Tem um vereador-pastor aqui de São José dos Campos que está lutando para criar uma lei municipal que proíba a menção da homossexualidade em escolas da região. Eu não entendo como estes pastores evangélicos conseguem ser tão obtusos e ignorantes. Não seria mais eficiente criar uma lei a nível federal? Porque, digamos, se as crianças de São José dos Campos viajarem até Jacareí, Taubaté, ou Caçapava, a menos de meia hora daqui, vão tomar contato com a viadagem da mesma forma. Uma lei municipal não as protegeria por completo.

A lei federal poderia resolver tudo em duas linhas: "Declara-se extinta a homossexualidade no Brasil. Revogam-se as disposições em contrário." Pronto, fim do problema. E com leis semelhantes poderíamos extinguir a pobreza, a desigualdade social, e a violência. Como estes pastores conseguem ser tão burros?!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Padaria

As pessoas sempre me perguntam sobre palavras e expressões de difícil tradução para outras línguas. Imaginam que um tradutor sempre vai recorrer à batida "saudade", palavra tão erroneamente propapalada por poetas e românticos como exclusividade da língua portuguesa.

Eu acho que uma das palavras mais difíceis de se traduzir para qualquer outro idioma é "padaria". Principalmente nos últimos dez anos, esta famosa instituição brasileira passou por um processo de re-engenharia sem precedentes em qualquer outro ramo comercial e sem correspondente em qualquer outro país.

Ainda é possível ver uma ou outra padaria antiga em alguns pontos da cidade, mas a maioria já tratou de se transformar nesta nova casa dos novos tempos onde é possível tomar um café da manhã completo ou um almoço executivo embora não seja um restaurante, comprar doces e salgados sofisticados embora não seja uma doceria, fazer um lanche a qualquer hora do dia embora não seja uma lanchonete, ou tomar uma cerveja na ponta do balcão embora não seja um bar. Nestas novas padarias vende-se até pão!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Os aliados

Ben Cohen, Hudson Taylor, Michael Irvin, Micke Chabala, Nick Youngquest
Eles são famosos, gostosos, e héteros. E além de se dedicarem aos esportes eles têm mais uma coisa em comum: todos se tornaram ativistas na luta contra a homofobia e pelos direitos LGBT. É a estes importantes aliados que a revista americana OUT dedica sua edição atual.

A revista, que traz Michael Irvin na capa, cobre também as relevantes contribuições de Ben Cohen, Hudson Taylor, Mike Chabala e Nick Youngquest. A reportagem pode ser lida a partir daqui, e cada nova página reserva boas surpresas: fotos exclusivas que são um verdadeiro colírio para olhos cansados, entrevistas, vídeos, e cenas descontraídas de bastidores.

Cada uma das histórias traz detalhes reveladores. Como a de Michael Irvin, que descreve o choque quando deparou pela primeira vez com seu irmão mais velho vestido em roupas de mulher. Depois de alguns anos atribulados, envolvimento com drogas, condenações, Michael Irvin amadureceu o suficiente para aceitar o irmão gay e entrar pessoalmente na luta pelo casamento dos homossexuais.
Nick Youngquest







Como eu havia escrito aqui na última quarta-feira, o movimento adquire uma perspectiva totalmente diferente quando é impulsionado pelos aliados héteros. Mal posso esperar para ver quem levantará esta bola aqui no Brasil.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Brasileiros e brasileiras

Está no ar a edição de junho da revista Brasileiros que traz um índice especial sobre a Diversidade (as reportagens podem ser lidas na íntegra aqui). Tem ali um material delicioso para se sentar e ler com calma na hora do recreio.

Em Sob os Holofotes a revista relembra a reportagem de capa da IstoÉ de 33 anos atrás sobre a homossexualidade, que rendeu aos jornalistas uma intimação da Justiça com ameaça de prisão por "fazer apologia de comportamento desviante, anormal e obsceno".

Muita coisa mudou de lá pra cá, muita coisa está em transição, e muita coisa ainda vai mudar. O texto de Guilherme Lacombe, Assim Foi Comigo, é um depoimento com o qual é impossível não se identificar. Fiquei emocionado. É incrível como todos temos tanta coisa em comum em nossas trajetórias.

A revista comenta também a recente decisão do STF e traz análises dos ministros Marco Aurélio Mello e Joaquim Barbosa sobre as repercussões do julgamento.

O amigo Marcos Guinoza, que escreve o blog O Idiota Feliz!, contribuiu nesta edição com uma excelente análise do famigerado kit anti-homofobia do governo.

A hora do recreio nunca esteve tão animada.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O preconceito e o chifre

O preconceito e o chifre têm algo em comum. Tanto um quanto o outro são coisas que colocam na cabeça da gente. Eles não nascem com a pessoa.

Por isso, explicar sobre o casamento de dois homens para um garoto de 4 anos de idade é a coisa mais fácil do mundo. A cabecinha de um garoto desta idade ainda não foi envenenada pela maldade da sociedade hipócrita.

Serve como uma verdadeira lição o vídeo deste garoto tendo seu primeiro contato com um casal gay. Em pouco mais de um minuto ele expressa surpresa pela novidade, assimila o fato, conclui que se os dois maridos estão juntos é porque se amam, comenta que eles são parecidos, e volta para brincar com os amiguinhos - não sem antes convidar para a brincadeira seus novos amigos gays. É fofo demais!

"...A husband's a boy! (Right). The wife is a boy and the husband is a boy. Then you two are husbands! Husbands are boys. (So, if you're a boy...) You'll be a husband. (Right). (Yeah, we're both husbands). You're both husbands? You married each other? That's funny. (It's funny, right?). I usually see husbands and wives, but this is THE VERY FIRST TIME I saw husbands and husbands! (Ha, ha, ha). So funny. SO, THAT MEANS YOU LOVE EACH OTHER! (Yeah). You're much alike. You're much alike. I'm gonna play ping pong now. (OK). You can play if you want to."

Paraty Flip Flop

Paraty é uma cidade linda. Mágica. Quem ainda não teve a oportunidade de passar por lá deveria programar uma visita urgente.

A FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty é uma sacada fantástica, e a cidade merece mesmo um evento desta natureza, com a presença de tantos nomes internacionais ilustres que a colocam sob os olhos do mundo durante estes poucos dias. Mas o mais divertido da festa é a guerra de egos e as declarações excêntricas que normalmente só fazem sentido para quem as dizem.

Escritores são, via de regra, seres tímidos. Preferem dividir seus pensamentos com a caneta ou a máquina de escrever. Não são normalmente pessoas de grande oratória. Produzem frases maravilhosas cuidadosamente lapidadas ao longo de meses, mas não costumam ser grande coisa quando é preciso falar de improviso. Da FLIP costumam sair frases dignas de uma masturbação mental inconsequente, coisa de quem parece que não tem contas para pagar no final do mês. Sou obrigado a concordar com o escritor João Ubaldo Ribeiro, que durante a festa soltou "acho papo literário uma coisa muito chata".

domingo, 10 de julho de 2011

Brett Dennen


Difícil acreditar que este garoto de cabelos cor-de-fogo com cara de adolescente já tem 31 anos. Brett Dennen é da California, dedicou-se à música a vida toda, e é um dos criadores do The Mosaic Project que leva educação musical a crianças de baixa renda.

Sua voz especial destaca-se logo na primeira sílaba de qualquer música. Brett Dennen tem sido convidado por grandes artistas para duetos que resultaram deliciosos, como Heaven (com Natalie Merchant) e Long Road To Forgiveness (com Jason Mraz).

Brett Dennen - Ain't Gonna Lose You:

O reconhecimento vem desde 2004, quando Ain't No Reason chamou a atenção de uma forma muito especial. A música questiona a classe média conformada, que vive "wearing paychecks like necklaces and bracelets" sem forças para mudar a hipocrisia e a mediocridade de sua própria existência.

sábado, 9 de julho de 2011

A susanboylização de Sinead o'Connor

Sinead O'Connor reapareceu na semana passada e deu um susto em todo mundo. Não é por ela ter envelhecido. Julie Christie está com 70 anos e continua lindíssima e charmosa. Não é por ela ter engordado. Adele é cheinha e esbanja sedução. É por ela ter se desglamourizado, ter aparecido com esta cara de dona-de-casa de subúrbio na fila do Walmart.

O glamour é um dos ingredientes do mito da celebridade. Talvez a Madonna acorde e ande pela casa toda descabelada com camiseta velha furada e sem escovar os dentes, mas a gente prefere acreditar que ela acorda linda, cheirosa, penteada, maquiada e bem vestida tomando champanhe. Imaginar que a rainha Elizabeth acorda sem dentadura e com a cara toda amassada é um pensamento terrível. É preciso imaginar a rainha Elizabeth usando coroa até no banheiro. É preciso esquecer o lado humano das celebridades para que a ilusão possa funcionar. O mundo perde metade de seu charme se destruírem o mito das celebridades.

Sinead O'Connor está com 44 anos. Ela era linda, tinha um jeito de mistério, era controversa e polêmica, rasgou uma foto do papa em um programa americano ao vivo, declarou-se publicamente lésbica e depois desmentiu-se, foi ordenada sacerdotisa da Igreja Católica e Apostólica Ortodoxa da Irlanda, tem transtorno bipolar, já tentou o suicídio. Ela não tinha o direito de virar a Susan Boyle.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O bicho homem, este estranho

Que homens e mulheres vieram de planetas diferentes não resta a menor dúvida. As diferenças vêm sendo amenizadas pelos séculos de convívio e pelas convenções sociais, mas vez ou outra ainda podemos ver um destes dois bichos inteiramente à vontade com seus modos que datam de antes da integração. Como neste comercial norueguês premiado em Cannes este ano, que mostra um típico banho do bicho homem. As mulheres vão ficar horrorizadas.

Culpa do frio

Para todo lado que eu viro, da fila do banco ao chuveiro da academia, todo mundo está reclamando do frio. Até parece que nunca na história deste país fez tanto frio antes. Daqui a pouco chega o verão e todos começam a reclamar do calor na mesma proporção.

Eu só tenho duas reclamações em relação ao frio. Primeiro, a fome avassaladora que me ataca. Segundo, a humilhação a que muitos donos de cachorros submetem seus animaizinhos de estimação. Ninguém merece, nem uma coisa nem outra.

No sábado passado saímos para uma pizza no Armazém da Pizza. O lugar é uma delícia e dá pra pedir qualquer pizza de olhos fechados. Tem pizza de abobrinha refogada no azeite italiano, de brócolis refogado no alho com azeite espanhol, pizza com lascas de presunto de Parma, e outras tentações irresistíveis. Já reparou como todo prato que tem "iscas" e "lascas" na descrição fica automaticamente mais sofisticado? O pior é que algumas horas depois de ter comido uma pizza cheia de iscas e lascas eu estava de volta em casa e com vontade de jantar. Culpa do frio.

Agora, esta humilhação dos pobres cachorrinhos é algo que deveria ser proibido pela associação de proteção dos animais. Estes cachorros vão precisar de anos de terapia para se livrar deste trauma. Minha vizinha tem um cachorrão chamado Brutus que ontem estava usando uma roupinha ridícula de bolinhas vermelhas. A cara de resignação do cachorro era de dar dó. A verdade é que a roupinha estava muito "veadinha" para aquele cachorrão. Não ornou. De novo, culpa do frio.

Nosso mundo?

41 segundos que certamente vão fazer você ficar pensando por várias horas...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A dama de ferro


Este é o primeiro trailer de A Dama de Ferro que mostra Meryl Streep interpretando Margaret Thatcher. O trailer faz suspense até mostrar o que todos estão curiosos para ver: Meryl Streep na pele da primeira ministra. Por este trailer é possível comprovar mais uma vez algo que eu digo há tempos: Meryl Streep não é uma grande atriz, porque Meryl Streep não atua. Ela "encarna" o personagem, vira a pessoa que ela está interpretando. É um caso óbvio e incontestável de possessão. Em A Escolha de Sofia eu já desconfiava disto - em A Mulher do Tenente Francês eu tive a certeza. Meryl Streep é a única pessoa que eu sei que consegue virar outra pessoa de forma tão completa. Vai ser uma covardia com as outras atrizes que disputarão o Oscar com ela no ano que vem.

Para quem não se lembrava mais da Margaret Thatcher habitando aquele outro corpo:

Meu cabelo e eu

Ontem eu acordei e sabia, por alguma força cósmica inexplicável, que tinha que cortar o cabelo - embora no dia anterior eu nem tivesse pensado nisto. É como se meu cabelo tivesse pedindo. Pedindo não, implorando.

Eu gosto do meu cabelo e sinto que sou correspondido. Nós temos um relacionamento sensacional. Conheço muita gente que vive numa eterna relação de amor e ódio com os cabelos. Além disto, a maioria das pessoas que eu conheço programa os cortes de cabelo com antecedência. O Mr. Ed, por exemplo, corta pelo calendário lunar e já tem todas as datas programadas até o final do ano. Os meus cortes, ao contrário, são sempre movidos por impulso, são decididos normalmente na primeira olhada no espelho pela manhã. Como ontem. Eu bato o olho e é como se pressentisse que se não cortar o cabelo algo terrível pode acontecer.

Eu corto o cabelo uma média de duas vezes ao mês. Já tive cortes de cabelo desastrosos mas meu cabelo cresce depressa e qualquer desastre logo desaparece, então nunca esquentei a cabeça com isto. Para mim, um homem tem que estar com o pezinho do cabelo sempre bem feito. Eu reparo. Vejo muita gente fina, moderna e bem vestida com pezinho do cabelo mal feito. Acho um horror!

Eu gosto de cortar o cabelo. Saio do salão sempre me sentindo mais leve. Como se tivesse tirado um peso da cabeça. O que talvez seja verdade, literalmente.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O direito dos outros


Nos países onde a luta pelos direitos dos homossexuais está em estágio mais avançado os héteros também já aderiram à luta. Lá eles já superaram o receio de ser confundidos com gays.

O trabalho de Hudson Taylor e Ben Cohen (aqui) é um ótimo exemplo deste engajamento nos Estados Unidos. Os vídeos produzidos por equipes esportivas e grandes nomes do show business para o projeto It Gets Better é outro.

Agora existe também o projeto Straight But Not Narrow. O nome faz um trocadilho com os significados duplos de straight (reto / hétero) e narrow (estreito / tacanho, preconceituoso) e pode ser traduzido mais ou menos por Hétero Sim, Preconceituoso Não. O espaço é aberto para "homens falando para homens sobre homens que gostam de homens" e acaba de ganhar o apoio de Cory Monteith, o Finn de Glee. Por outro lado, pais, irmãos, e amigos de homossexuais entram cada vez mais na luta para defender os direitos de seus entes queridos.

No Brasil a batalha ainda é desafiadora, mas não a ponto de desanimar. Tudo tem seu tempo. O movimento certamente vai ganhar mais força quando virmos desfilando pela Avenida Paulista não um grupo de gays exigindo seus direitos, mas um grupo de héteros brigando pelos direitos dos seus amigos e parentes gays. Ou quando desembarcar em Brasília um grupo de mães zelosas de homossexuais exigindo os direitos de seus filhos. Afinal, não existe na Natureza força mais avassaladora que a determinação de uma mãe brigando pela felicidade de um filho.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Quem vê mão vê pinto?

De tempos em tempos aparece algum novo estudo associando o comprimento do pinto do homem a outras características de seu corpo. E o mundo todo ferve de comoção. Mas até agora ainda não consegui ver nenhuma utilidade para alguém que tivesse a habilidade de ficar parado em uma esquina adivinhando o tamanho do pinto de todo mundo só pela análise do pescoço, da cabeça, ou das mãos.

A pesquisa mais recente foi publicada ontem no Asian Journal of Andrology. Eu não li o artigo original, mas já deu pra perceber que na pressa de querer falar sobre pinto, que sempre dá ibope, muitos jornalistas meteram o pinto, digo, meteram os pés pelas mãos. A reportagem do caderno de ciência do IG (aqui) diz que o estudo comprovou que quanto menor o dedo indicador em relação ao anelar, maior o pinto. Já a notícia publicada pelo Los Angeles Times (aqui) fala que quanto menor a divisão dos comprimentos dos dois dedos, maior o pinto. Talvez estejam dizendo a mesma coisa, sei lá, mas para mim pareceu o contrário. Só sei que da próxima vez que um cara estender a mão para me cumprimentar eu vou ter que segurar o riso porque certamente vou ficar pensando besteira.

De tudo que falam sobre tamanho de pinto eu só tenho certeza de duas coisas. Os homens de pinto grande normalmente têm mais autoconfiança. E mais fãs na sauna e no chuveiro da academia.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Preconceito de homofóbico o faz chafurdar no ódio

A frase do título é do ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, em entrevista publicada hoje na Folha de S. Paulo (aqui para assinantes Folha e UOL). Na entrevista o ministro defende publicamente a criminalização da homofobia e esclarece sobre a interpretação do STF que permitiu a equiparação das uniões estáveis homoafetivas às uniões heteroafetivas.

Alguns trechos da entrevista são dignos de nota:

Miguel Roncato
"Se nós, os homens, engravidássemos, a autorização para a interrupção da gravidez de feto anencéfalo estaria normatizada desde sempre".
...
"...no caso da homoafetividade, interpretamos os artigos da Constituição na matéria à luz de princípios como igualdade, liberdade, combate ao preconceito e pluralismo."
...
"A isonomia entre uniões estáveis heteroafetivas e homoafetivas é para todos os fins e efeitos. Em linha de princípio, é isso. Assim foi pedido pela Procuradoria-Geral da República quando propôs a ação. Não pode haver legislação infraconstitucional, parece evidente, que amesquinhe ou nulifique essa isonomia."
...
"A decisão foi claramente no sentido da igualdade de situações entre os parceiros do mesmo sexo e casais de sexos diferentes."
...
"O homofóbico exacerba tanto o seu preconceito que o faz chafurdar no lamaçal do ódio."


É bastante oportuno que o debate sobre a criminalização da homofobia volte aos holofotes. A novela Insensato Coração, que tem batido recordes de audiência nesta reta final, mostrará nos próximos dias um ataque homofóbico que vai terminar em morte. A vítima não será nenhum dos personagens atualmente na trama, mas um rapaz novo que será interpretado por Miguel Roncato (que interpretou o italianinho com cabelo ruivo em Passione). Miguel Roncato transmite a fragilidade e a doçura necessárias para o personagem ganhar a simpatia dos espectadores e fazer com que a mensagem contra a homofobia seja eficiente.

domingo, 3 de julho de 2011

Hoje eu tô bandida!


Há muito que a TV perdeu a capacidade de me fazer rir. Adoro Tapas & Beijos, talvez a única exceção que me faz divertir horrores, mas todo o resto dos programas de humor, incluindo os novos A Mulher Invisível e Macho Man, eu acho de uma sem-gracice quase constrangedora.

Por isso foi uma delícia topar com o quadro novo protagonizado pela dupla Rodrigo Sant'Ana e Thalita Carauta. Rodrigo faz Valéria, ex-Valdemar, uma transexual vadia que dialoga com uma amiga sem-noção em um vagão do metrô. A caracterização é hilária e o comediante está perfeito no maneirismo, no figurino, e principalmente na afetação.

O mais irônico é o quadro estar dentro do Zorra Total, um programa que teima em continuar se apoiando em uma estrutura humorística dos anos 70 que já está cansada e ultrapassada. Às vezes eu tenho a impressão que vão entrar a Célia Biar e o Ted Boy Marino e anunciar: "balança... balança... balança, mas não cai!" Já a Valéria do Rodrigo Sant'Ana é a cara dos dias de hoje.

sábado, 2 de julho de 2011

Neil Halstead

Quando perguntaram a Neil Halstead como ele classificaria sua própria música ele respondeu que fazia rock de nylon.  Esta expressão que não significa nada pode ser mesmo uma boa resposta à tentativa de se querer classificar tudo. Aos 40 anos de idade, este inglês de barba espessa e olhos azuis está mais interessado em curtir a vida e fazer as coisas que gosta. Não é à toa que desde 2007 ele é contratado do selo Brushfire Records, do Jack Johnson, que reúne um seleto grupo de artistas que não perdeu o gosto pelas coisas simples da vida e que se especializaram em fazer música que parece pedir para dançar com o ouvido da gente.

Neil Halstead - Hi-Lo And Inbetween:

Eu aceito me casar com você. E agora?

Chris Hughes - um dos fundadores do facebook, e seu noivo Sean Eldridge.
O pedido foi feito de joelhos durante uma viagem de férias à Tailândia e
o "sim" veio na hora. Agora o casal planeja o grande dia.
A recente aprovação do casamento em Nova York veio aquecer a economia local em bom momento. Foi dada a largada para uma corrida de organização de grandes festas que envolvem muito planejamento, restaurantes, bufês, hotéis, ternos, vestidos, sapatos, flores, decoração, viagens, hospedagens. A euforia no comércio já começa a deixar os estados vizinhos com uma pontinha de inveja - afinal, a economia dos Estados Unidos não anda lá estas coisas.

O New York Times destacou ontem (reportagem aqui) o sentimento eufórico que está tomando conta de alguns casais que estavam há anos esperando a oportunidade de fazer um casamento típico de cena de cinema. Bill White, ex-presidente do Intrepid Sea, Air Museum já recebeu o "sim" do noivo Bryan Eure e já começou a maratona da busca de um celebrante, um local, convites, tudo que têm direito e mais um pouco. Muitos lugares só conseguem confirmar reservas para depois de outubro devido ao grande fluxo de confirmações que vieram na euforia dos dias que se seguiram à aprovação da lei. O Hotel Plaza só tem disponibilidade para o ano que vem. Segundo especialistas, Nova York deve se tornar a Las Vegas dos casamentos gays.

Sem perder tempo, Vincent Iaropoli - supervisor de mídia de uma firma de publicidade, Paul Vinci - que trabalha em uma seguradora, Susan Sampliner - empresária da peça "Wicked", e Chris Hughes - um dos fundadores do facebook, já começaram os planejamentos para atarem o nó com seus noivos. Há no ar um sentimento que a cerimônia tem que compensar a espera que parece ter durado uma vida inteira. Mais do que casamentos, nos próximos meses veremos festas que celebrarão a conquista de uma luta que custou muito suor e muitas vidas.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O Muque de Peão faz um ano


O Muque de Peão está completando um aninho hoje. Se eu pudesse escolher um presente eu queria o Julián Jil assim dentro de uma cesta de vime. OK, eu sei que não é fácil, então pode ser sem a cesta mesmo.

É muito legal olhar para trás e ver como o mundo mudou neste ano, e mudou para melhor apesar de às vezes a gente ter a impressão que não. Há um ano ninguém sabia quem era Bolsonaro e todos pensavam que a Myriam Rios já estava morta. Mas olhem pelo lado bom: há um ano também ninguém imaginava que o STF pudesse dar uma sambada tão bonita na cara daquele circo de horrores que é o nosso Congresso Nacional. Aliás, sempre que vejo alguma coisa do Congresso Nacional na TV eu fico esperando entrar correndo a mulher barbada, o homem que vira Monga - a gorila, e o anão pauzudo.

Eu jamais poderia imaginar que fosse chegar até aqui e que o Muque de Peão fosse tomar este rumo. No começo eu imaginava que fosse usar este espaço para falar dos grandes mistérios que assombram a humanidade, como porquê todo corredor de Fórmula Um fala fino, porquê todo guarda rodoviário usa calça tão justa, ou como várias mulheres conseguem passar uma tarde inteira falando sobre cores de esmalte. Mas a gente começa e depois parece que o blog ganha vida própria. E - eu sei que é duro para um pai admitir isto - o Muque de Peão começou a desenvolver tendências homossexuais.

Este blog tem sido um porto onde eu consigo ancorar pensamentos que estavam à deriva dentro da minha cabeça. Tem sido uma delícia conhecer tanta gente legal e espero que o círculo continue crescendo. Agradeço a todos que têm tido a paciência de dar uma passadinha por aqui de vez em quando. Eu deveria ter pedido para a dona Isabel fazer um bolo e ter encomendado uns refris, mas como todo mundo vive de regime achei melhor não.

Quanto às tendências homossexuais do Muque de Peão, não tenho nada contra. Só não quero que ele sofra. Mas estive olhando a lista de blogs recomendados e cheguei a uma conclusão: são as companhias!!