segunda-feira, 7 de março de 2011

O ritual

Dá pra acreditar que já se passaram 37 anos desde que Linda Blair virou o pescoço e vomitou verde deixando todo mundo com o cu na mão em O Exorcista? Ainda me lembro da comoção que o filme causou na época e de como eu fiquei uns 3 dias dormindo com a luz do quarto acesa.

Se há um tipo de filme que me mete muito medo são os filme do sobrenatural. Possessão demoníaca, gente virando os olhos e falando com voz tenebrosa. Adoro! Mas morro de medo, nunca vejo se estou só.

O Ritual (The Rite, 2011) estava sendo vendido como o novo O Exorcista e só a presença de Anthony Hopkins já me motivava bastante a enfrentar o medo. Em Silêncio dos Inocentes ele já me tinha aterrorizado e causado pesadelos - imaginei que colocando seu talento colossal a serviço do diabo o terror fosse se apresentar na sua quinta-essência. Mas eu não poderia estar mais enganado.

A história do padre americano sem fé (o bonitinho Colin O'Donoghue) que vai para Roma fazer um curso de especialização em exorcismo é mostrada com fotografia caprichada. Os interiores das salas, casas, hospitais, bibliotecas - a maioria escolhidos em locações na Hungria - são primorosos e impressionantes. Mas talvez seja este o único ponto positivo do filme além de dar a Anthony Hopkins a oportunidade única de dar uma aula sobre como interpretar um exorcista (no começo) e um possuído (no final). E não estou estragando nenhuma surpresa - tudo isto está no trailer.

Infelizmente, o filme falha no mais importante: não consegue criar clima. A história demora para engrenar e depois mostra a possessão como se fosse algo que se espalha feito gripe. E sem conseguir colocar o espectador no clima nada faz sentido. Os personagens estavam lá virando o pescoço e falando em línguas e eu não conseguia deixar de pensar na lasanha que eu tinha deixado preparadinha para comer depois do filme. Ou será que fui eu que, finalmente, perdi o medo do capeta?

domingo, 6 de março de 2011

A família perfeita

Não sei se este é um fenômeno que está acontecendo só aqui na minha cidade ou se está se espalhando pelo país inteiro como doença contagiosa. Mas, por aqui, onde quer que se olhe no trânsito, os carros cada vez mais ostentam na traseira adesivos que anunciam a conformação da família proprietária.

São figuras representando famílias felizes muitas vezes acompanhadas de cachorros, gatos, e até peixinhos no aquário. Parecem aquelas famílias de comercial de margarina - papai, mamãe e 2,6 filhos vendendo felicidade por todos os poros. É de uma perfeição irritante.

Estou quase me rendendo ao modismo. Ontem finalmente tive um tempinho para sentar e desenhar a minha versão de família perfeita. Talvez eu também a cole na traseira do meu carro e saia por aí. Será que vão gostar do cachorrinho?

sábado, 5 de março de 2011

O porno avô

Japão é um dos países onde mais se consome pornografia (só perde para os Estados Unidos), e que tem a população mais velha do mundo. Então não é supresa que tenha surgido no Japão um novo gênero de filmes adultos: o "elder porn" - algo como pornografia para idosos. Filmes pornográficos onde o velhinho safado sempre acaba comendo a garotinha virgem bobinha. E o rei do elder porn é Shigeo Tokuda, um simpático senhorzinho de 76 anos que só recentemente revelou para a família sua vida dupla de ator pornô. Trabalhando no horário comercial como agente de viagem, nas horas extras Tokuda já participou de mais de 350 filmes pornôs.

Há alguns anos atrás Tokuda sofreu um ataque cardíaco - não durante as filmagens, ele sempre deixa bem claro. No emprego ele foi transferido para um escritório onde não conseguia mais dar suas escapadas para filmar. Foi o fim de sua carreira. Carreira de agente de viagens, bem entendido. Tokuda é agora ator pornô em tempo integral e virou estrela em todo o país. E tem o apoio da esposa, que acha ótimo ele ter algo para fazer nesta idade.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Isto aqui agora virou lugar de boiola?

Ti-ti-ti está em seus capítulos finais, o que significa que está chegando a hora de Julinho (André Arteche) e Thales (Armando Babaioff) pararem de ficar fazendo cu-doce porque ninguém aguenta mais tanta indecisão. Esta fase de não-dá-nem-desce está ficando muito comprida. Mas como Maria Adelaide não costuma dar ponto sem nó, o final promete compensar a espera.

Enquanto isto Insensato Coração começa a engrenar a cruzada contra a homofobia, e já mostrou ontem um primeiro ataque homofóbico do personagem Kléber (Cássio Gabus Mendes) que entra em um bar, vê alguns gays e já solta "Isto aqui agora virou lugar de boiola, hein?!"

A cena foi bastante didática, terminando com um discurso do personagem Roni (Leonardo Miggiorin). Achei que tudo ficou em um tom assim meio institucional sala-de-aula, mas a mensagem foi muito boa e a oportunidade também. Principalmente considerando que havia milhões de bofes da seita do Marcelo Dourado assistindo à novela enquanto esperavam pelo futebol de quarta-feira que começou dez minutos depois.

(Se o seu browser não reproduzir o vídeo, a cena pode ser vista aqui).


A fábrica de sonhos

Annie Leibovitz tem sido notícia nos últimos anos mais pelos seus apuros financeiros do que pelas suas belas fotografias. Mas isto não impediu que ela retomasse o projeto de fotos dos clássicos da Disney com celebridades iniciado em 2007. Na foto que ilustra esta postagem Jeff Bridges e Penelope Cruz em cena de A Bela e a Fera.

Na foto menor, Olivia Wilde (de Tron) vira a Rainha Má de Branca de Neve, com Alec Baldwin fazendo o espelho mágico. O projeto inclui também uma foto inspirada de Queen Latifah como Ursula de A Pequena Sereia.

A ideia de juntar Hollywood com contos de fadas é mais velha do que andar para trás, mas sempre funciona. As verdadeiras fábricas de sonhos são as nossas mentes. Só precisam de um empurrãozinho.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Os misóginos

Com o mesmo título desta postagem o Tony publicou um artigo brilhante no UOL hoje sobre a aversão a mulheres demonstrada por alguns dos participantes do Big Brother. Rapazes fortes, sarados e machões que provavelmente não são gays, mas que não gostam de mulheres. Tenho certeza que muita gente deve ter achado estranho, alguns talvez até absurdo, por não se darem conta que a misoginia é um sentimento de raízes profundas entranhado na nossa própria cultura. Como outros tipos de preconceito.

Embora nas Américas, na Europa e na Oceania muitas mulheres gozem de liberdade e tenham alcançado posições de poder (nossa presidente é mulher!), em quase todo o restante do mundo a mulher ainda é um ser inferior. E mesmo por aqui algumas mulheres ainda não aprenderam a usar a independência que conquistaram e acabam inconscientemente se infantilizando ou se objectificando para atrair a atenção dos homens.

Embora possa existir muita misoginia também entre os gays, acho que não existe grupo entre os homens para melhor entender as mulheres. Em geral os gays conhecem tão bem as mulheres - para se esquivarem de investidas ou para oferecer solidariedade - que são capazes de se tornarem grandes amigos delas como nenhum hétero consegue. Conhecem-nas tão bem que as enxergam por uma ótica absolutamente diferenciada. O papo de dois gays sobre uma mulher é capaz de revelar perspectivas da mulher que são completamente invisíveis para os homens héteros ou para as próprias mulheres.

Quando eu trabalhava na Arábia, conheci um rapaz saudita em um treinamento que estava radiante com o nascimento do primeiro filho, que seria naquela semana. Eles normalmente não falam nada de esposa, família ou filhos - é muito raro alguém fazer algum comentário sobre a intimidade doméstica. Dois dias depois o rapaz chegou completamente arrasado e todos pensamos que havia acontecido algo de muito trágico no parto da esposa dele. E aconteceu mesmo. A criança era do sexo feminino. O assunto virou tabu e ninguém mais falou sobre isto. Eles ainda vivem uma sociedade de casamentos arranjados, dotes, mulheres tratadas como mercadoria, homens que só convivem com homens embora possam ter até quatro esposas. Eles ririam se alguém falasse de misoginia - para eles, esta é a regra.

terça-feira, 1 de março de 2011

Bromance antigo

Muitos perderam a transmissão da entrega do Oscar no último domingo à noite porque, sentados à frente da TV até as 3 da manhã, não perceberam que já tinha começado. Difícil de acreditar que aquele programa chocho era o show esperado durante um ano todo.

Já os bastidores e a ação no palco parecem ter sido muito mais interessantes do que mostrou a transmissão, como comprova este animado beijo de Javier Bardem e Josh Brolin.



E não adianta dizer que isto é fogo de palha. É bromance antigo mesmo. Como mostram estas fotos do Oscar de 2008.

Laurent Ghilain e Peter Meurrens são gente que faz

O casal Laurent Ghilain e Peter Meurrens, de nacionalidade belga e que moram no sul da França, finalmente puderam chegar ao tão esperado final feliz após dois anos de separação do filho recém-nascido. O garoto foi concebido por uma mãe contratada em Kiev, e depois teve o passaporte negado pela Embaixada da Bélgica devido a indefinições na legislação belga sobre barrigas de aluguel.

Após dois anos mantido em Kiev, o pequeno Samuel pode finalmente se reencontrar com seus pais. Laurent,  Peter e Samuel formam uma família linda, e o vídeo do casal junto do filho é de emocionar - mesmo para quem não fala francês e não entende uma palavra do que está sendo dito. O amor não tem idioma.