Dá pra acreditar que já se passaram 37 anos desde que Linda Blair virou o pescoço e vomitou verde deixando todo mundo com o cu na mão em O Exorcista? Ainda me lembro da comoção que o filme causou na época e de como eu fiquei uns 3 dias dormindo com a luz do quarto acesa.
Se há um tipo de filme que me mete muito medo são os filme do sobrenatural. Possessão demoníaca, gente virando os olhos e falando com voz tenebrosa. Adoro! Mas morro de medo, nunca vejo se estou só.
O Ritual (The Rite, 2011) estava sendo vendido como o novo O Exorcista e só a presença de Anthony Hopkins já me motivava bastante a enfrentar o medo. Em Silêncio dos Inocentes ele já me tinha aterrorizado e causado pesadelos - imaginei que colocando seu talento colossal a serviço do diabo o terror fosse se apresentar na sua quinta-essência. Mas eu não poderia estar mais enganado.A história do padre americano sem fé (o bonitinho Colin O'Donoghue) que vai para Roma fazer um curso de especialização em exorcismo é mostrada com fotografia caprichada. Os interiores das salas, casas, hospitais, bibliotecas - a maioria escolhidos em locações na Hungria - são primorosos e impressionantes. Mas talvez seja este o único ponto positivo do filme além de dar a Anthony Hopkins a oportunidade única de dar uma aula sobre como interpretar um exorcista (no começo) e um possuído (no final). E não estou estragando nenhuma surpresa - tudo isto está no trailer.
Infelizmente, o filme falha no mais importante: não consegue criar clima. A história demora para engrenar e depois mostra a possessão como se fosse algo que se espalha feito gripe. E sem conseguir colocar o espectador no clima nada faz sentido. Os personagens estavam lá virando o pescoço e falando em línguas e eu não conseguia deixar de pensar na lasanha que eu tinha deixado preparadinha para comer depois do filme. Ou será que fui eu que, finalmente, perdi o medo do capeta?










