sexta-feira, 6 de abril de 2012

Espelho, espelho meu


Quando vi o trailer de Espelho, Espelho Meu pela primeira vez imaginei que o filme teria uma pegada diferente para atrair adultos. Mas, não; o filme é voltado para a diversão infantil mesmo. Para ficar um pouquinho mais interessante e palatável para as mentes inquietas da petizada de hoje alguns ingredientes extras foram incluídos, como o visual estonteante dos figurinos e cenários que realmente parecem saídos de um conto de fadas, um príncipe aparvalhado que passa grande parte do tempo sem camisa mostrando o corpinho (em uma cena a rainha má Julia Roberts chega a dizer "alguém arruma uma camisa para o principe porque eu não estou conseguindo me concentrar"), uma Branca de Neve que não passa de uma mosca-morta mas ganha vida no decorrer da história, e sete anões com cara de tarados que roubam as cenas em que aparecem.

Mesmo para a garotada a história chega a ficar meio chatinha em alguns pontos, mas nada que não seja suportável até a próxima piadinha infame. O diretor indiano Tarsem Singh não nega as origens e durante os créditos finais transforma a festa de casamento da princesa em um animado musical de Bollywood. E quem prestar atenção aos créditos finais vai ver que o filme é carinhosamente dedicado à figurinista japonesa Eiko Ishioka, responsável pelos figurinos exuberantes do filme, que faleceu em janeiro último. Resumindo tudo em uma linha, o filme deve fazer sucesso nas sessões da tarde das TVs nos próximos anos.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O olhar do demônio


Eu senti um arrepio na espinha hoje de manhã ao ver nos jornais a foto do assassino Charles Manson divulgada pela polícia americana. Ele está hoje com 77 anos, internado há décadas em uma prisão de segurança máxima, e nenhuma foto dele havia sido publicada até então.

O primeiro livro que eu li diretamente em inglês foi Helter Skelter, no começo dos anos 80. São quase 700 páginas de um relato tão bem escrito que a gente mal consegue piscar. O livro conta toda a investigação e o processo do assassinato da atriz Sharon Tate, casada na época com o diretor Roman Polanski. Sharon Tate foi assassinada em casa juntamente com outras quatro pessoas que a visitavam. Ela estava grávida de oito meses e meio e os assassinos lhe deixaram um garfo enfiado na barriga depois de a terem matado e comido a comida que ela servia aos convidados. Uma das descrições mais pavorosas que já li em toda a minha vida.

Charles Manson era o mentor deste grupo que cometeu vários crimes no final dos anos 60. Viviam todos juntos e se chamavam de "família Manson". Charles Manson se julgava uma reincarnação de Jesus Cristo, ouvia vozes transmitindo-lhe ordens sobre o quê fazer, e tinha uma personalidade carismática que arrastava os fracos sem muito esforço. O livro é fartamente ilustrado e durante muitos meses eu não consegui tirar da cabeça o olhar de demônio deste homem. O meu susto foi constatar que a pele ficou flácida e envelhecida, os cabelos ficaram brancos, mas o olhar de demônio não envelheceu um só dia.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A bruxa está solta

Agora é oficial. Carmen Lúcia Moreira de Souza, vulgo Carminha, personagem de Adriana Esteves em Avenida Brasil, é a nova bruxa mór do reino encantado da teledramaturgia nacional. Durante esta semana o autor escreveu uma fala ótima para ela destilar seu veneno na filhinha de pouco mais de onze anos de idade: "Filha, você já não é bonita, e ainda bota um vestido horroroso destes?". Agora a filhinha já pode tranquilamente crescer e se tornar uma assassina serial ou uma drogada - isto se não se matar na adolescência.

Mães bruxas podem parecer personagens exclusivos da ficção, mas não são. Lembro-me da primeira conversa com uma mãe de aluno na minha encarnação como professor. Eu, meio apreensivo por ter que reclamar de um garoto impermeável ao aprendizado, escuto a mãe dizer "eu sempre achei ele meio burrinho também". Pois é, a novela das nove também imita a vida.

Acidente?

O entendimento do STJ que a embriaguez no trânsito só pode ser comprovada com o uso do bafômetro parece ir contra a tendência natural de construção de uma sociedade menos sujeita aos erros de alguns poucos. Dizem alguns juristas que a culpa é das leis mal escritas. Temos um código muitíssimo mal redigido, capenga mesmo, resultante de emendas que vão sendo agregadas e anexadas e juntadas para atender a interesses de parlamentares e partidos.

Por isto eu acho bacana iniciativas como a da campanha Não Foi Acidente!. Só mesmo quem tem o hábito de voltar dirigindo bêbado para casa não apoiaria uma causa destas, e estes só vão mesmo mudar quando perderem um amigo ou familiar em um acidente provocado por um motorista bêbado. E aí vão entender, mas será tarde demais.

terça-feira, 3 de abril de 2012

O artista

Assisti ontem a O Artista. Achei criativo, interessante, bonitinho. A história é tão simplesinha que chega a ser ingênua. É interessante como a ausência de diálogos falados dá uma sensação de angústia no início, talvez porque vivamos em um mundo muito barulhento e em um tempo em que estamos acostumados a ser bombardeados por vozes vindo de todas as direções. A voz humana, ao mesmo tempo que pode ser extremamente agradável, pode também ser um dos sons mais irritantes do universo.

Mas, sinceramente, não entendi o sentido de presentear o filme com o prêmio máximo de Hollywood. A mensagem de que precisamos olhar para as origens não faz sentido. A evolução tecnológica que trouxe a cor, o som, os efeitos especiais, os novos formatos de tela, o 3D, é um fator positivo que deve ser comemorado e não desdenhado. Se o cinema está em crise de identidade ou se existem muitos filmes medíocres hoje em dia, a culpa não é da tecnologia. Há filmes bons e ruins de todas as épocas e de todas as faixas de orçamento.

Além disso, não acho necessário fazer um filme com cara de anos 30 para forçar a reflexão. Há dezenas de filmes bons originais daquela época. O Oscar de melhor filme para O Artista faz tanto sentido quanto dar para uma caverna o prêmio de arquitetura do ano só para lembrar como tudo começou.

Lembrei-me de 2008 quando a Academia desdenhou Avatar e premiou Guerra ao Terror, um filme menor que ninguém viu e ninguém gostou.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Becoming Me


Ainda estou sem chão depois de assistir a este programa excelente que foi ao ar ontem na televisão americana sobre crianças transexuais. Eu imagino que um dos maiores horrores da vida seja estar preso em um corpo do sexo oposto. Você já parou para pensar o que sentiria, independente de ser hétero ou gay, ao se despir agora e descobrir que seu corpo se transformou no sexo oposto mas a sua cabeça continua a mesma?

As crianças retratadas no programa parecem absolutamente em paz e acho que ninguém diria que são transexuais se o programa não o apontasse. Por sorte estas crianças convivem com pais maravilhosos que estão conseguindo fazer com que elas cresçam sem traumas. Espero que logo o vídeo seja legendado para que quem não fale inglês possa assisti-lo e se surpreender, como eu me surpreendi. Acima de tudo, é uma mensagem forte do amor incondicional de pais pelos filhos.

domingo, 1 de abril de 2012

Jogos Vorazes

Qualquer pessoa que se senta no cinema para assistir a um filme está assinando um acordo tácito com os realizadores aceitando abrir sua mente e se deixar convencer de uma plausibilidade construída para aquele filme. É isto que nos faz concordar que um homem pode voar e ter superpoderes, que vampiros existem, que o amor entre os protagonistas é real, que o sofrimento da mocinha é autêntico, que o vilão é mau. É o que nos faz embarcar na história, torcer, sofrer, chorar.

Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012) não funcionou para mim. Falhou em construir na minha cabeça a plausibilidade que me faria aceitar a história. Logo nos primeiros segundos, quando os letreiros explicam sobre os jogos anuais em que cada distrito sacrifica um casal, minha mente disparou uma campainha "Que ideia mais ridícula!". Esta resistência não me deixou embarcar na história por mais que eu tentasse.

Para piorar, não consegui odiar os vilões. Para mim o vilão era o sistema e não os outros jovens concorrentes. Senti pelos outros jovens o mesmo que senti pelo casal protagonista e não consegui me posicionar a favor de ninguém.

Uma pena. Devo ser a única criatura na superfície da Terra que não embarcou na onda dos jogos da fome. Tecnicamente o filme é muitíssimo bem feito, tem atores carismáticos, muita aventura, muito suspense. Mas quando a gente está pouco se importando com o destino dos protagonistas tudo perde a graça. 

Ricky Ricky Ricky

Eu gosto muito do Ricky Martin. Mas quando li que ele tinha feito um ensaio com nu frontal para a DNA australiana fiquei meio apreensivo. Justo neste momento que ele estreia nos palcos de Nova York e posa de paizão família com o maridão e os filhos, achei meio fora de hora.

Mas parece que o Ricky Martin consegue derreter qualquer insinuação de mau gosto com este big sorriso que só ele tem. As fotos (aqui) estão um luxo só - a perfeita combinação de sexualidade latina, tesão e falso recato.