terça-feira, 20 de novembro de 2012

Curta!


Irlanda do Norte, Austrália, França, Estados Unidos, e Canadá são os países de origem destes seis curta metragens que - como diz a reportagem da Out - todo homem gay deveria ter assistido antes de crescer. A forma como a homossexualidade é descoberta na infância vai praticamente determinar como tudo vai acontecer dali pra frente. Na foto, uma cena de Oranges.

domingo, 18 de novembro de 2012

Diversidade


Uma semana depois de ter participado da minha primeira parada gay, ainda estou digerindo a experiência. Eu tinha uma ideia diferente antes - a noção de que era mais importante dar mais visibilidade aos participantes com caras mais convencionais, embora a imprensa sempre preferisse ir atrás dos participantes mais exóticos e chamativos.

Foi quando vi as travestis lindas e exuberantes que percebi que elas representam o ápice do movimento - a ponta do iceberg que fica fora d'água. São elas que mais contribuem para diminuir a sensação de estranheza frente ao diferente, para apresentar a diversidade em sua forma mais clara e sem disfarces. É como em um desfile de moda em que as modelos desfilam roupas extravagantes que ninguém usaria na rua, mas que servem para representar os traços fortes da tendência do autor.

Vi crianças pequenas e famílias querendo ser fotografadas junto delas e sendo atendidas com toda a paciência e educação. Um gesto bonito e cheio de significado, das duas partes. Depois de algumas horas de festa parece que as diferenças tinham desaparecido. Éramos todos só seres humanos.

sábado, 17 de novembro de 2012

Peru com brilhantina

Agora só falta a Tracey Thorn também lançar um álbum de músicas de Natal para este se tornar oficialmente o fim de ano com maior número de lançamentos de discos de músicas de estação de toda a história da indústria fonográfica. Peraí, a Tracey Thorn já lançou o disco natalino no mês passado!

Este Natal da crise já é o mais movimentado no setor de lançamentos de músicas de estação. E a cereja do bolo é o lançamento do CD natalino do John Travolta com a Olivia Newton-John. O disco não escapa do óbvio e assumidamente brega com um setlist bastante previsível (tem Baby, It's Cold Outside, Auld Syne Lang, White Christmas, Silent Night, e I'll Be Home For Christmas entre as treze faixas). A novidade fica por conta da reunião da dupla quase 35 anos depois de Grease - Nos Tempos da Brilhantina transformando as canções de Natal em deliciosos duetos e das participações muito especiais de Barbra Streisand, James Taylor e Tony Bennett. Tradicional, previsível, careta, e inesquecível, como devem ser os Natais.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Casal real


É muito bom sinal o fato de o embaixador da Bélgica Josef Smetz ter feito a apresentação formal de seu marido Cristophe Degraeuwe aos diplomatas durante a cerimônia de posse em Brasília no começo da semana. Eles vivem juntos há mais de três décadas e estão oficialmente casados há 9 anos. A apresentação foi precedida de uma sondagem ao Itamaraty para evitar ferir suscetibilidades - afinal, a especialidade dos diplomatas é exatamente evitar melindres.

O Itamaraty sempre foi das agências mais abertas do governo brasileiro em relação a costumes. Formado normalmente por funcionários de nível intelectual alto e experiência com culturas diversas, o próprio Itamaraty costuma facilitar que funcionários homossexuais transferidos para outros países sejam acompanhados de seus parceiros.

Para mim, a exibição de casais reais como Josef e Cristophe é o melhor argumento que se pode utilizar no combate à homofobia. Já é tempo de no Brasil as celebridades da mídia televisiva também comparecerem aos eventos de mãos dadas com seus cônjuges como já é relativamente comum nos Estados Unidos, e que parem de perder tempo desmentindo rumores óbvios. Dariam grande visibilidade ao sentido de orgulho com um simples gesto, e nem precisariam dizer uma única palavra.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Confissões de um homem suave

É até irônico que na mesma semana em que a Veja publica um artigo homofóbico lamentável, a revista Época traga um artigo agradecendo aos gays por tudo de bom que têm feito pelos homens heterossexuais assinado por Ivan Martins, jornalista e editor-executivo da Época, um homem suave.

 

Homo sapiens

Dos pontos de encontros para homens gays eu sou do tipo que prefere sauna a boate. Não sou da noite, gosto de dormir cedo, prefiro papo a música alta, e não me impressiono por carão em roupinha de grife. Sem contar que na sauna what you see is what you get.

Aqui em Buenos Aires já conheci várias saunas. Todas têm um aspecto decadente como a cidade. Mesmo as que tinham uma cara melhorzinha como a Full Spa estão atualmente gritando por socorro.

Ontem fomos conhecer a Homo Sapiens, na rua Gascón, em um lugar tranquilo de Palermo. Estava super curioso quanto à frequência, que é o que normalmente define a atmosfera do lugar. A Energy Spa, por exemplo, é frequentada por homens mais velhos com cara de casados fazendo arte escondido e a Full Spa é frequentada por garotões sarados que nem te enxergam se você tiver mais do que um grama de gordura no corpo e não tiver sinais de modernidade como brinquinhos e tatuagens.

A Homo Sapiens me surpreendeu pelo ecletismo. É feia na entrada, que mais parece a bilheteria de um cinema velho, e o bilheteiro tem cara de quem já estava morto há algum tempo. Depois atravessa-se umas cortinas de palco vermelhas que dão acesso ao bar. Para quem está chegando pela primeira vez, tudo parece muito estranho.

Depois que a gente se acostuma com o labirinto de corredores, escadas e passarelas (pareceu-me que eram várias casas que foram sendo emendadas), dá pra começar a curtir o lugar. E aí a surpresa: é realmente a sauna mais eclética que eu já vi. Tem homens maduros, garotões, muita gente absolutamente normal - num movimento incrível o tempo todo. O pessoal é simpático, receptivo, e o ambiente do bar é ótimo para um bate-papo assistindo a videoclipes projetados em um telão. A diversidade da fauna com tantas tribos convivendo juntas sem divisões torna o lugar mais interessante

Nestas horas, ser estrangeiro carne nova no pedaço é uma grande vantagem. Conversei com gente interessante, diverti-me bastante e relaxei nas sanas seca e a vapor para curar o corpinho das longas caminhadas dos últimos dias. Saímos de lá renovados.

 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Cabrón de mierda

Devo ter sido uma das poucas pessoas que gostou do artigo do J. R. Guzzo publicado na revista Veja de domingo passado. Por que o artigo é tão ruim, tão mal escrito, tão imbecil, tão incoerente, tão errado, tão preconceituoso, tão ilógico - que funciona de forma contrária à pretendida pelo autor, e ninguém precisa ser um gênio para perceber isso.

Estou achando que ele usou ironia e sarcasmo para chamar a atenção para a luta pelos direitos civis dos gays. Afinal, um jornalista do conselho editorial da Abril não deve ser tão burro, idiota e tacanho assim.

 

La prueba

O domingo, dia do meu aniversário, começou com o principal compromisso da viagem: a corrida YMCA-UTN de Buenos Aires. Eu não corro nem para fugir da chuva, mas já acompanhei o Mr. Ed a muitos eventos esportivos de corrida e natação. Já estou familiarizado com toda a dinâmica do processo, e sempre aproveito para exercitar um do meus hobbies favoritos: fotografar gente. Não há nada mais gostoso do que admirar um homem em sua melhor forma.