Da mesma forma que a televisão não matou o cinema, a internet não vai matar a televisão. Mas que está dando uma boa chacoalhada - ah, está, sim! E isto é bom, ganhamos todos.
Esta turma que faz o Porta dos Fundos no YouTube está criando novos paradigmas e uma nova linguagem que vai ajudar a determinar como consumimos diversão nos próximos anos... ou meses, porque hoje em dia tudo muda muito rápido. Difícil escolher qual episódio é o melhor, mas este Traveco da Firma me fez rir bastante e muito alto, e já voltei para ver várias vezes. Estes meninos têm cada ideia...
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Traveco da firma
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Mataram Sereia!
Achei deslumbrante o capítulo de estreia de O Canto da Sereia - a história é boa e está empolgante no vídeo. O que mais me impressionou foram os personagens. Cada um tem sua complexidade e as caracterizações estão um arraso - ninguém ali lembra nenhum personagem que já tenha interpretado antes. Mal dá para acreditar que o João Miguel tenha se transformado tão bem no maquiador efeminado, principalmente depois de ter interpretado um cangaceiro acima de qualquer suspeita em Cordel Encantado. Já tinha me impressionado com ele quando o conheci em Estômago, um filme simplesmente desconcertante em que ele contracena com a também fabulosa Fabiula Nascimento que também está em O Canto da Sereia. Sobre esta série só dá para falar no superlativo.
Reveja abaixo a cena do embate entre Sereia e o governador durante o desfile do trio elétrico:
O Brasil é hexa e o José de Abreu é bi
Pronto, entramos em outro estágio. E já não era sem tempo. Até hoje ainda não tinha aparecido nenhuma celebridade de razoável grandeza no Brasil que se admitisse gay ou bissexual. Tem rumores, tem gente tão gay que nem consegue disfarçar, mas ninguém admite. Não há orgulho. Só desmentidos, ou indiferença. Só há vergonha.
Mas hoje José de Abreu resolveu rasgar o verbo. "Eu sou bissexual, e daí?". Ainda muito vivo na memória depois do irretocável Nilo de Avenida Brasil (hi, hi, hi), José de Abreu se manifestou pelo Twitter. O que faz a história um pouco mais interessante é que José de Abreu nunca foi alvo de rumores ou dúvidas, nunca precisou se justificar ou explicar - simplesmente achou que precisava dizer isto. Isto não é bom?
Engradados e barris
Me deu vontade de renovar a casa inteira. Acho que vou começar pela cozinha.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Chávez subiu no telhado
Acho que já não resta dúvidas que o presidente Hugo Chávez está vivendo os últimos dias de vida. Talvez até já esteja morto enquanto a cúpula do país ensaia o melhor jeito de trazer a notícia ao público.
Uma doença terminal implacável consome toda a família e os amigos e não há palavras para descrever a dor de se ver a pessoa morrendo aos poucos dia a dia. Mas eu acho ainda mais triste a decisão, nos dias de hoje, de fingir que nada está acontecendo e de vender uma falsa imagem de saúde para que Chávez pudesse vencer mais uma eleição. Sabendo que tinha poucos meses de vida, não teria sido mais digno recolher-se, programar a transição do país sem se envolver muito, passar os últimos dias com o conforto da família?
É normalmente muito triste o fim dos que se julgam imortais na sua sede de poder e conquista.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
É tudo tão simples
Teve um dia entre o Natal e o ano novo que eu acordei às 3 da manhã completamente sem sono e com disposição para começar uma aula de aeróbica. Depois de jurar mentalmente que nunca mais tomo café à noite, saí da cama e fui procurar algo para me distrair. Lembrei-me que a Amazon já está operando no Brasil há quase um mês e eu ainda não tinha testado o serviço. Achei um e-book bem baratinho e que desse para ler sem exigir muito dos neurônios (É Tudo Tão Simples, Danuza Leão, por R$ 13,20), fechei a compra, e em exatos 15 segundos o livro estava baixado no iPad pelo aplicativo do Kindle. Uma maravilha de serviço. E o aplicativo é excelente - permite anotações, compartilhamento de trechos, ajuste do tamanho e tipo da letra, cor do fundo, não falta nada. Totalmente aprovado.
O livro? É uma grande bobagem, mas muito divertido. A Danuza Leão tem um estilo direto de frases curtas, bom humor sempre, umas tiradas engraçadas. Às vezes é preciso dar um desconto para tolices do tipo "Morra de sede mas nunca beba água em copo de plástico". A gente sabe que estando com sede no meio do deserto vai beber água até em lata de óleo usada sem lavar. Mas o livro não é um manual de sobrevivência no deserto ou na selva, mas de convivência na nossa sociedade que cada vez admite menos regras. E tem algumas tiradas deliciosas:
"Nunca fique mostrando fotos de netinhos [ou filhos, ou sobrinhos - inclusão minha]. Criança em fotografia é tudo igual".
"Se estiver louca[o] por um namorado, frequente os supermercados sexta e sábado à noite; se for preciso, alugue uma criança e leve a um teatrinho infantil, é lá que estão os pais recém-separados e ainda vulneráveis, com os filhos".
"Editoriais de moda são como textos de convite de exposição de pintura abstrata: ninguém entende nada".
"Quem mais quer casar nos dias de hoje são os gays".
"Ela tem uma mania: dá sempre uma garfadinha no que ele está comendo, seja lá o que for. No começo ele até acha graça, mas com o tempo vai se irritando, e, um dia, quando ela pega o último camarão, ele se levanta da mesa e não volta nem para pegar as roupas".
"Ter cara de rica envelhece".
Hey Jude
O Jude Law passou o feriado de final de ano com a família na costa do Maui. Quarentão, com entradas pronunciadas que prenunciam calvície precoce, corpo natural, sorriso de matar - um homem real de fechar o comércio! E ainda vem com aquele sotaque britânico charmosíssimo e irresistível. Foi o meu pedido de Natal para o papai noel que, obviamente, não foi atendido. Este ano eu prometo ser um bom menino.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Ano bom
Entre meus defeitos - e eu tenho muitos, reconheço - está a falta de um gene que costuma equipar quase toda a espécie humana: o gene da festa. Pessoas normais gostam de festas, gostam de multidão de gente muito animada, gostam de beber e potencializar a alegria. Eu não. Meu cérebro não processa multidões ou grupos muito grandes de gente falando ao mesmo tempo. Se bebo fico (mais) introvertido e calado. E conviver com alguém em estado etílico alterado é algo para mim simplesmente insuportável. Como insuportável é também esta obrigatoriedade de extravasar alegria por todos os poros com gritinhos de "u-huuu!" com os punhos cerrados e os braços pra cima. Depois do terceiro copo todo mundo fica chato e só quem está também bêbado não percebe. E, não, não é da idade - sempre fui assim.
Já se dá para ter uma ideia do suplício que são para mim as festas de final de ano, quando o mundo inteiro resolve ir para o mesmo lugar ser absurdamente alegre por três dias. Normalmente me recolho e espero passar. Sei que o defeito é meu, então não fico tentando mudar as pessoas. Nos últimos réveillons Mr. Ed e eu jantamos juntos, fazemos um brinde, e não deixamos nossa tranquilidade ser afetada pela euforia lá de fora. Teve um ano que fomos dormir antes das 11 e acordamos assustados com os fogos da meia-noite. Desde então costumamos esperar a meia-noite para ver os fogos da virada sem sair da sacada do apartamento.
Esta virada foi a primeira em dez anos que passamos com amigos. Um grupo pequeno, de oito pessoas, gente como a gente, que não liga muito para o frisson obrigatório da data. Ficamos sentados sob uma pérgula à beira da piscina tomando vinho, com pouca luz, e falamos de filmes, de viagens, da vida. À meia-noite nos cumprimentamos e entramos para cear um delicioso bacalhau ao forno com arroz branco e salada de lentilha, seguido de sobremesa de pudim de aipim com calda de uvas passas, torta de maçã, e sorvete de creme.
Depois da ceia voltamos para a mesa à beira da piscina e aproveitamos o frescor da brisa da noite e a visão quase onírica da lua no céu escuro para engatar mais algumas horas de conversa até quase o sol raiar. Acordei no dia seguinte com a sensação gostosa de que este vai ser um ano bom.







