quinta-feira, 7 de março de 2013

No México

As fronteiras entre a garantia dos direitos individuais e a livre expressão é discussão recorrente no mundo livre. O argumento tem sido bastante utilizado pelos pastores homofóbicos no Brasil, que alegam que a aprovação de uma lei contra a homofobia feriria o direito de livre expressão dos cidadãos. Afinal, se alguém o insulta na rua gritando "Veado!" com o objetivo de ofender, isto é livre expressão?

Os Estados Unidos, por exemplo, que têm uma história mais sólida de garantia de direitos, costumam pender para o lado da proteção da livre expressão. Até mesmo a odiosa Igreja Batista de Westboro que usa do expediente baixo de orquestrar protestos de ódio em funerais de fuzileiros navais americanos mortos em combate está dentro da lei e protegida pelo direito de expressão.

Já o México, que está em um estágio mais próximo do nosso na solidificação das instituições, das garantias, e da democracia, aprovou ontem uma lei sem precedentes. Com todas as letras e de maneira claríssima, a Suprema Corte julgou que ofender homossexuais com palavras homofóbicas como cabrón ou puñal é, sim, crime de ódio não protegido pela lei da liberdade de expressão, mesmo quando as expressões são usadas em tom de brincadeira. O texto original pode ser lido aqui.

O trecho chave da sentença: "La Primera Sala determinó que las expresiones homófobas, esto es, el discurso consistente en inferir que la homosexualidad no es una opción sexual válida, sino una condición de inferioridad, constituyen manifestaciones discriminatorias, ello a pesar de que se emitan en un sentido burlesco, ya que mediante las mismas se incita, promueve y justifica la intolerancia hacia la homosexualidad". Até o México está deixando o Brasil para trás.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Kabuletê



Com toda a popularidade conquistada pela Turquia nos últimos tempos aqui no Brasil, principalmente pela novela das nove, é difícil entender como ninguém teve ainda a ideia de divulgar a tradicional luta turca do óleo. A audiência da novela ia subir ao píncaro, o consumo de azeite de oliva ia aumentar, e eu ia dedicar mais tempo aos esportes na TV. Todo mundo sairia ganhando. Bu harika. Vanda, me leva!

Lado B


A novela Lado a Lado chega ao fim esta semana mostrando um capítulo perverso da nossa história: a internação em hospitais psiquiátricos de mulheres que não se conformavam com as normas vigentes na época. Na história, Laura (Marjorie Estiano) foi internada e presa a uma camisa-de-força porque quer ser independente, quer trabalhar, e acredita na igualdade entre homens e mulheres. A história se passa em 1910 e este momento dramático é baseado em fatos reais.

Por mais chocante que possa parecer, este tipo de procedimento continua acontecendo até hoje. As vítimas atuais são os adolescentes gays de famílias religiosas radicais. Nos Estados Unidos há relatos comprovados de adolescentes internados à força em clínicas e submetidos a terapias de reversão. Aqui no Brasil, os pastores evangélicos homofóbicos que decidiram invadir a vida civil dos cidadãos através da política anunciam a tudo isto com desfaçatez e cinismo. Isto é absolutamente monstruoso.

Peixe podre

A indicação do pastor Marco Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara é só mais um sinal do que acontece há anos: o nosso legislativo vive em uma quinta dimensão completamente apartada da sociedade para a qual deveria estar trabalhando. Marco Feliciano é do PSC, o partido que já criara celeuma há pouco mais de 1 ano com as propagandas na TV anunciando que "família é formada por homem e mulher".

A Folha de S. Paulo deu a ele o direito de defesa oferecendo espaço no jornal mais lido do Brasil - e Marco Feliciano publica hoje o artigo "Ditadura gay e direitos humanos", onde só confirma tudo de que o acusam. Cheio de citações bíblicas, o artigo é uma comprovação da pequenez da mente deste indivíduo tacanho, retrógrado, obscurantista, homofóbico, e racista, que insiste na falsa premissa de que "vivemos uma ditadura gay" para ver se a falácia cola. Eu sinto um desprezo enorme por gentinha deste tipo, que de mim não merece nem uma gota de respeito.

Como bem disse o deputado Chico Alencar (PSOL): "‎Essa indicação vai inviabilizar a comissão que é dos direitos humanos. Será a comissão dos valores religiosos, do fundamentalismo e da higienização da raça".

sábado, 2 de março de 2013

Pombo-correio

Agora que todas as grandes empresas de tecnologia da informação - como Microsoft, Apple, Google, Facebook, e Twitter, entre outras - declararam abertamente seu apoio ao casamento igualitário nos Estados Unidos, a Organização Nacional para a Defesa do Casamento e outras entidades homofóbicas vão ter que buscar outras formas de comunicação. Ou será que vão enfiar o rabo entre as pernas, murchar as orelhas, e continuar utilizando os serviços de empresas amigas dos gays?

A página no facebook que convoca para a grande marcha pró-igualdade no final de março está sugerindo a eles uma volta ao pombo-correio.

E no Brasil, será que os homofóbicos vão continuar usando os produtos e serviços de empresas amigas dos gays? A resposta é óbvia. Afinal, homofobia e hipocrisia sempre andaram de mãos dadas.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Milagre na Rua 14


Uma história comovente que começou há 12 anos e só agora veio a público por meio de um artigo publicado há dois dias no New York Times está arrebatando corações ao redor do mundo. É a história de um bebê recém-nascido abandonado em uma estação de metrô de Nova York que foi encontrado por um rapaz, Danny, que acionou imediatamente a polícia e as autoridades. Danny cuidou do bebê até a chegada dos policiais, e não conseguiu se desligar dele mesmo no período em que o bebê estava sob os cuidados do estado. Os pais biológicos da criança nunca foram localizados. Três meses depois, quando Danny estava prestando o depoimento formal da ocorrência em juízo, surpreendeu-se ao ouvir da própria juíza: "você gostaria de adotar este bebê?".

Agora, 12 anos depois, quem revela a história é Peter Mercurio, no artigo intitulado "Achamos nosso filho no metrô". Peter e Danny já estavam juntos há 3 anos quando o bebê foi encontrato. Em julho último, Peter e Danny se casaram em cerimônia celebrada pela mesma juíza que há doze anos deu a eles a dor e a delícia de serem pais. Ao entrarem na sala para o casamento, o garoto Kevin, agora com 12 anos, estendeu a mão para a juíza em agradecimento. A juíza olhou emocionada para o menino e só conseguiu dizer "Posso lhe dar um abraço?".

Salve geral


Salve Jorge não é de todo ruim. Começou chata, com personagens demais, mas depois engrenou uma trama policial interessante sobre tráfico de pessoas que está sustentando o folhetim. O problema são as incoerências, os vilões caricatos, os furos gigantescos e óbvios que irritam quem tenta acreditar na história. Os escorregões são tantos que a novela está correndo o risco de virar cult. Aquela velha história do 'tão ruim, mas tão ruim, que fica boa sem querer'.

Mas a próxima jogada de Glória Perez deve ser uma tremenda bola dentro. (alguém sabia que o nome da personagem é Joyce?), a auxiliar da delegada, faz a linha masculinizada. É feita pela Thammy Gretchen, que é lésbica assumida. Pois na história a vai precisar se infiltrar entre as garotas traficadas e para isto precisará se passar por mulherzinha feminina e graciosa para ser assediada pelos chefões do tráfico.

Thammy Gretchen já posou para a revista Sexy e fez bonito. A insólita transformação da personagem tem tudo para ser convincente. Pelo visto até agora, quem deve continuar com cara de travesti é a Cláudia Raia.

Não provoque. É cor de rosa-shocking!

O Muque de Peão se enfeita hoje de rosa-shocking para comemorar a chegada do casamento igualitário ao estado de São Paulo.