terça-feira, 17 de setembro de 2013

Bookmarks

Parece que todos os meus cantores favoritos resolveram fazer novos lançamentos na mesma temporada. Nada a reclamar, é claro, mas está difícil arrumar tempo para curtir este monte de gostosuras que culminou hoje com dois lançamentos simultâneos: Jack Johnson e Five For Fighting (nome artístico do John Ondrasik).

Isso depois de lançamentos recentes do Gregory Alan Isakov (que lançou The Weatherman há pouco mais de um mês, depois de quase quatro anos desde o lançamento de This Empty Northern Hemisphere), Joshua Radin (que lançou Wax Wings em maio), John Legend (com Love in the Future lançado há duas semanas), Andrew Belle (com o ótimo Black Bear lançado também há apenas duas semanas), e Brendan James (com Simplify, lançado mês passado).

Difícil dizer o que está melhor quando se está falando dos cantores favoritos - aqueles de quem a gente compra um disco sem precisar ouvir antes porque sabe que vai amar tudo. Neste momento eu estou passando Bookmarks, do Five For Fighting -  lançado hoje depois de quase quatro anos de Slice, que é de 2009. Ainda me assombro com os falsetos do John Ondrasik.



sábado, 14 de setembro de 2013

Sensações infringentes


De repente até a minha faxineira está falando de embargos infringentes com a naturalidade de quem passa uma receita de pão de queijo. O ministro Celso de Mello profere na próxima semana o voto de desempate sobre a aceitação ou não dos embargos no que talvez seja um dos momentos mais emblemáticos da nossa suprema corte.

É claro que o assunto "mensalão" sempre desperta sentimentos apaixonados, mas a decisão do ministro deveria se basear apenas em fundamentos técnicos independente das opiniões políticas ou julgamentos morais que cada um de nós faz o tempo todo. Porém, o simples fato de ter havido um empate é a melhor evidência que não existe consenso jurídico sobre a realidade técnica e fatual de se aceitar os tais embargos.

Mas o que mais me irrita nesta história toda é a argumentação de que a aceitação é necessária para que aos réus seja assegurado o direito de ampla defesa - afinal, por estarem sendo julgados na corte mais alta eles não teriam direito a recorrer. Balela! Pouquíssimos são os mortais brasileiros que têm direito à prerrogativa do foro privilegiado que assegura julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. A possibilidade de ser julgado pela banca - pelo menos em teoria - dos melhores e mais bem gabaritados juízes do país e de ter um julgamento aberto em rede nacional já é muito melhor garantia de justiça que eu e você teríamos. Nossos políticos se tornaram uma casta mimada de privilégios que se desacostumou a perder, pois há muito vivem de sempre comprar a vitória com o dinheiro do povo, independente do custo.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Starfucks

A chegada simultânea de duas lojas Starbucks (ou Starfucks, como prefere chamar o meu amigo Eduardo) em uma cidade do porte de São José dos Campos é notícia - principalmente para quem curte café como eu. As lojas são sempre bonitas, garantia de lugar agradável com gente descolada circulando, mas os americanos não poderiam ter estragado mais o prazer de tomar café com a inabalável eficiência padronizada ianque.

Esqueça o chegar cansado e cheio de pacotes e se jogar numa cadeira confortável enquanto o garçom vem tirar o seu pedido. Tudo é pedido no caixa, e se você decide tomar um copo d'água depois do café tem que se levantar e enfrentar a fila do caixa novamente e provavelmente perder o seu lugar. Os pedidos são identificados pelos nomes dos clientes - uma complicação adicional num país cheio de Cleidersons e Clorisvaldos. Eu, que nem tenho um nome complicado e nem problemas de dicção, tive que ficar circulando com um copo marcado "Gusmão" - que foi o que o pobre caixa conseguiu entender na hora do meu pedido.

Mas o mais irritante talvez seja uma certa forçação de barra para fazer tudo parecer informal e descontraído. O brasileiro já é o rei da descontração e informalidade, não precisava importar técnicas de fora. Os funcionários são todos muito simpáticos e cheios de gracinhas, mas tudo tão natural quanto uma rosa de plástico. Dei um sorriso amarelo em reconhecimento pelo esforço. E porque o atendente era bonitinho. E porque todos os atendentes eram homens. (Sem qualquer conotação sexual, você já experimentou entrar em um café onde todas as atendentes são mulheres e ficam conversando entre si em voz alta enquanto o cliente implora por serviço?)

Claro que eu vou voltar lá muitas vezes. O brownie é simplesmente divino. E as Starbucks são sempre famosas pelo wi-fi rápido (embora, ironicamente, o wi-fi não estivesse funcionando no dia em que estive lá). Já falei que todos os atendentes são homens?

sábado, 7 de setembro de 2013

Flores Raras


Gostei de Flores Raras muito mais do que pensei que gostaria. O trailer havia me dado a impressão que o inglês de Glória Pires seria aflitivo (o filme é todo falado em inglês), mas não, Glória se sai muito bem interpretando em inglês. 

A grande poeta americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto) viaja ao Brasil e se hospeda com a amiga Mary (Tracy Middendorf), americana que vivia no Brasil e tinha um relacionamento com a paisagista autodidata Lota de Macedo Soares (Glória Pires). Em pouco tempo Elizabeth Bishop e Lota se apaixonam e começam a viver um romance que dura quase vinte anos, pontuado pelos altos e baixos do temperamento forte de Lota, o alcoolismo de Elizabeth e o ciúme de Mary. Neste tempo Lota fez o projeto e a execução do Parque do Flamengo a pedido do governador do Rio Carlos Lacerda (Marcelo Airoldi) e Elizabeth Bishop escreveu uma de suas obras mais conhecidas e que lhe valeu o prêmio Pulitzer em 1956.

O visual é incrivelmente lindo e bem cuidado, a começar pelo guarda-roupa dos anos 1950, o incrível Jaguar branco conversível de Lota (que era mesmo muito rica, filha de família tradicional, sendo, inclusive, nascida em Paris), e a casa magnífica que serve de cenário para o sítio Samambaia em Petrópolis onde se passa grande parte da história. A casa utilizada é quase um personagem por si só, e é na realidade uma obra de Oscar Niemeyer situada em Pedra do Rio, com jardins projetados por Burle Marx, e que já tinha causado furor ao aparecer na minissérie Queridos Amigos exibida pela Globo em 2008, tendo sido objeto de inúmeras reportagens na época.

Flores Raras é a história de três mulheres audaciosas que viviam à frente de seu tempo, contada de forma sensível com visual caprichado.

Estive Grande (2)

E o Steve Grand apresentou ontem o vídeo da sua nova música. Stay não é tão gostosinha de ouvir quanto All American Boy, mas o vídeo tem cenas tão gostosas de paquera e namoro que são capazes de fazer a temperatura subir a níveis bem mais confortáveis nestes dias de final de inverno.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Salvação


Você, que tenta a todo custo preservar seus valores cristãos, certamente já está cansado de recorrer a serviços como o Grindr ou ir a saunas fétidas atrás do parceiro ideal. Satanás é esperto e não perde uma oportunidade para tentar levá-lo para o mau caminho.

Mas, para você que quer fugir do Coisa Ruim e encontrar o verdadeiro caminho da salvação, chegou Christian Mingle, a rede social para você encontrar um parceiro ungido. Aleluia, irmão!


Se liga

O vídeo abaixo, sobre o vício das pessoas por smartphones foi postado há pouco mais de duas semanas e já tem quase 20 milhões de visualizações. No facebook não são poucas as campanhas pregando mais conversas e menos wi-fi.

Pois eu acho tudo isso uma grande bobagem das pessoas que não conseguem acompanhar os novos tempos. O mundo está mudando depressa e normalmente reclama quem tem dificuldade de usar as novas tecnologias a seu favor. Eu acho simplesmente fantástico ter ao alcance das mãos um computador com acesso a e-mails, vídeos, mensagens, fotos, músicas, e tudo mais que a Internet proporciona, e poder sacá-lo e usá-lo toda vez que o ambiente ao redor permitir. É este o novo mundo em que vivemos, e a tendência não vai retroceder. Adapt or die.

Há séculos atrás, quando os livros começaram a se popularizar, muita gente era considerada louca por passar muito tempo com a cabeça enterrada em um livro. Hoje em dia ninguém pensa em criticar quem lê muito. Mas as fontes de informação mudaram, e hoje em dia não vêm mais primariamente de livros e revistas, mas do aparelhinho que todo mundo carrega no bolso.

Muita gente reclama da falta de atenção ao sair com uma companhia que não para de acessar o computadorzinho de bolso (chamar de celular ou smartphone é outro erro, pois funcionar como telefone é apenas um dos recursos do dispositivo e talvez nem seja o mais usado). A concorrência realmente ficou muito acirrada, e se seu companheiro prefere a tela do computador, talvez você esteja precisando se tornar mais interessante. Competir com todo o acervo de informação/entretenimento que o companheiro tem ao alcance das mãos não vai ser fácil se o seu papo for chato e enfadonho. 

É claro que sempre vai haver momentos especiais de colocar toda a tecnologia de lado por alguns instantes, da mesma forma que muitas vezes desligamos a eletricidade para um jantar à luz de velas. Mas não existe mais muita paciência para frequentes contemplações prolongadas. As pessoas de hoje consomem informação rápida, fragmentada, de forma desordenada e constante. E eu não vejo nada de errado nisso.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Natural

A boa notícia desta semana vem da Austrália, onde o candidato à re-eleição como primeiro ministro Kevin Rudd fez uma defesa muito digna, embasada e segura do casamento igualitário durante um debate em rede de televisão. Um dos participantes, que se identificou como pastor e representante de uma rádio cristã e que apresentou os surrados argumentos religiosos sobre a homossexualidade não ser natural e ser condenada pela bíblia, foi contra-argumentado por Kevin Rudd de forma tão segura, direta e apropriada que fez o pastor praticamente perder o rumo. Kevin Rudd foi bastante aplaudido.

É inspirador quando um político importante e heterossexual defende o casamento igualitário com tanta convicção. É um sonho ainda distante para nós brasileiros, que temos na maioria de nossos políticos o interesse único pelo voto e pela manutenção do mandato. Muitos de nossos políticos importantes até têm visões liberais da sociedade, mas vivem pisando em ovos com muito medo de melindrar evangélicos ou a igreja, e com isso mantêm em público opiniões que seriam mais apropriadas na Idade Média.