Durante nossa visita a Colonia del Sacramento, no Uruguai, há um ano atrás, caminhávamos pelas ruas de casas antigas do centro histórico quando fomos abordados por um senhor na entrada de um restaurante anunciando os pratos da casa. Foi só quando nos aproximamos mais e prestamos mais atenção que nos demos conta que se tratava de uma mulher de jeito meio masculino. Ela tinha um jeito tão simpático que convenceu a nós quatro - eu, minha irmã, minha prima e o Mr. Ed - a entrar. E foi assim que conhecemos o Anjo Preto.
O Anjo Preto (o nome é assim mesmo, em português) é um restaurante pequeno, todo controlado por mulheres, com uma decoração super transadinha e uma comida pra lá de especial. Eles servem frango em cubos com molho de mel, raviolones recheados de salmão em molho de alcaparra, e outras comidas de virar os olhos. E entre as várias sobremesas eles têm a Copa Anjo Negro que é uma taça grande forrada de pedaços de bolacha champagne cobertos com uma camada de sorvete de creme, doce de leite quente, nozes e castanhas, rum, mais sorvete, terminado com pedaços de banana e morangos. Mas a principal lembrança que a gente leva é a simpatia da garçonete e da gerente.
Hoje voltamos lá, exatamente um ano depois. A mesma gerente, a mesma garçonete, a mesma comida deliciosa, a mesma simpatia. Eu gosto muito de revisitar lugares que já conheço. Gosto da sensação de conforto que a familiaridade traz.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
O Anjo Preto de Colonia
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Un amor / Mia
É gostoso assistir cinema em uma cidade como Buenos Aires onde as pessoas fazem um silêncio sepulcral durante o filme e continuam sentadas até o final dos créditos. Aproveitamos para ver duas estreias recentes.
Ontem à noite assistimos a Un Amor, sobre dois garotos adolescentes nos anos 70 que conhecem uma garota avançadinha durante um verão em uma pequena cidade do interior. Ao mesmo tempo o filme mostra o trio no presente, 34 anos depois, quando a mulher retorna à Argentina a negócios e procura os dois homens do passado. O filme é bastante lento e a gente fica esperando o tempo todo para saber exatamente a razão de o trio se sentir tão constrangido e pouco à vontade no presente. A resposta está na ligação com alta tensão sexual que eles viveram no passado, mas não chega a empolgar. Tem cenas bonitas e é bem feito, mas a gente fica esperando o filme decolar e nada acontece. Vale pelos bons desempenhos, principalmente dos atores adultos (um dos homens é feito pelo Diego Peretti, que está em cartaz no teatro em Buenos Aires em um dos principais papeis na remontagem de Um Bonde Chamado Desejo).
Hoje vimos Mia, que estreou neste final de semana, sobre uma travesti que trabalha nas ruas de Buenos Aires e encontra um diário e se impressiona com as narrações do caderno. Ela começa uma amizade com a garotinha Júlia, filha da autora do diário, e toma para si a obrigação de passar para a garota os ensinamentos da mãe. O filme enfoca o drama paralelo dos moradores da Aldeia Rosa, uma pequena favela onde vivem travestis, gays e outros habitantes marginalizados da cidade. Embora a história seja um pouco implausível, é sensível e bem intencionada, e emociona em alguns momentos. Há bons desempenhos, principalmente da atriz mirim que faz a pequena Júlia, e de Camila Sosa Villada, que faz a travesti Ale. Camila Sosa Villada é uma travesti originalmente de Córdoba que começa a fazer carreira no cinema argentino.
Ainda conseguimos retornar ao hotel em tempo de assistir na TV ao programa da peruíssima Susana Gimenez, que está com os cabelos lisos e platinados e usando um vestido preto mais justo que Deus. Susana Gimenez faz a nossa Susana Vieira parecer uma madre Teresa de Calcutá de tão recatada, tem uma risada de serrote, e é um monumento argentino mais tradicional que o Obelisco. Algumas más línguas dizem que ela estava presente na inauguração do Café Tortoni.
La gente
Mesmo nesta cidade cheia de monumentos o que mais me chama a atenção são as pessoas. Sou capaz de ficar horas num banco de praça observando a fauna que habita esta cidade. Desde os namorados que se pegam em público sem o menor constrangimento até os policiais.
sábado, 12 de novembro de 2011
Espelho, espelho meu...
Hoje parti para um dos meus safáris fotográficos que tanto adoro. Quando olho pela lente da máquina fotográfica enxergo o mundo de outra maneira. A missão de hoje foi ver Buenos Aires através dos vários espelhos com os quais a cidade se cobriu para refletir a própria beleza. As imagens retorcidas refletidas pelos espelhos revelam uma nova cidade, invertida, esperando para ser explorada.
As outras fotos podem ser vistas aqui.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
O ex
Ontem assistimos a La Piel Que Habito, do Almodóvar, mas sobre o filme eu falo em outra oportunidade. Morri de rir foi com este comercial do Banco Galicia que foi exibido antes do filme. Na véspera também tínhamos encontrado com o "ex".
De volta para o passado
Em contraste com toda a beleza arquitetônica que prevalece em Buenos Aires, o prédio da Biblioteca Nacional é uma das coisas mais horrendas que já vi na vida. Feio, pesado, esquisito, todinho feito de concreto. Dá a impressão que alguém descartou ali este bloco suspenso por quatro pernas e se esqueceu dele.
Nunca tinha visitado o prédio antes e aproveitei ontem para descobrir o quê aquele bloco hediondo esconde por dentro. Tive uma grande surpresa. Tudo em Buenos Aires me dá a impressão que o tempo parou, mas é normalmente um sentimento nostálgico e bom, quase reconfortante. A Biblioteca Nacional me deu a impressão que o tempo parou, mas em um tempo ruim.
O funcionamento da Biblioteca parece estar parado nos tempos das mentes atrasadas do militarismo, marcado pela síndrome do pequeno poder. Na recepção há quatro atendentes; um checando mensagens no celular, outro fingindo que está escrevendo alguma coisa, o terceiro desviando o olhar e tentando passar despercebido, e um quarto que solicita que os visitantes preencham uma "ficha". A ficha é tão longa que ele mesmo a pega de volta antes de preenchida e encerra com um "está bien, está bien" meio impaciente.
Quando o atendente me viu com a máquina fotográfica informou que para tirar fotografias no interior da Biblioteca eu precisaria ir ao primeiro andar e preencher uma solicitação por escrito. Foi a primeira vez que ouvi algo assim, especialmente nesta cidade que é tão camera friendly. Achei melhor desistir de fotos no interior da Biblioteca.
O lado de dentro é tão feio quanto o lado de fora, além de ser mal preservado, com cadeiras quebradas e almofadas encardidas, tudo guardado por atendentes sonolentos. Talvez a única coisa boa foi ver as enormes salas de leitura lotadas de adolescentes em absolutíssimo silêncio. Derrubar um alfinete ali no meio daquela multidão teria o mesmo efeito de uma bomba.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
O dia em que me queiras
Depois de um vôo turbulento e lotadíssimo, chegamos ontem a Buenos Aires pouco depois do meio-dia para a nossa escapada portenha anual. Já instalados, saímos para respirar um pouco do ar abafado e quente da cidade e eis que... me encontro com alguém que não via há quase dez anos: meu primeiro marido. Ele é brasileiro, mas mora na Suíça há vários anos. Está aqui em Buenos Aires a negócios.
Saímos os três para jantar mais à noite. Vários assuntos para atualizar. Cheguei no hotel com a cabeça girando e tentando entender estas coisas inexplicáveis que acontecem com a gente. Em inglês tem uma palavra bacana para isto: serendipity. Aqui na Argentina acho que chamariam de tango mesmo.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Tempo, tempo, tempo, tempo... Entro num acordo contigo
A gente se lembra que o tempo passou quando depara com esta foto do garotão Jonathan Lipnicki aí em cima. E ainda se lembrava dele como o garotinho do filme Jerry Maguire aí embaixo.
Assinar:
Postagens (Atom)



