terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Marcha, soldado, cabeça de papel...


A foto do soldado americano reencontrando com o namorado após a separação de seis meses enquanto servia no Afeganistão foi publicada no facebook há três dias e a notícia se alastrou mais rápido do que fogo em canavial seco. E certamente não foi só pelo beijo. Foi pela sinceridade do ato, pela força da imagem, pela emoção do reencontro - sentimentos universais em qualquer cultura independente de orientação sexual.

Hoje, Brendan Morgan e Dalan Wells falaram sobre a repercussão da foto. O mundo está mudando e eu adoro as pessoas que contribuem para que isto aconteça mais depressa.

Déjà vu


Se há uma categoria da arte gráfica onde parece que criatividade não é pré-requisito é a dos cartazes de filmes de cinema. Aparentemente os artistas gráficos jogam os elementos em um computador e depois simplesmente escolhem entre opções esdrúxulas como "costa com costa visto de lado", "cabeção flutuando sobre gente miúda com fundo de praia", "por entre as coxas", "correndo inclinado e tingido de azul" ou outra das pouco mais de uma dezena de opções disponíveis. Duvida? Veja aqui.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

The city of samba


O Rio de Janeiro não combina com pressa. Mas vendo um dia na vida da cidade em rotação acelerada a gente consegue entender muita coisa e até quase enxergar um balé improvisado na rotina dos habitantes. E à noite... à noite é carnaval, e o balé ganha seu verdadeiro ritmo.


The City of Samba from Jarbas Agnelli on Vimeo.

A cura

A Folha de S. Paulo de hoje (aqui para assinantes) traz reportagem sobre projeto de lei proposto pela frente parlamentar evangélica para reverter uma decisão do Conselho Federal de Psicologia e instituir no Brasil a "cura de gays". Os evangélicos querem que a homossexualidade seja considerada uma "doença" e portanto passível de cura.

Ser evangélico obscurantista é uma opção perfeitamente passível de reversão. Precisamos urgentemente começar a nos compadecer destes cidadãos para forçar o governo a instituir com urgência programas de saúde pública para a "cura de evangélicos".

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A vida real


Ele é um adolescente americano que tem uma conta no YouTube com o pseudônimo Mallow610 onde posta vídeos da família e dos amigos. Há três dias ele resolveu fazer uma coisa diferente: esconder a câmera na cozinha e filmar a reação da mãe quando ele contar para ela que é gay.

Nos primeiros segundos ele está impaciente e nervoso aguardando a chegada da mãe. A mãe chega e logo percebe que algo está errado (mães têm sexto sentido, lembram disto?). Ele fica tão nervoso que agarra o celular e não tira os olhos da telinha do aparelho (versão moderna para o antigo "roer as unhas") e nem consegue olhar no rosto da mãe. Parece que vai amarelar. Dá quase para sentir o coração do garoto palpitando. Ele provavelmente está suando frio.

Aos 2:20 minutos ele consegue dizer, com um fiapo de voz, "I'm gay". A partir daí a vida real segue seu curso.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O artista na era do gelo

Tudo pronto para a celebração da entrega do Oscar no domingo. Até o esquilo Scrat, de A Era do Gelo, resolveu homenagear O Artista enquanto anuncia o próximo filme da série.

FX


Minhas fotos costumavam ser bastante fatuais. Nunca havia usado efeitos especiais, à exceção de pequenas correções de foco e cores para melhorar o aspecto documental da foto. Só há poucas semanas me rendi aos efeitos especiais e estou animado com o resultado. Consegui deixar algumas fotos mais pessoais, com um aspecto mais onírico e menos real. Estou gostando muito de transformar a realidade.







quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Sindrome de Laurinha Figueiroa

Muito chocante este desastre de trem em Buenos Aires ontem. Quando de minha última viagem à Argentina, há 3 meses, comentamos várias vezes de como era cada vez mais evidente a Síndrome de Laurinha Figueiroa em todo lugar da cidade. Para quem não se lembra, Laurinha Figueiroa era a personagem de Glória Menezes na novela Rainha da Sucata (1990) de Silvio de Abreu. Laurinha Figueiroa era de família paulistana quatrocentona que perdera tudo menos a pose, e vivia em uma mansão onde não tinha dinheiro nem para pagar a conta de luz.

A Argentina tem um sistema lindíssimo de trens, metrôs, estações, e prédios públicos construídos à imagem e semelhança de sistemas europeus. Mas, em épocas de vacas magras, manter tudo isto acaba se tornando um fardo pesado demais. Eu usei trens e metrôs em Buenos Aires com bastante frequência e a falta de manutenção salta aos olhos. São portas que não fecham, estruturas carcomidas pela ação do tempo e muitos solavancos não programados. É muito triste ver tudo isto caindo aos pedaços em uma cidade tão bonita. E o pior é antever que este mal deve acometer muitos países europeus novos-pobres que têm conjuntos arquitetônicos e históricos valiosíssimos que demandam manutenção de alto custo - na hora de apertar o cinto estão entre as primeiras despesas a ser cortadas.

Nesta história toda o Brasil acabou se tornando a
 Maria do Carmopersonagem de Regina Duarte. Sem classe, sem tradição, sem pose, mas com dinheiro no bolso e as contas em dia.