O horário de verão nos Estados Unidos acabou no último domingo. Uma campanha no facebook na semana passada alertava: "No domingo não se esqueça de atrasar seu relógio em 1 hora. Na terça-feira, cuidado para não atrasar o país em 50 anos. Vote Obama". Esta mensagem sintetiza muito do que poderia ter acontecido nas eleições americanas de ontem.
Pela primeira vez na história do país um presidente é reeleito com a economia mal das pernas. Durante os debates, Mitt Romney havia se saído melhor em todas as questões econômicas; o que não era tarefa difícil estando ele na confortável posição de criticar o quê havia sido feito sem ter mostrado se na prática suas ideias resultariam em algo positivo. Embora no passado a economia sempre tenha decidido as eleições americanas, desta vez o fiel da balança pendeu para as questões humanas. Barack Obama se reelegeu com grande parcela do voto feminino (quase 20% de diferença em relação ao voto masculino em algumas regiões), o voto hispânico, o voto negro, o voto dos gays, e o voto dos jovens - decretando o fim da supremacia masculina heterossexual branca nas decisões do destino da nação.
Três dos três estados que colocaram o casamento igualitário em votação aprovaram a medida. Esta iniciativa de aprovação do casamento igualitário por voto popular já havia sido tentada outras 32 vezes no país e nunca havia sido aprovada antes. Entre outras dezenas de consultas populares feitas nesta eleição de ontem, o uso da maconha para fins de recriação foi aprovado no Colorado e no estado de Washington. E a lésbica Tammy Baldwin foi eleita senadora - primeiro membro homossexual do senado americano em toda a sua história!
É com alívio que o mundo acorda hoje e vê que os americanos não deixaram o país retroceder 50 anos. Ao contrário, referendaram as mudanças e conquistas sociais que a sociedade tem conseguido nas últimas décadas. Subitamente o mundo de Mitt Romney ficou obsoleto e ultrapassado. Agora ele já pode dedicar todo o seu tempo para sua família perfeita, heterossexual, branca, feliz e com um eterno sorriso pregado no rosto.