quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O novo normal

Eu não costumo assistir a Louco Por Elas, mas o episódio desta última terça-feira valeu a pena principalmente por esta cena de 3 minutos, quando a família descobre que o pai do Leo (Moscovis), há muito tempo sem contato com a família, hoje é mulher. E parabéns ao Reginaldo Faria, ator que já me tirou o sono nos anos 80 com sua beleza viril, que fez uma ótima Veruska e continuou lindo mesmo travestido.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

50 tons de gay

Existem muito mais cores no arco-íris que simboliza o movimento gay do que pode imaginar nossa vã filosofia. iO Tillett Wright, que aos 6 anos decidiu viver como menino e depois dos 14 resolveu voltar a viver como mulher, fotografou mais de 2.000 pessoas da comunidade LGBT para desenhar um espectro da sexualidade gay neste ensaio sobre os 50 tons de gay,


Nesta apresentação iO Tillett Wright fala sobre a fluidez da sexualidade humana e sobre a essência do ensaio:

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Um novo mundo

Estima-se em cerca de 125.000 o número de pessoas que saíram às ruas de Paris ontem para expressar apoio à legalização do casamento igualitário. E nenhuma outra cena poderia expressar tão bem quanto esta a ideia de que o mundo mudou. Aos religiosos conservadores de plantão, um só recado: saiam da frente porque o mundo tem pressa!!


Homem diet

Já se passaram 19 anos do primeiro comercial associando a coca diet à imagem do homem-objeto, e para comemorar a Coca-Cola acaba de lançar uma nova versão. Não vejo a hora de as marcas de cerveja darem um descanso para as bundudas, boas e gostosas, e seguirem o mesmo caminho da coca diet.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Lincoln

Lincoln não é um filme fácil e certamente vai frustrar quem for ao cinema em busca só de diversão. Está mais para uma aula de História, e transborda de diálogos e manobras políticas que podem perder o sentido com a menor distração.

O momento histórico retratado é o fim do primeiro mandato do presidente, quando ele já se reelegeu para o segundo mandato e a Guerra de Secessão está ceifando a vida de milhares de americanos tendo como um dos principais combustíveis a defesa da manutenção da escravidão pelos estados separatistas do sul. Lincoln se empenha pessoalmente em colocar para votação a 13ª alteração da constituição promulgando a abolição da escravatura. Os métodos utilizados para a obtenção da aprovação não são muito diferentes dos usados até hoje e nem são muito honestos, mas mesmo sabendo-se de antemão o resultado o filme consegue criar suspense genuíno com o desenrolar do enredo.

O mais interessante é a oportunidade de analisar o momento histórico em retrospecto. Presenciar a luta pela abolição da escravatura sabendo que o atual presidente é negro. Ver as reações dos políticos à simples possibilidade de que negros e mulheres viessem a votar algum dia. Aprender que naquela época eram os Republicanos os mais progressistas e abolicionistas, enquanto os Democratas eram a oposição que lutava pela manutenção da escravatura.

Abraham Lincoln é considerado hoje um dos três mais importantes presidentes dos Estados Unidos (os outros são George Washington e Franklin D. Roosevelt). Tinha pouco estudo formal mas era extremamente inteligente, lia muito, e achava a escravidão imoral.

Os desempenhos são extraordinários, e Daniel Day-Lewis realmente desaparece sob o personagem. Sally Field (cada vez mais fisicamente parecida com a nossa Regina Duarte) faz Mary Todd Lincoln, a primeira-dama oriunda de família rica e que tinha episódios de desequilíbrio mental. E Tommy Lee Jones faz o republicano abolicionista Thaddeus Stevens também com desempenho excepcional e um simpático segredo doméstico que se revela ao final.

O filme pode ser melhor aproveitado com um pouco de pesquisa de História sobre a época e os personagens antes de sair para o cinema.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Eu caso gente

Pela lei brasileira, a presença de um tradutor público (antigamente éramos chamados de tradutores juramentados) é exigida toda vez que um estrangeiro que não fale o português precise assumir ou transferir direitos ou obrigações oficiais. Isto significa que além do trabalho de traduzir contratos, processos, procurações, sentenças, certidões, atestados, e documentos acadêmicos, eu participo de audiências e julgamentos de estrangeiros (normalmente triangulando a comunicação entre juiz e reu) e, com bastante frequência faço casamentos de casais binacionais. Casamentos são sempre divertidos - é o encontro de duas culturas diferentes, os noivos sempre estão muito nervosos, todo mundo trata o tradutor público com muita reverência e respeito, e a gente sempre acaba ficando para o começo da festa.

Ainda não tive a felicidade de fazer um casamento gay. Muitos colegas já fizeram e também já acompanharam casais para registro de uniões estáveis em cartório (a presença do tradutor público também é exigida neste caso), e todos disseram que os casamentos gays são os mais animados que já presenciaram. Um colega de São Paulo fez, somente no mês de dezembro, o casamento de um casal de lésbicas e dois casamentos de casais gays homens. Morri de inveja.

Ontem fui fazer um casamento em Jacareí - noiva brasileira e noivo americano. Apesar de ser um casal tradicional, o casamento foi feito no cartório onde foi registrado o primeiro casamento gay no Brasil. Eu tinha acompanhado as notícias pela mídia na época, mas ontem tive oportunidade de conhecer e conversar longamente com o oficial de registros dr. Marcelo Salaroli. Eu já o tinha visto na mídia defendendo a igualdade de direitos, mas não podia imaginar que ele era tão jovem, simpático, bonito, educado e agradável. Se eu não soubesse que ele é casado, tem uma esposa linda e uma filhinha que parece uma bonequinha de tão graciosa, acho que eu teria me apaixonado por ele. O mundo está precisando urgentemente de mais pessoas assim.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Esta garotada de hoje vai dominar o mundo

Se você está se sentindo meio pra baixo com todas as injustiças e dificuldades impostas pelo dia a dia de um indivíduo gay, se já está meio cansado de se ver sempre diminuído pelas religiões que pregam a intolerância, então este vídeo vai lhe fazer bem e deve lhe trazer novas esperanças. Primeiro, porque foi postado por um pai. Jonathan Rudolph é o pai de Jacob, e ficou tão orgulhoso do que o filho fez na quinta-feira da semana passada que resolveu compartilhar o vídeo com o mundo.

Jacob subiu ao palco da escola onde frequenta o último ano do ensino médio para receber o prêmio de melhor ator da disciplina de teatro, resultado da votação dos colegas. Ao agradecer o prêmio, ele explica que havia participado de algumas peças e musicais, mas que na realidade teve que representar durante a vida toda fingindo-se de hétero para evitar os ataques e o assédio, e que a partir de agora passaria a ser ele mesmo. Completou a declaração com um discurso lindo e foi ovacionado pelos colegas.

É uma pena que seja uma gravação caseira e o som não esteja muito bom (o discurso está transcrito abaixo). Mas é extremamente reconfortante ver a reação dos colegas e principalmente do pai, que escreveu "meu filho Jacob, na frente de mais de 300 pessoas, incluindo pais, professores, e colegas, fez algo hoje que demonstrou mais coragem do que qualquer coisa que eu já tenha feito em toda a minha vida". Ao final do vídeo o pai de Jacob deixa outra mensagem de esperança pelo fim da violência contra os gays.



O discurso:

"Sure I've been in a few plays and musicals, but more importantly, I've been acting every single day of my life. You see, I've been acting as someone I'm not. Most of you see me every day. You see me acting the part of 'straight' Jacob, when I am in fact LGBT. Unlike millions of other LGBT teens who have had to act every day to avoid verbal harassment and physical violence, I'm not going to do it anymore. It's time to end the hate in our society and accept the people for who they are regardless of their sex, race, orientation, or whatever else may be holding back love and friendship. So take me leave me or move me out of the way. Because I am what I am, and that's how I'm going to act from now on."

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Jonas leva sua mãe para jantar

Mal a língua portuguesa se refez do ataque do gerundismo e já surge outra ameaça no horizonte: o possessivismo. Resultado de traduções preguiçosas do inglês, onde se é permitido abusar dos possessivos, este novo vício se alastra feito chuchu na serra para criar ambiguidades completamente desnecessárias originadas do duplo sentido de "seu/sua" ("dele/dela" ou "teu/tua).

Quando li "Jonas leva sua mãe para jantar" pensei: quem raios é Jonas e por que ele levaria minha mãe para jantar? Hoje mesmo, pela manhã, ainda sonolento li "Como um Fotógrafo pode utilizar melhor seu iPad", que me levou a ficar encafifado imaginando porquê um fotógrafo usaria o meu iPad. Como se vê, está em todo lugar.

O vício tem se alastrado ultimamente, mas não é novo. Desde o tempo do Renato e seus Blue Caps, quando já copiávamos os artistas americanos, que os possessivos insistem em ocupar um lugar que não lhes pertence. Outras bandas conseguiram escapar da tentação (Kid Abelha e os Abóboras Selvagens é um nome que me vem à cabeça).

Em inglês os possessivos abundam; em português não é para ser assim. "Como um Fotógrafo pode utilizar melhor o iPad" dá conta do recado em bom português. E alguém por favor avisa este tal de Jonas que a minha mãe não sai para jantar com desconhecidos.