segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Vamos voltar juntos?

Daniel Ribeiro, idealizador e diretor do curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, recebeu ontem no País de Gales o prêmio máximo do Iris Prize Festival. Uma das particularidades interessantes deste festival de curtas GLBT realizado em Cardiff é que o público é quem sai ganhando: o vencedor leva o prêmio de 25 mil libras esterlinas para realizar um outro curta na Inglaterra. Isto garante que logo poderemos conhecer outro projeto do Daniel Ribeiro.

Eu Não Quero Voltar Sozinho é realmente emocionante. O trio de atores adolescentes é muito bom, e o filme foi realizado com sensibilidade. O próprio Daniel Ribeiro disponibilizou em janeiro o vídeo no YouTube, onde já conta com mais de 700 mil acessos. Vale muito a pena dedicar 17 minutos do seu tempo para ver ou rever esta história.

domingo, 9 de outubro de 2011

A hora do espanto

Eu sempre gostei muito da versão original de A Hora do Espanto, de 1985, com a história do adolescente que descobre que um vampiro acaba de se mudar para a casa ao lado. E ninguém acredita nele, obviamente. No final, para exterminar o monstro, ele busca a ajuda de um apresentador de TV decadente que apresentava programas de terror em um horário de baixa audiência na madrugada. O filme tinha Chris Sarandon esbanjando charme e sedução no papel do vampiro e a graça de Roddy McDowell fazendo o apresentador de TV decadente Peter Vincent, e acabou se tornando cult na subdivisão de filmes de adolescentes contra vampiros, ao lado do também ótimo Garotos Perdidos (de 1987).

A Hora do Espanto original continua bom. Os vampiros e os efeitos especiais continuam assustadores. Quem envelheceu mal foram os adolescentes. Os cortes de cabelos repicados, as vozinhas chatinhas, as ombreiras - as cenas com os adolescentes ficaram com um carimbo de "anos 80" em cima que tira um pouco do foco do terror.

A nova versão (Fright Night, 2011) trouxe a história para os tempos atuais e as sutilezas foram abandonadas em nome de sinais mais claros. O vampiro (Colin Farrell) não tem a sedução tênue do original - agora ele é despudoradamente cafajeste. Os efeitos foram modernizados para incluir muito, muito sangue, corpos explodindo sob a luz do sol, braços arrancados, cabeças cortadas, estacas que atravessam corpos - tudo que um filme de vampiros tem direito. Em um determinado momento tem até uma piada com Crepúsculo, o filme de vampiros assépticos.

Outra grande sacada da nova versão é o personagem Peter Vincent. Agora ele veste calça de couro justa, tem um monte de tatuagens fake, cabelo e bigodes falsos, e apresenta um show de horror em Las Vegas - uma daquelas coisas cafonas tipo Siegfried & Roy, e vai ser obrigado a descer do salto quando perceber que a coisa agora é pra valer. E para coroar o elenco temos a sempre ótima Toni Collette, que traz dignidade para qualquer papel, até mesmo o da mãe de um adolescente caça-vampiros.

Filmes de vampiros não são para qualquer um. Mas quem curte o gênero não vai se decepcionar nem um pouco. Eu adoro na mesma proporção que morro de medo. Levei muitos sustos, cheguei a derrubar a pipoca, e hoje provavelmente vou dormir com a luz acesa. Não poderia ter sido mais divertido.

From Bulgaria with love

A família Rousseff não é o único produto de exportação da Bulgária. No legado que o país vai deixar para o mundo está também Azis, que é cantor pop / político / drag queen / urso / personalidade da mídia / semi-finalista do concurso Eurovision 2006. Ele tem mais barras do que Barbra Streisand na indicação de ocupação.

Considerando-se que a Bulgária tem pouco mais do que sete milhões de habitantes, não seria muita surpresa descobrir que Dilma Rousseff e Azis são primos distantes. Esta semana ele lançou sua nova música,  Hop, que já deve estar no iPod da presidenta para colocar no último volume durante os intermináveis e chatérrimos discursos de políticos nas cerimônias de inaugurações.




sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A idade da histeria coletiva


Não é um barato ver esta histeria coletiva adolescente em torno do Justin Bieber? Gente desmaiando, gritando até engasgar, desfalecendo de paixão. Os adolescentes são capazes de paixões obsessivas e ardentes que têm uma força impossível de se medir. É uma fase necessária da vida, quando a razão e a lógica ainda não estão completamente desenvolvidas. Muita gente olha e acha um absurdo. Esquece que já foi adolescente e que já cometeu todas as bizarrices típicas daquela idade.

Justin Bieber é um produto para adolescentes. Não há nada de errado nisto. Errado seria se eu, do alto da minha idade, estivesse me esgoelando histérico lá na primeira fila. Mais do que errado, seria deprimente. Justin Bieber é para meus sobrinhos de 10 a 15 anos, não para mim. Da mesma forma que seria muito estranho se meus sobrinhos de 10 a 15 anos estivessem super animados com o novo disco do Tony Bennett ou com um show da Omara Portuondo, como eu costumo ficar. Seria bom, mas seria estranho.

Sem noção

Eu já tinho lido muito a respeito da ministra Iriny Lopes, da pasta de Assuntos da Mulher, mas não tinha a menor ideia de que cara tinha a encrenca. Dei uma googlada hoje de manhã e levei um susto: gente, ela é o Laerte! Com todo o respeito, esta foto bem poderia ilustrar qualquer reportagem sobre transexuais.

Brincadeiras a parte, parece que a atribuição de defender a mulher lhe subiu a cabeça, e da pior forma. Depois de tirar o comercial da Gisele do ar, a ministra quer agora alterar os rumos da novela Fina Estampa porque acha que o personagem da Dira Paes é muito submissa. Ah, e ela quer também proibir o quadro de maior audiência do Zorra Total, aquele esquete com a travesti Valéria (o ótimo Rodrigo Sant'Anna).

Imagino que o próximo passo seja proibir os comerciais de produtos de limpeza (todos mostram só mulheres limpando as casas, são sexistas), os comerciais de cerveja (onde as mulheres são gostosas burras e os homens são só burros), as transmissões do futebol na quarta à noite (os times não permitem mulheres jogando, incentivando a discriminação), o banimento dos desfiles de escolas de samba (onde abundam as mulheres com pouca roupa, transformadas em objetos) e a transmissão de filmes de ação americanos onde as heroínas indefesas são salvas por brutamontes treinados em artes marciais (imagino que ela já deva estar preparando uma carta para o Obama pedindo o fechamento de Hollywood).

Ter uma ministra que mostra trabalho é ótimo. Ter uma ministra que não consegue distinguir realidade de ficção é péssimo. Ter uma ministra sem noção é o pior de tudo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Reunião de mal-encarados

Imagine uma sala de cinema lotada de mal-encarados. Só dois assentos vagos. Você ficaria?

Este comercial da cerveja Carlsberg prova que mal-encarados podem ser bem-humorados. Boa sacada.

Steve Jobs 1955-2011


É comovente ver a consternação causada pela morte do Steve Jobs. A reação é típica da perda de celebridades do show business e incomum para um empresário da iniciativa privada. A capacidade da Apple de concretizar os projetos concebidos pela genialidade criativa de Steve Jobs conquistou fãs no mundo todo e o respeito e admiração de seus concorrentes. Não me lembro de outro empresário que tenha alçado esta posição.

Não é exagero dizer que Steve Jobs modificou o mundo. E eu acho admirável que ele tenha feito isto na iniciativa privada e não na política ou com dinheiro público. Entre suas frases mais significativas eu gosto muito de uma que ele disse ao responder uma pergunta sobre pesquisa de mercado: "O usuário não tem obrigação de saber o quê está precisando". Isto resume tudo. A engenhosidade de criar coisas que as pessoas estão precisando mas ainda não sabem que existem.

No começo do ano, em sua última aparição pública, Steve Jobs abriu a apresentação com uma frase bem-humorada do escritor Mark Twain "The reports of my death are greatly exaggerated". Ironicamente, a frase continua sendo verdade mesmo após sua morte. Steve Jobs vai continuar vivendo durante muito tempo por meio de seu legado de criações incríveis.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Who's bad?

Estreou ontem em Montreal o espetáculo THE IMMORTAL, do Cirque du Soleil, todo concebido tendo por base a música de Michael Jackson. Conhecendo-se a notória excelência do Cirque du Soleil e a diversidade de elementos evocados pela música do Rei do Pop, é possível antever que o espetáculo deve se tornar um grande e imperdível show que vai fazer história. A família de Michael Jackson assistiu ao espetáculo de ontem como convidados especiais. Uma turnê está programada para mais de 50 cidades dos Estados Unidos e Canadá, e depois talvez o restante do mundo. Eu quero!