Há algum tempo alguém que eu já nem me lembro mais me deixou um comentário dizendo que minhas críticas políticas tinham a profundidade de uma novela das seis. O comentário me deixou muito lisonjeado, e eu nem sei se a pessoa tinha noção do grande elogio que me estava fazendo.
Nestes tempos em que a novela das nove é indescritivelmente chata e fútil, e a novela das sete é morna e sem empolgação, é A Vida da Gente que tem surpreendido a cada dia. O texto de Lícia Manzo respeita a inteligência do espectador na abordagem principalmente dos diferentes vértices das complexas relações entre pais e filhos e entre os próprios pais. A história é recheada de situações críveis vivenciadas por personagens com uma forte dose de realidade, onde o vilão não é uma perua psicopata que mata a bel-prazer, mas a própria imprevisibilidade da vida que vive nos pregando peças todos os dias.
Outra grande sacada da novela é mostrar os personagens na terceira idade como pessoas normais e sexuadas. Os atores veteranos, entre eles Stênio Garcia e Nicette Bruno que são namorados na trama, falam de sexo, fazem sexo e gostam de sexo. Na cena abaixo, exibida esta semana, Laudelino (Stênio Garcia) está se recuperando de uma cirurgia para a retirada de um câncer de próstata e tem que vencer o constrangimento para se informar com o médico sobre o efeito da operação em sua atividade sexual. A situação é convincente e o texto é esclarecedor.
É uma pena que até o momento não tenha personagens gays em A Vida da Gente. Lícia Manzo teria a sensibilidade e habilidade para apresentar de forma eficiente casais gays normais que também falam, fazem e gostam de sexo.







