terça-feira, 6 de maio de 2014

Natalie Merchant


Era final dos anos 1980 ou início dos anos 1990 e eu estava voltando de uma temporada de trabalho na Arábia Saudita. As viagens para lá eram frequentes e na volta era comum passar 2 ou 3 dias em uma capital europeia tomando um banho de civilização e fazendo uma espécie de "descompressão" antes de voltar para casa. Cheguei em Londres por volta das 8 da manhã, deixei as malas na recepção do hotel, e saí para a rua disposto a não perder um segundo. Lá pelas 10 da manhã eu já estava dentro da Virgin Records da Rua Oxford onde pretendia passar algumas horas explorando (e agora, enquanto escrevo, bateu uma puta saudade daquelas lojas de discos físicas enormes onde era possível passar quase um dia inteiro e ao final sair carregando tudo o que o orçamento permitia e mais um pouco).

Pois bem, mal entrei na Virgin Records e fiquei hipnotizado pela voz linda da música que tocava. Tipo assim, meu número! A música era Poison In The Well do disco Blind Man's Zoo de quando ela ainda se apresentava com a banda que tinha o curioso nome de 10,000 Maniacs, mas foi assim que eu travei conhecimento com a Natalie Merchant. De lá pra cá fui atrás de todos os discos, até das gravações raras, numa espécie de culto por esta voz que me toca profundamente.

Não é de se admirar, portanto, que eu aguardava ansioso o lançamento de Natalie Merchant, que saiu oficialmente hoje - o primeiro álbum de inéditas depois de treze anos. E é óbvio que estou ouvindo sem parar e adorando tudo. Eu sou suspeito para falar de Natalie Merchant, mas uma das vantagens do nosso mundo tecnológico é que ninguém precisa mais depender da opinião de nenhum crítico para decidir comprar um CD. É só pesquisar um pouco, ouvir, e decidir por si mesmo.

9 comentários:

Oliveira Santos disse...

Gostei, é a primeira que ouço esta cantora, não a conhecia, gostei do início da música, meio melancólico tranquilo, me senti em um dia de chuva vendo através de uma janela as gotas de chuva escorrendo na vidraça, depois quando ela fica mais animada, me vi observando as luzes da cidade a noite. Gostei.

Surfer disse...

Eu sou louco por ela... conheci quando morei no Hawaii e sou viciado em tudo o que ela faz, assim como vc descreveu... pra mim, a voz feminina mais linda.

jair machado rodrigues disse...

Eu gosto demais da voz desta mulher, do tempo daquela banda rs, mas o que mais gostei foi o final do teu post, finalmente algo que nos liberta com esta tecnologia escravizante. Eu escolho a música que eu gostar e quizer, muito bom ler isso. Valeu
ps. Carinho respeito e abraço.

Anônimo disse...

"rua" oxford e' foda ne tia!!!
you mean: Oxford Street, naunh!!!

Luciano disse...

Ao Anônimo aí de cima:

Não sei se você percebeu, mas o texto está escrito em português e "Rua Oxford" não tem nada de foda - é uma rua mesmo e se chama Oxford.

Para um tradutor profissional como eu, que adora idiomas em geral, simplesmente dói nos ouvidos ver as pessoas estuprarem o português com inserções estrangeiras completamente desnecessárias do tipo "you mean", ou chamar rua de "street". Repense seu estilo.

Abraço!

Anônimo disse...

Poxa! que interessante poder ver um post falando sobre a Natalie assim, quase que sem querer, meio que uma surpresa, porque ela não é uma cantora muito conhecida do grande público.

Acompanho seu trabalho desde o lançamento do acústico MTV do grupo 10,000 Maniacs, lembro-me perfeitamente do lançamento em seguida do disco Tigerlilly ( o ano era 1995), para mim foi uma época de descobrimento sobre vários assuntos, estava saindo da adolescência e entrando na fase adulta (17 anos), e com os hormônios a flor da pele queria muito ter o meu primeiro relacionamento gay, ter meu primeiro namorado, e o que posso falar é o seguinte: como a música e a voz dessa cantora me ajudou.

Hoje com 37 anos é impossível me desvencilhar desta lembrança, dos momentos que sua voz doce e “tender” me apoiou nos momentos mais difíceis. Tigerlilly foi sem dúvida um grande companheiro (ouçam “The Letter”), um disco que me abriu a cabeça, uma voz que me fez pensar adiante, um ser humano em que me espelhei e que me tornou uma pessoa melhor. Lembro de ficar ouvindo Jealousy e Carnival até tarde da noite, e ficar pensando no que se tornaria minha vida e meu futuro.

Pois bem, posso dizer que no final sempre dá tudo certo, tive em seguida um grande amor que durou mas já acabou, todas as dúvidas e incertezas se foram, o medo do futuro ficou no passado, mas minha paixão por esta mulher ficou, fixou e só aumentou.

Os novos álbuns que seguiram só fizeram concretizar todo este sentimento por esta cantora extraordinária. Aconselho a todos que não a conheçam, pesquisar e ouvir tudo o que puder, vale muito a pena!

Simplesmente minha cantora favorita, porque seu trabalho é coeso, sua voz é brilhante, seu modo de vida admirável e seu albums impecáveis.

Obrigado
andclay@ig.com.br

Edmundo Galiza Matos disse...

Digna de figurar na minha lista de cantoras, que inclui, entre outras, Melanie Safka. Um abraço de Maputo (Moçambique) a todos que gostam da música de Natalie.

Anônimo disse...

Comprei o CD dela, 13 anos atrás, em NY.
Queria muito um novo e não me decepcionei!
Ela é maravilhosa.

Anônimo disse...

Ela é realmente fantástica, sempre fui fã, assim como você fui atrás de varios CD's da época do 10,000, queria ter tudo! E até hoje é uma das minhas cantoras favoritas, uma voz única e sempre abordando temas profundos, tocantes, que infelizmente nem todos conseguem ter sensibilidade suficiente para admirar, talvez por isso ela não seja tão aclamada pelo grande público. Enfim, mas ela está entre as melhores para mim.