terça-feira, 27 de maio de 2014

Praia sem futuro


A celeuma sobre pessoas que abandonaram as salas de exibição de Praia do Futuro supostamente pelas cenas tórridas de sexo entre Wagner Moura e o alemão Clemens Schick, para mim deveriam ser melhor investigadas. Desconfio que o abandono se deva simplesmente ao fato de o filme ser mesmo muito chato.

Li algumas críticas muito boas de Praia do Futuro - em especial esta publicada no Portal Forum que consegue o feito de ser melhor que o próprio filme. O diretor, talvez no afã de evitar o didatismo, acaba contando pouco demais. Em clima modorrento e cinzento o filme descreve a história de um brasileiro que vai para a Alemanha atrás de um rabo de calça e acaba ficando, largando para trás família, emprego e tudo mais. Até aí é não tem nada de diferente da história de muitas outras pessoas que eu conheço pessoalmente. Não é possível concluir pelo filme se Donato (Wagner Moura) era infeliz aqui, se sofria preconceitos, se precisava fugir para se descobrir e viver livremente - isso são apenas conclusões dos muitos críticos e analistas do filme. Entre os dois protagonistas há pouca demonstração de amor, poucos beijos, pouco carinho, e algum sexo que, ao contrário do que a repercussão fez muita gente acreditar, não mostra nada que possa assustar algum adulto desavisado. Na sessão das dez da noite o campeonato de bocejos da plateia competia por atenção com a cena na tela.

8 comentários:

railer disse...

eu não fui ver pois, desde que o filme passou aqui no festival de cinema, todo mundo que eu conheço que viu não gostou e achou mesmo bem chato.

concordo com o que você comentou sobre a questão de que as cenas de sexo talvez não sejam o real motivo da saída das salas.

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Pois então Luciano! Esta onda de babaquice q assola este país já me cansou ... qto ao filme não assisti e nem vou ... não gosto do Wagner e lendo e relendo as críticas e a opinião de amigos q assistiram todos fizeram colocações bem próximas das suas ... sem paciência para ver e dormir no cinema ... rs

Gera Souza disse...

Concordo com você, mas apesar de gostar muito do Wagner Moura, não to com saco pra ver o filme. O tema pra mim já é bem recorrente e massante! Tenho amigos que trilharam pelo mesmo caminho e compartilharam histórias ricas e engraçadas!!

Anônimo disse...

Pois é... Tinha a impressão de que assistiria a uma obra prima, mas assisti apenas a um bom filme.

Marcos disse...

Que pena, tava com esperanças nesse filme.

Nelson disse...

Gostei de ter visto, mas preciso admitir que saí com a sensação de muita pose pra pouco conteúdo, muita beleza (nos takes poéticos, na fotografia, até mesmo na feiúra das locações) pra pouca história. Toda a displicência do filme parece ter sido milimetricamente pensada, e isso tira um pouco do tesão, tudo soa artificial demais. Cada um dos elegantes enquadramentos do diretor parece querer passar uma mensagem a ser compreendida, uma referência a ser captada, um contexto a ser notado, um enigma a ser decifrado, e a certa altura isso começa a pesar. As imagens, por mais que se esforcem - e cara elas se esforçam! - não são suficientes pra sustentar os personagens de Moura e do alemão. É tudo lindo mas vazio. É tudo inevitavelmente pretensioso. Saudades de "O ceu de Suely".

Marcos Campos disse...

Vários amigos que viram, disseram que é chato mesmo.
Então deu uma certa preguiça de ver, acho que vou esperar ficar disponível na TV a cabo e assistir em casa ...

Juliano disse...

Lendo esses comentários só consigo concluir que o filme é melhor apreciado por quem tem algum conhecimento de história e geografia, pois o filme conta metaforicamente várias histórias. Desde o nome de uma praia/bairro que foi planejado para ser uma Barra da Tijuca de Fortaleza, mas acabou nao decolando, ironizando o nome, até a divisao e reunificacao da cidade de Berlin contada pela separacao e reunificacao dos irmaos. Acho que o filme nao precisa contar tudo explicitamente para ter a conclusao óbvia que ele nao era feliz na Praia do Futuro ao ponto de nao voltar, vamos brincar de raciocinar um pouco... Sem falar que a Wagner Moura mostra uma interpretacao excelente e verossímia.