sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Álbum de Família


Ironicamente, Álbum de Família (August: Osage County, 2013) se passa durante a reunião de uma família para o funeral do patriarca. Para quem perdeu o pai há menos de uma semana como eu, as comparações foram inevitáveis. Felizmente o encontro da tela tem muito pouco em comum com a situação que estou vivendo. A família Weston do filme é absolutamente disfuncional, composta por mulheres rancorosas e amargas que transbordam ressentimento.

O filme é baseado na peça teatral que desde 2007 tem sido montada com enorme sucesso em vários países e que ganhou o Prêmio Pulitzer de melhor drama em 2008. O autor, Tracy Letts, participou na adaptação do roteiro para o cinema.

Não se iluda. Álbum de Família não é um filme de família. É um filme de terror. Estas mulheres unidas pelo acidente da genética têm muito veneno para destilar durante o encontro, e quando a gente pensa que a reunião atingiu o porão e o esgoto mais imundo das relações familiares, ainda há muito por vir. Nelson Rodrigues ficaria corado.

O elenco é todo de atores e atrizes de primeiríssima linha, e todos têm a chance de brilhar. Há muito tempo não via uma reação da plateia como neste filme, permanecendo sentada em silêncio durante toda a rolagem dos créditos finais - talvez reunindo forças para sair do cinema depois de ter penetrado de forma indiscreta na intimidade mais escura de uma família tão tóxica.

Um dos grandes problemas do estúdio que produziu o filme vai ser escolher quem, entre Meryl Streep e Julia Roberts, vai ser indicada para concorrer ao Oscar de atriz principal e quem vai tentar o de atriz coadjuvante. No papel de mãe e filha as duas protagonizam o filme com desempenhos de emudecer a plateia, mas não há como partir um Oscar ao meio e a única chance de que as duas venham eventualmente a ser premiadas é indicar uma delas como coadjuvante.

Ao sair do cinema todo mundo vai poder ir para casa com a sensação de que suas famílias são as melhores do mundo.

Desculpem a nossa falha em 2013

Como diria a Sandra Annenberg, "que deselegante!"

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Pai

Meu pai era um homem extremamente comum, destes que passariam facilmente despercebidos no meio de um grupo de pessoas. Não foi um super-homem, um mártir, ou uma sumidade - graças a Deus! Deve ser horrível conviver com um monstro sagrado.

Ele tinha um senso de humor incrível, sempre foi muito brincalhão, e antes de a idade torná-lo frágil ele tinha uma animação contagiante. As pessoas sempre esperavam que ele cantasse nas festas, e ele adorava cantar em público. E cantava muito bem. E contava piadas.

Apoiava a família em tudo, sentia grande orgulho de todos nós, e tinha um respeito enorme por nossas decisões. Jamais ouvi dele uma única palavra ou gesto de desaprovação em relação às nossas escolhas - seu apoio sempre foi irrestrito.

A fragilidade trazida pelo peso dos anos o fez mais introspectivo, mas ele nunca perdeu o bom humor. Tornou-se mais meigo, afável, até suave. Saíamos para tomar café, sentar a uma mesa à tarde e ver a população passar, ver o movimento, e eu gostava muito da companhia dele. Ele adorava pastel de carne, empadinhas, doce de leite, e chocolate.

No último sábado ele levantou-se da cadeira, caminhou até o quarto, e caiu morto antes de alcançar a cama. Meu pai tinha 84 anos e deixa uma saudade imensa.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Anta

Tudo bem, ele já foi exonerado do cargo de secretário da Defesa no estado de Pernambuco. Mas o que não cabe na minha cabeça é como uma anta dessas chega a ser indicada e ocupar por algum tempo um cargo desta importância?

Beijando muito


Esta é a foto que provocou rebuliço ao ser apagada pelo facebook no último domingo. O rapaz de turbante é Kanwar Anit Singh Saini, que é descendente de indianos e vive no Canadá, e é seguidor do Sikhismo - uma doutrina religiosa muito comum na India. Kanwar fez a foto durante um evento em Montreal contra a criminalização da homossexualidade e a postou em seguida. O que se seguiu foi quase uma terceira guerra mundial, especialmente considerando que a família de Kanwar já declarou que prefeririam tê-lo matado se tivessem descoberto antes que ele era gay. Às vezes, para aturar um mundo assim, só mesmo cantando Fuck You (Very Much) e beijando muito...

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Living Life With Derek

Quando estiver precisando de um pouco de inspiração, visite o tumblr LivingLifeWithDerek, uma coleção de imagens fofas, lindas, inspiradoras, tesudas, safadas, tudo junto e misturado. É só ir subindo a tela aos poucos, e as imagens não param de chegar.


Se não encontrar nada ali que levante o seu astral, só mudando de planeta...

2013 - o ano em que vivemos em contato



2013 foi o ano em que eu finalmente encontrei mais um excelente propósito para o facebook como rede social. Além de me manter em contato com parentes e amigos que nem sempre estão por perto, estou carregando a rede com informações diárias que estão compondo uma crônica do meu cotidiano e que servirão para me colocar em contato com o meu eu no futuro. Estou transformando meu facebook em meu caderno de memórias. Quem viu o filme Diário de Uma Paixão (The Notebook, 2004) vai entender melhor do que estou falando.

Imagino-me bem velhinho algumas décadas no futuro, utilizando a tecnologia da época para projetar em uma tela ou um holograma todas as lembranças salvadas e poder reviver memórias importantes do passado. Vai ser um passatempo e tanto poder rememorar amigos, lugares, acontecimentos, pequenos detalhes do dia a dia que normalmente se perdem na memória. Acho que vou gostar de ter um canal para reencontrar o meu eu do passado.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Não esconda nunca


Só hoje vi esta imagem utilizada pela Ray-Ban em uma campanha no ano passado, e me peguei viajando na foto por vários minutos. Imaginando a vida nos anos 1940 e como estaríamos vivendo muito melhor hoje se a defesa dos direitos humanos tivesse começado mais cedo.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Uma história dos direitos LGBT nas Nações Unidas

Há três dias o diretório das Nações Unidas para Direitos Humanos lançou um vídeo institucional relembrando as conquistas no campo de direitos LGBT desde que as Nações Unidas adotaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948. Não há dúvidas de que os últimos dez anos viram muito mais avanços do que todos os outros 55 anos juntos, mas ainda há muito a ser feito.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Boca a boca


Mais uma campanha contra a homofobia utiliza imagens de héteros famosos se beijando, desta vez lançada pela GQ Alemanha para a edição de janeiro 2014. Apesar de a ideia não ser original, acho ótimo que insistam na imagem do beijo. Não é novidade que a visão da troca de carinhos entre os homossexuais normalmente catalisa reações violentas dos homofóbicos. É preciso inundar o mundo com imagens de beijos.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Filmografia 2013

Hora de olhar para trás e morrer de arrependimento por ter perdido tantos filmes bacanas lançados em 2013. Hora de lembrar daqueles amigos que vivem dizendo que amam cinema, mas que nunca vão. Quantos trechos daqui você consegue reconhecer?

Trocando o óleo

Quem não está adorando o mecânico Jucelino em Amor à Vida, que agora resolveu dar em cima do Félix? Maroto e sempre com um sorrisinho safado no canto da boca ele já deixou claro que "não é gay, imagina que absurdo!', mas que "caiu na rede é peixe" e já tentou levar o Félix para o fundo da oficina. Quem nunca conheceu alguém assim?

Como se o uniforme sujo de graxa não fosse fetiche suficiente, o ator Werles Pajero é uma gracinha e está se saindo muito bem.

Em tempo: há muitos anos eu traduzi um relatório de conclusão de um estudo aplicado no Brasil sobre a disseminação do vírus HIV. Uma das conclusões mais importantes era sobre a necessidade de trocar a redação das perguntas e substituir as palavras "gay" ou "homossexual" por expressões do tipo "homem que faz sexo com homem". A razão era simples: existe no Brasil uma quantidade incalculável de homens que transam com outros homens com frequência, mas que vivem vidas tradicionalmente heterossexuais e não se consideram homossexuais. Isso, obviamente, não é novidade para ninguém - ou você nunca conversou com gente que costuma dizer "eu não frequento 'o meio'"?

Não vejo a hora de chegar logo o futuro quando ninguém vai precisar ser isso ou aquilo, e o sexo vai estar muito mais relacionado com o prazer saudável que pode representar do que com todas as outras neuras que atrelaram a ele. Agora me deem licença que vou levar o carro no mecânico para dar uma apertada na rebimboca da parafuseta.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Fernanda

A Fernanda Lima arrasou no evento do sorteio das chaves para a Copa do Mundo. Linda, simpática, elegante, gostosa - foi unanimidade no mundo inteiro. Menos no Irã, é claro, para onde o sorteio não pôde ser transmitido unicamente devido ao decote provocante da apresentadora. Um sem número de iranianos irados invadiram a página da Fernanda no facebook com ofensas baixíssimas, enquanto outros compatriotas correram para colocar panos quentes e se desculpar pela grossura dos primeiros.

Enquanto era possível para qualquer país viver trancado entre muros e se desligar do mundo lá fora, ainda se conseguia barrar os progressos sociais das sociedades mais avançadas. Mas os últimos cinquenta anos trouxeram a televisão, o celular e a internet, e está ficando cada vez mais difícil para as sociedades mais atrasadas segurarem a barra. A intolerância dos mais atrasados é achar que o mundo deve rodar no passo deles. Fernanda Lima não combina com burca.

53 métodos testados e comprovados para sair do armário


2013 está chegando ao fim e é chegada a hora de passar a régua e ver o que sobrou de saldo positivo. Embora sair do armário já tenha se tornado um ato praticamente banal e desimportante, a forma como muitos famosos e anônimos escolheram para compartilhar esta informação com amigos e parentes tem se tornado cada vez mais criativa. O site Towleroad fez uma compilação das 53 saídas do armário mais intensas e inspiradoras do ano de 2013.

Eu gosto, particularmente, das saídas do armário em discursos na frente de toda a turma do colégio - como no caso do Ted Chalfen ou do Jacob Rudolph. Reuniões que têm tudo para serem maçantes e tediosas, e que acabam se transformando em eventos memoráveis para ninguém nunca mais esquecer.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Chegadas


Está causando furor esta história apresentada no Chegadas e Partidas do GNT. Porque esta é a história de todos nós, ou pelo menos a história que muitos de nós já viveram ou gostariam de viver - aquela paixão estonteante que vem e que pega e que não deixa nem você pensar direito.

Meu falecido amigo Hernâni costumava dizer que a paixão homossexual é, via de regra, muito mais forte que a paixão heterossexual. E a explicação é muito simples: é preciso quebrar muitas barreiras e reunir muita coragem para ir contra tudo o que lhe foi ensinado desde criança. Com isso a carga vem potencializada e com tamanha intensidade que tem dias que parece que a gente vai morrer de paixão. Concordo com ele. O amor é lindo, mas a paixão é sublime.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Carrie, a Estranha


Desde quando tomei conhecimento há mais de um ano que estavam refilmando Carrie, a Estranha que fiquei ansioso. Fariam justiça com este clássico do cinema de horror lançado em 1976 com direção de Brian de Palma, roteiro baseado no livro de Stephen King, e com elenco impecável que trazia Sissy Spacek Piper Laurie (que foram indicadas para Oscars de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante), Amy Irving, e até John Travolta novinho em início de carreira? Com um grande alívio, a resposta é sim. E em alguns aspectos este remake consegue superar o original.

O filme de 1976 sempre foi um dos meus filmes favoritos de horror. Vi várias vezes no cinema, comprei o VHS, e li o livro na época. A história da garota diferente vitimizada pelo bullying cruel na escola e que se vinga de todos em uma cena apoteótica durante a formatura da turma é de fácil identificação. Quem nunca sentiu vontade de torcer uns pescoços por aí só com a força do pensamento?

Esta versão atual é bastante fiel à versão original. A maior diferença é apenas uma cena extra que constitui o prólogo do filme e mostra o nascimento de Carrie e que não existia na versão original. A história foi modernizada onde possível (as ferramentas do bullying de hoje - especialmente a disseminação de vídeos pelas redes sociais - são mais cruéis e foram transpostas para o filme), mas segue o original quase à risca.

O grande trunfo está no par de atrizes principais. Piper Laurie teve desempenho digno de Oscar em 1976, mas a mãe fanática religiosa feita por Julianne Moore é absolutamente apavorante e real. Coincidência ou não, lembra muito a Shirley Phelps Roper, fanática religiosa da Westboro Baptist Church, que vive de atormentar os gays e todo mundo que quer ter uma vida normal. Julianne Moore está assustadoramente ótima e apavorantemente perfeita no papel.

Ponto também para Chloë Grace Moretz, que já arrebentou a sapucaia em Deixe-me Entrar e A Invenção de Hugo Cabret - entre outros, e que aos 16 anos é uma das atrizes mais promissoras de sua geração. Sissy Spacek tinha 27 anos de idade quando interpretou Carrie e conseguiu passar a ilusão de ser uma adolescente, mas Chloë Grace Moretz obviamente tem o olhar, o rosto, e o físico muito mais apropriados para o papel sem precisar de nenhum artifício para aparentar menos idade.

Hoje eu provavelmente vou precisar dormir com a luz acesa.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Rebuceteio

Fiquei ouriçado de saber que no ano que vem a Globo vai apresentar um remake da novela O Rebu, exibida originalmente em 1974. O Rebu foi uma das novelas mais instigantes que já assisti. Para começar, a trama se passa todinha em um único dia durante uma grande festa na casa de um magnata, e na manhã seguinte (quando a gente descobre que houve um assassinato durante a festa), com alguns flashes do dia anterior. Passam-se vários capítulos até descobrirmos quem morreu e a novela toda para descobrirmos quem matou. A estrutura linear da narrativa é todinha desconstruída e as cenas são fragmentadas como num quebra-cabeças, e tudo é feito de forma absolutamente inteligente.

Além disso tudo, a novela ainda tinha um romance secreto entre o magnata (interpretação magistral do falecido Ziembisnki) e um michê (feito pelo Buza Ferraz, também já falecido, lindo na época com 24 aninhos de idade). Tudo na novela transgredia o que já havia sido feito antes.

Não vejo a hora de conferir se vão conseguir refazer a novela com a mesma maestria do original ou se vão destruir algo que na minha memória afetiva ocupa um lugar muito especial.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Gente como a gente


Criado pelo fotógrafo Kevin Troung, o The Gay Man Project cataloga histórias de homens gays em seu habitat natural - do Rio de Janeiro a Paris, do Canadá ao Vietnam. Coincidentemente, a história de hoje é de um brasileiro: Thiago, produtor de eventos, do Rio de Janeiro. 

Eu passei horas viajando pelas imagens e pelas histórias incríveis dessa gente como a gente.


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Comemore!

Hoje é dia de ação de graças, um feriado que nos Estados Unidos é comemorado por muitas famílias com encontros e celebrações que superam o próprio Natal. Aproveite a data e não dê descanso ao peru!


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Looking


Saiu hoje o novo trailer da série Looking que estreia na HBO americana em 19 de janeiro. Quem aí não está em contagem regressiva?

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Do Peru


Está causando furor o lançamento esta semana da campanha "casais imaginários" no Peru. A campanha contra a homofobia foi lançada na França pelo fotógrafo Olivier Ciappa e tem recebido edições locais em alguns países, com a exposição de fotos de celebridades heterossexuais simulando momentos de descontração do cotidiano de um casal gay e a mensagem "Amar não é crime" (veja outras fotos da campanha aqui).

Não é novidade para ninguém que a troca de afeto entre um casal gay em público, ou mesmo na televisão, só desperta estranheza devido à raridade. Este tipo de exposição é muito bem-vindo e muitíssimo necessário. Todo mundo certamente se lembra da celeuma causada há pouco tempo quando o jogador Sheik publicou uma foto trocando um selinho com seu melhor amigo. É preciso mostrar mais.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Meu amigo petista

Eu tenho um amigo petista que não come ou dorme direito há três dias, desde que foram presos os primeiros mensaleiros. Meu amigo está plenamente convencido de que há uma grande conspiração em curso no país e não consegue entender como se passou mais um dia e não há milhões de pessoas nas ruas clamando por justiça.

Não adianta tentar explicar para ele que o julgamento foi feito por um tribunal dos mais altos juízes do país, e que a maioria destes juízes foi indicada pelo próprio PT na pessoa do ex-presidente Lula ou da presidente Dilma. Ou que o partido dele está no poder há onze anos e não é, portanto, uma força clandestina sendo achacada por um governo de exceção. O partido dele É o governo.

Há algum tempo eu li uma ótima reportagem sobre como funciona o cérebro de um fanático. Não consigo agora me lembrar da fonte, mas ainda hei de localizá-la para uma segunda leitura. Pois bem, o artigo falava sobre as similaridades entre o funcionamento do cérebro do fanático religioso, do fanático por futebol, do fanático político, do homofóbico - e de como é criada a cegueira que bloqueia a inteligência e o julgamento e impede o funcionamento do bom senso em casos assim.

É muito parecido com aquelas pré-adolescentes que gritam ensandecidas e desmaiam toda vez que o Justin Bieber aparece na janela de um hotel. A diferença é que estas pré-adolescentes têm por volta de 12 anos e um cérebro que ainda não foi alimentado pela vida. Meu amigo tem 49 anos e curso superior. O caso dele é sério.

sábado, 16 de novembro de 2013

Você está sendo roubado

Já faz bastante tempo que percebemos que os preços fugiram do controle aqui no Brasil, e da pior forma. Temos os carros mais caros do mundo, os eletrônicos mais caros do mundo, a pizza mais cara do mundo, os imóveis mais caros do mundo, e por aí vai. Só não temos os salários mais altos do mundo.

Há alguns meses o New York Times dedicou uma reportagem ao Brasil com uma manchete cheia de espanto: "Brasil, o país onde uma pizza custa 30 dólares!". A reportagem critica também o fato de um hotel fedorento no Rio ter o desplante de cobrar 250 dólares por uma diária.

Caminhando por Poços de Caldas no último final de semana cheguei a um restaurante na Praça Dom Pedro II. Lugar gostoso, bem decorado com motivos mexicanos, com atendentes atenciosos e simpáticos, mesinhas na calçada. Comi o cardápio do dia com arroz, tutu de feijão, couve na manteiga, ovo frito e salada mista com uma bisteca de porco simplesmente deliciosa. Cafezinho e sobremesa (doce-de-leite com coco) faziam parte do pacote. Paguei 6 reais! Isso mesmo: SEIS REAIS!! (taí a foto para comprovar). Vale ressaltar que o local era um restaurante típico da cidade (não era nenhum lugar subsidiado), aprazível, e que o serviço e o produto eram realmente bons. Na minha cidade com 6 reais eu consigo tomar, no máximo, um cafezinho. Em São Paulo, com este dinheiro não se consegue nem estacionar o carro.

Também gosto muito de visitar a histórica São Luiz do Paraitinga. No restaurante self-service ao lado do mercado, que tem uma varanda no segundo andar e vista para o rio, é possível comer à vontade (com variedades de saladas e carnes) pelo preço fixo de 14 reais! Quase o mesmo preço de alguns cafés do Starbucks. Em São Paulo dificilmente se compra um sanduíche com este dinheiro.

Eu sei que somos nós mesmos que alimentamos esta economia perversa. Que boicotes não funcionam na nossa cultura. Que sempre existe alguém disposto a pagar o preço abusivo. Que nos sujeitamos a ser extorquidos devido à falta de opções. Mas, é muito triste...


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Uma cidade inteira sai do armário


Nota-se nas campanhas inclusivas dos Estados Unidos uma nova estratégia que tem tudo para dar bons resultados: trabalhar as regiões que representam o atraso na aceitação da igualdade de direitos LGBT. Há pouco alguns programas promoveram debates, sempre com uma pitada de humor ácido, sobre qual deve ser o último estado americano a reconhecer a igualdade no casamento. Teoricamente, seria também o "estado mais atrasado da nação".

É com base nestes novos ares que funciona este vídeo muito bacana sobre Richmond. Richmond, capital do estado americano da Virginia, é uma cidade cheia de significado histórico que foi capital dos estados confederados durante a guerra civil americana. Justamente pelo alto significado histórico, carrega também fama de conservadora e intolerante. O vídeo tenta acabar com esta má fama, e celebra não apenas a comunidade LGBT local mas também os lugares e estabelecimentos de Richmond que colocaram abaixo o preconceito, e convida a cidade toda a sair do armário.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Costumes

Buscando um lugar tranquilo para descansar, passei o último final de semana em Poços de Caldas - que eu ainda não conhecia. A cidade nem é assim tão pequena, mas ainda preserva uma tranquilidade típica do interior de Minas.

Poços de Caldas ainda carrega alguns valores que a minha cidade atual já perdeu. As famílias frequentam as ruas e praças à noite, parece não existir pressa para nada (nem para falar!), e o trânsito é muito educado. Uma das maiores surpresas foi ver a animação à noite em volta do coreto na praça central, onde as pessoas da cidade dançam ao som da sanfona (não resisti e fiz este vídeo abaixo). Na minha cidade uma iniciativa assim não demoraria a atrair uma horda de bêbados, viciados, e trombadinhas.


Tudo isso serviu para me fazer refletir sobre as coisas que vamos perdendo pelo caminho com o progresso e a evolução dos costumes. Uma cidade do interior é certamente mais segura e tranquila, mas provavelmente mais homofóbica. Em contrapartida, a população da cidade grande está exposta a menos homofobia e mais aceitação da diversidade, mas para isso precisa conviver com a violência, a pressa, e a queda da qualidade de vida. Encontrar o melhor dos dois mundos nem sempre é fácil.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O rei


Eu não estou conseguindo levar a sério o vídeo do rei do camarote porque acho absurdo demais para ser verdade. Ninguém é assim tão bobo, tão sem noção e tão "se achando". Acho que a verdade da pegadinha ainda vai aparecer.

Enquanto paira a dúvida se realmente é uma piada mal entendida, uma ironia mal interpretada, é interessante que tenha vindo no mesmo final de semana que o ótimo texto "Guinada à direita" do Antônio Prata na Folha de domingo que recebeu uma avalanche de ataques tão grande que ele precisou vir à público para explicar que estava sendo irônico.

Perde a graça toda piada que precisa ser explicada. Vivemos numa época de preguiça de pensar tão grande, tão preto no branco, que a ironia fina e o sarcasmo ferino podem passar completamente desapercebidos. Mas o pior é que os tempos andam tão bicudos que a gente corre até o risco de enxergar ironia onde só havia mesmo uma imensa pobreza de espírito.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Passenger


O inglês Mike Rosenberg fundou a banda Passenger há dez anos, quando tinha apenas 19 anos de idade. O grupo se desfez depois do primeiro álbum, e Mike Rosenberg assumiu o nome artístico Passenger para sua carreira solo.

Quem o vê pela primeira vez se surpreende com sua voz única, impossível de intuir pelo visual barbado e olhar de menino carente. O álbum mais recente, All The Little Lights - que é uma delícia do começo ao fim - já está no mercado há mais de um ano e só agora, inexplicavelmente, está sendo descoberto pelas estações de rádio de todo o mundo.

sábado, 2 de novembro de 2013

Ronan

Um mês após Mia Farrow ter surpreendido o mundo com a revelação de que o filho que ela criou como se fosse dela e do Woody Allen ser talvez filho do Frank Sinatra, revela-se outro detalhe sobre a vida do garoto: Ronan Farrow é gay.

Todos estes detalhes, incluindo o da paternidade, são mais interessantes para a imprensa ávida por esmiuçar a vida das celebridades do que para a própria família. Segundo relatos, a paternidade de Ronan já era conhecida desde que ele era um garotinho e exatamente por isso ele sempre conviveu muito com o clã Sinatra e sempre foi tratado por eles como família.

A VICE questiona o fato de que perfis detalhados de Ronan Farrow foram descritos em publicações como o New York Times e a Vanity Fair com riqueza de detalhes familiares íntimos mas sem qualquer menção à sexualidade do rapaz. E pondera: é justificável mencionar a homossexualidade de uma celebridade ao traçar-lhe um perfil, não com o objetivo de arrancá-la do armário, mas com o propósito de oferecer aos leitores um perfil sério mais aprofundado da pessoa? Segundo a publicação, sim, a sexualidade de uma celebridade é extremamente relevante quando se desenha um perfil pessoal, especialmente em tempos em que uma revelação deste tipo não é mais considerada constrangedora.

Eu já desconfiava. Ronan Farrow é bonito demais para ser hétero.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Disponível

O monumento aí da foto é o Ray Sandoval, coordenador da campanha de um dos candidatos a prefeito da cidade de Santa Fe, capital do estado de Novo Mexico, nos Estados Unidos. Esta é uma foto caseira que ele mesmo havia publicado no facebook há algum tempo e que agora está causando furor depois de ter sido usada sem o consentimento dele em alguns sites de busca de sexo gay com o objetivo de difamá-lo. Campanhas políticas, lá como aqui, vêm acompanhadas de montanhas de golpes baixos.

Não há nada de errado em buscar sexo onde o sexo está, mas todo mundo sabe que eleições significam hipocrisia elevada à máxima potência nas cabecinhas de eleitores geralmente conservadores. Para quem se interessou, Ray Sandoval é gay sem grilos, costumava levar o maridão em todos os eventos oficiais dos quais participava, mas está solteiro no momento.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Como querer caetanear o que há de bom

Este ano não está sendo muito bom para Caetano. Primeiro foi a defesa dos mascarados e a foto que estampou sua cara com máscara quando o movimento dos black blocs começava a se aproveitar da sinergia das manifestações de rua. Não demorou muito para os vândalos mascarados caírem em desgraça e passarem a ser odiados por 98% da população.

Depois veio a polêmica das biografias não autorizadas e Caetano defendendo o controle da informação em plena era da Internet. É, este ano não está sendo muito bom para Caetano. O pior é que ainda faltam dois meses para o ano acabar, e Caetano poderia aproveitar para cantar mais e falar menos, ou vai ficar cada vez mais difícil caetanear o que há de bom.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Bridegroom


Lembra daquela história super triste que fez todo mundo chorar há pouco menos de dois anos, dos dois garotos que tinham uma linda história de amor e estavam prestes a se casar, e então um deles morre em uma queda acidental do quarto andar de um prédio enquanto fotografava? E de como a família do rapaz morto nem permitiu que o companheiro dele participasse da cerimônia do enterro, e da tristeza enorme que ele conseguiu capturar no vídeo contando a história deles e que fez um sucesso estrondoso na Internet?

Não há quem tenha tomado contato com a história do Tom e do Shane sem derramar um rio de lágrimas. Uma história verdadeira que pode acontecer com qualquer casal que convive com a família hostil do companheiro.

Muita gente se comoveu com a história, e a diretora Linda Bloodworth Thomason resolveu transformá-la em documentário. Bridegroom (que é o sobrenome de Tom, o rapaz morto, e coincidentemente em inglês também é a palavra usada para se referir ao noivo no dia do casamento) estreou exatamente ontem nos Estados Unidos no canal OWN da Oprah Winfrey. Por sorte nossa, o filme já está disponível também aqui no Brasil, com legendas opcionais em português, pelo Netflix. Então pega uma caixa de lenços e corre lá para ver - você vai certamente acordar com os olhos inchados amanhã, mas vai ter valido muito a pena.

Te contei?

A indústria da fofoca não deve desaparecer tão cedo. Sempre haverá quem se interesse por detalhes da vida das celebridades e sub-celebridades, às vezes até mesmo como simples exercício de leitura para antes do café da manhã. Mas no mercado americano da indústria da fofoca, um segmento passa por uma verdadeira crise: aquele especializado em colocar dúvidas sobre a sexualidade das estrelas, normalmente em notícias enviesadas cheias de expressões de duplos sentidos. Segundo artigo publicado ontem no New York Times, com a crescente aceitação da homossexualidade e a aprovação da equiparação do casamento, ser gay deixou de ser notícia. Melhor ainda, deixou de despertar interesse.

Estes ventos também sopram por aqui e não vai demorar muito para que pessoas como a Fabíola Reipert, do R7, especializada em redações tortuosas de sentidos dúbios, tenham que tentar emprego na seção de culinária.

sábado, 26 de outubro de 2013

Raridades

Ane Brun, a cantora norueguesa que vive na Suécia e faz sucesso no mundo todo com sua voz angelical etérea, acaba de lançar um álbum duplo com a raspa do tacho de seu arquivo musical. Juntou todas as faixas e gravações feitas ao longo de vários anos e que nunca tinham visto a luz do dia em Rarities, lançado oficialmente há duas semanas.

Ane Brun nunca falha na tarefa de evocar sensações oníricas com a voz que muitas vezes chega a se confundir com o som de um instrumento. Gostei de tudo, principalmente desta versão de Halo (original da Beyoncé), ideal para estas noites quentes de primavera.

Ane Brun - Halo:

Felicidade é...

E quando a gente pensa que já viu de tudo na revolução bolivariana que a ridícula esquerda da América Latina tenta implantar a qualquer custo no continente, Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, cria mais um órgão: o Vice-Ministério para a Suprema Felicidade Social do Povo. Para mim soa como ideia da Rainha de Copas de Alice no País das Maravilhas, especialmente em se tratando de um país onde falta tudo, de leite até papel higiênico. Vamos ver quanto tempo vai demorar para alguém do lado de cá ter alguma inspiração semelhante.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A vida real

Fiquei triste de saber que a Grazi e o Cauã Reymond estão se separando e que a briga parece ser dolorida, com lances de traição e outros detalhes sórdidos que as revistas de fofoca vão adorar explorar. Revelada em uma edição do Big Brother Brasil (a mesma que nos deu Jean Wyllys) Grazi era um dos melhores exemplos atuais de Cinderela - a moça pobre, trabalhadora, que dá duro e vence na vida para finalmente casar com o príncipe encantado - tudo isso desenrolando na frente dos nossos olhos.

Espero que eles consigam um mínimo de privacidade para poder atravessar tudo isso se machucando o menos possível - um desejo quase irrealizável no mundo atual em que a vida privada das celebridades é praticamente transformada em um reality show. Cauã e Grazi eram o Tarcísio e Glória da nova geração.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Etiquetando

A baixíssima qualidade da educação nas últimas décadas produziu no país uma geração de pessoas que mal sabem escrever e que têm uma enorme dificuldade para discutir diferentes pontos de vistas. Impossibilitadas de se expressar de forma minimamente compreensível em um debate, encerram qualquer argumento colocando uma etiqueta no interlocutor e abandonando a disputa com a certeza de que venceram. Tenho visto isso com uma frequência alarmante, e sinto muita pena dessa geração do vazio intelectual.

Se você tenta discutir os programas sociais do governo, vira "de direita". Fim do debate. Tenta discutir sobre testes em animais, vira "idiota insensível". Fim do debate. Tenta lutar contra tudo isso que está aí, vira "vândalo". Fim do debate. Tenta defender seus valores, vira "classe média". Fim do debate.

E assim passam o dia inteiro classificando gente. "Judeu". "Bicha". "Homofóbico". "Evangélico". "Comunista". "Fascista". Quando você estiver em dúvida sobre o que dar a qualquer um desta geração que o faça muito feliz, dê-lhe um carimbo.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Stephen Fry é o cara

Stephen Fry é o protagonista de um de meus filmes favoritos: Para o Resto de Nossas Vidas (Peter's Friends, 1992). Mas ele é muito mais do que apenas um ótimo ator britânico: ele é também poeta, roteirista, escritor, jornalista, comediante, radialista, e arrisco-me a afirmar que Stephen Fry é uma das mais brilhantes mentes pensantes da atualidade.

No final de 2009 Stephen Fry apresentou-se em um debate com um discurso arrasador sobre a perversidade da Igreja Católica e os males que ela tem causado ao mundo como instituição organizada. O vídeo é para ser visto e revisto várias vezes e o texto de Stephen é de uma lucidez raras vezes vista. Quem entende inglês certamente vai gostar de ler o texto original do discurso, que merece ser emoldurado e exibido em público.

O projeto mais recente do ativista/jornalista para a BBC é o documentário Out There, que envolve visitas a lugares de grande repressão às comunidades homossexuais, incluindo entrevistas com personalidades homofóbicas do local. As regiões escolhidas foram Rússia, India, Uganda e Brasil. O programa já começa a ter repercussões ao redor do mundo. No segmento dedicado ao Brasil, uma entrevista  com o deputado Jair Bolsonaro (abaixo).

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Luzes


O investimento na nova câmera está se mostrando compensador. Minha câmera antiga já tinha cinco anos, e a evolução da tecnologia de imagem em cinco anos é considerável. Fiz a foto acima de forma despretensiosa, sem nem me levantar da mesa onde tomava um café com algumas amigas. Queria testar o recurso de compensação de contraluz, e me surpreendi positivamente com o resultado. A câmera deteta a condição de luz adversa e registra na memória várias imagens para internamente obter o melhor resultado pela soma das médias. Gostei. Acho que eu e a nova Sony DSC-HX300 vamos ser grandes companheiros.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Saia justa, situação godê


Foi ao ar ontem o Saia Justa com a participação da Paula Lavigne discutindo sobre a polêmica das biografias. Segundo as apresentadoras, o programa foi o mais polêmico de toda a sua história (dá para ver aqui) e incluiu até um golpe baixo de Paula Lavigne que tentou usar a homossexualidade da apresentadora Barbara Gancia para constrangê-la.

No programa muito se falou dos Estados Unidos como exemplo de país onde as leis e a sociedade já estão mais evoluídas. O que nenhuma delas se lembrou foi que a disputa "liberdade de expressão" x "privacidade" já foi considerada recentemente em decisão da Suprema Corte daquele país. O caso envolveu a odiosa Westboro Baptist Church, processada pelo pai de um fuzileiro naval morto em combate que sentiu seu direito à privacidade invadido pela Igreja que fez um protesto horroroso no funeral do soldado. O caso foi acompanhado de perto por muita gente indignada pelo desrespeito da Westboro Baptist Church em um momento de luto e extrema dor em que a família de um soldado que sacrificara a vida pelo país precisava de privacidade.

O resultado: a Suprema Corte reconheceu o valor da privacidade, mas decidiu que a liberdade de expressão é um bem muito maior e mais precioso. Na época comentei aqui. A premissa é simples: em uma sociedade livre que pretende aperfeiçoar continuamente os mecanismos da liberdade, não é concebível alimentar monstros como a censura. A se atender à turma da Paula Lavigne, cria-se um monstro cujo poder ninguém pode prever onde vai acabar.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Todas as mulheres que eu amei

Aos 80 anos de idade, Willie Nelson continua sendo um dos cantores americanos mais produtivos, chegando muitas vezes a lançar mais de três álbuns no espaço de um ano. Um dos principais responsáveis pela transposição da música caipira americana para o cenário pop, Willie Nelson já conseguiu imprimir sua marca a todos os tipos de música - seus CDs com regravações dos standards americanos vendem muito bem até hoje.

Willie Nelson é queridíssimo por cantores de todos os gêneros e tem atuado intensamente na causa pela igualdade de direitos dos gays e pela aprovação do casamento igualitário. Não só participou de campanhas como também gravou há algum tempo Cowboys are Frequently Secretly Fond of Each Other, música de letra explicita sobre cowboys gays.

Willie Nelson enfrentou problemas sérios no final dos anos 80 quando perdeu a maior parte de seus bens para pagar impostos sonegados ao longo de vários anos, e no começo dos anos 90 com o suicídio de um de seus filhos - mas nunca parou de lançar discos com uma frequência impressionante. Do final de 2011 para cá são quatro álbuns: Remember Me, Vol. 1 - com regravações de sucessos da música country americana dos últimos 70 anos, Heroes - com uma combinação de músicas novas e antigas cantadas quase todas em parceria com seu filho Lukas Nelson, Let's Face the Music and Dance - uma coleção de standards menos conhecidos (que inclui uma gravação inspirada de Twilight Time), e nesta semana de outubro está lançando To All The Girls....

To All The Girls... homenageia as vozes femininas que lhe fazem companhia, uma em cada faixa. São 18 duetos com vozes conhecidas como Norah Jones, Rosanne Cash, Wynonna Judd, Shelby Lynne, Loretta Lynn, Alison Krauss, Brandi Carlile, Emmylou Harris, Sheryl Crow, Carrie Underwood, Dolly Parton, e outras, incluindo sua filha Paula Nelson neste delicioso dueto de Have You Ever Seen The Rain? (original do Creedence).

Willie Nelson (feat. Paula Nelson) - Have You Ever Seen The Rain?

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Criolo doido



Eu gosto muito do Criolo e tenho que confessar que ele é uma das poucas coisas que consigo ouvir entre o novo que surgiu na música brasileira nos últimos anos. E acho incrível esta iniciativa dele de distribuir as músicas de graça (para quem faz questão de pagar, as músicas também estão à venda no iTunes e em outros sites de música).

Ontem ele lançou duas músicas inéditas (Duas de Cinco e Cóccix-ência) que já estão disponíveis para baixar em alta qualidade no site do cantor. No site, na opção Músicas, continua também disponível o excelente álbum Nó na Orelha (de 2011) para download gratuito na íntegra.

As músicas novas continuam com o mesmo mojo, aquele charme misterioso que atrai a gente sem a gente saber explicar porquê.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

De castelos e cavaleiros

Eu tenho trabalhado muito nas últimas semanas e quase não tenho tido tempo para as coisas que gosto. Mas, tudo bem, é só uma fase que passa. Então eu decidi que quando eu voltar a ter mais tempo para o meu ócio criativo eu quero voltar a fotografar mais. Pensando nisso eu comecei a modernizar meu equipamento e comprei neste fim de semana uma câmera nova - a Sony DSC-HX300 - que tem zoom óptico de 50 vezes e por isso é excelente para retratar flagrantes do cotidiano sem perder a qualidade da imagem e sem que o assunto perceba que está sendo fotografado. E eu adoro fotografar estranhos na rua fazendo coisas comuns. No sábado de manhã eu fiz este teste da sacada do meu apartamento e me surpreendi com a potência do zoom.

Estes castelos pertencem ao Dr. Fernando Mendonça, um visionário aqui de São José dos Campos que teve papel fundamental na corrida espacial brasileira. Ele já foi diretor do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), morou muito tempo nos Estados Unidos onde fez mestrado e doutorado em áreas de ciência espacial, e hoje é um senhor de cerca de 80 anos que tem um papo interessantíssimo, muitas histórias para contar, adora vinho, e mora com a esposa neste castelo (cuja construção ele mesmo supervisionou) onde muitas vezes promove concertos e apresentações para grupos seletos de amigos. A filha dele mora no castelo da frente.

A olho nu da minha sacada os castelos são apenas uma mancha distante no meio da floresta.

domingo, 13 de outubro de 2013

Na alegria e na tristeza

Daniela Mercury dá mais um exemplo de como a vida deve ser vivida. Casou-se oficialmente ontem com Malu Verçosa em Salvador e aproveitou para comemorar com os amigos em festa para mais de 200 convidados. 

Coincidência ou não, o casamento aconteceu no dia seguinte ao dia que os americanos escolheram como Dia Nacional de Se Assumir (National Coming Out Day) e Daniela Mercury não poderia ter escolhido forma melhor para comemorar a data.

sábado, 12 de outubro de 2013

Gravidade


Gravidade (Gravity, 2013) é realmente tudo isso que estão falando por aí, e muito provavelmente o melhor filme do ano. James Cameron não exagerou, e estava até sendo modesto, ao dizer que o filme dirigido pelo colega Alfonso Cuarón é o melhor filme já feito sobre espaço. Gravidade é simplesmente fenomenal.

Fenomenal na realização dos visuais estonteantes de uma história que se passa toda no espaço, mas não no espaço profundo das aventuras estelares. O espaço de Gravidade se situa a cerca de 600 quilômetros de altura, de onde se pode ter uma visão absolutamente privilegiada do planeta Terra que permite distinguir oceanos e continentes, tufões e tempestades.

Fenomenal na direção de imagens em um ambiente onde não existem planos e o conceito de vertical ou horizontal é totalmente relativo. A câmera se movimenta continuamente e livremente pelo espaço, como se flutuasse, muitas vezes penetrando os capacetes dos astronautas em sequências sem cortes e assumindo o ponto de vista do personagem.

Fenomenal no roteiro eletrizante que consegue fazer com que uma história com apenas dois atores em cena não tenha um único minuto cansativo. Pelo contrário. Não foram poucas as vezes em que me impacientei no assento, tamanha a angústia e a intensa aflição pelo desenrolar dos acontecimentos. 

O filme abre com uma equipe de astronautas executando um reparo na estação espacial americana. Alguns minutos depois a calma é quebrada por uma chuva de destroços causada por um satélite russo atingido, que destrói praticamente tudo e deixa apenas os astronautas Ryan Stone (Sandra Bullock) e Matt Kowalski (George Clooney) soltos na imensidão do espaço. A partir deste ponto tudo que pode dar errado dá. A lei de Murphy provavelmente nunca foi explorada antes na tela do cinema com tanta crueldade e infalibilidade.

Desde 2001: Uma Odisséia no Espaço, que é de 1968, não se fazia um filme tão bom sobre o espaço.

Fogo e Chuva

Foi exibido na última quarta-feira nos Estados Unidos o episódio especial de Glee em homenagem ao Finn - personagem do ator Corey Monteith, morto recentemente. Impossível não se emocionar com a pungente apresentação de Make You Feel My Love na voz de Lea Michele - que era namorada de Corey na vida real. A Fox liberou os vídeos das homenagens musicais apresentadas no episódio (o site Towleroad fez uma compilação deles para assistir um a um, aqui). Um dos meus momentos favoritos foi esta homenagem carinhosa com a clássica Fire and Rain, composta e gravada por  James Taylor em 1970.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Mato Sem Cachorro


Eu não sou grande fã das comédias românticas americanas com bichos - geralmente cachorros - que "pensam" e "conspiram" para seus donos ficarem juntos e fazem toda espécie de gracinha animal. Felizmente o brasileiro Mato Sem Cachorro não se encaixa nesta categoria. É boa diversão, ágil, bem escrito e bem realizado, engraçado, e o cachorro Guto é só um cachorro - um personagem importante mas que não ganha a faculdade de "pensar" e "conspirar" para unir seus donos (Bruno Gagliasso e Leandra Leal, ótimos, e que têm a pitada certa de ingenuidade para o papel).

O filme não é para crianças, e a quantidade de palavrões cabeludos pode chocar até mesmo alguns adultos mais pudicos. Gabriela Duarte faz uma ótima participação como a garota de boca mais suja do que um bueiro, e Danilo Gentili solta palavrões com a naturalidade de quem respira.

O filme tem algumas sacadas geniais, como a cantora Sandy fazendo ela mesma e tendo a oportunidade de rir de uma piada de si mesma. Na história, o personagem de Bruno Gagliasso (que faz montagens musicais) está sendo processado por ter colocado na Internet uma montagem com cenas capturadas de um flagrante da Sandy que passa longe de confirmar a fama de certinha da cantora.

Uma grata satisfação foi ver a sala de cinema lotada no final de semana de estreia de um filme nacional, e perceber a reação positiva do público. Mato Sem Cachorro é ótima diversão para adultos.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Cher - Closer to the Truth

O tempo parece que não passa para a Cher, em mais de um sentido. Closer to the Truth soa exatamente como uma continuação de Believe (quem não rodopiou perdidamente ao som de Do you believe in life after love?) de 15 anos atrás, e isso não é uma coisa ruim.

Pode ser cedo demais para se perder em reminiscências do século passado, mas Closer to the Truth funciona muito bem como antídoto para quem arde de saudades do álbum com o qual Cher fechou o milênio em 1998.

Jordan + Devon


Nada como começar o dia com os óculos embaçados por lágrimas de emoção. Se você também estava com saudade dos inspiradores vídeos de casamento, emocione-se com a felicidade do Jordan e do Devon, que se casaram recentemente na California ao lado de amigos e família.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Enquanto isso, no Olimpo...



Depois de ver a prévia do calendário Les Dieux du Stade 2014 só sei que quero chegar no céu logo.


Heyward Howkins


Eu não conhecia o Heyward Howkins e nem tenho ideia de como o meu nome foi parar no mailing dele, mas só sei que fiquei muito contente de receber um e-mail do cantor promovendo o novo disco com um link especial para baixar o álbum na íntegra diretamente da conta dropbox dele.

As dez faixas de Be Frank, Furness são uma delícia, com arranjos minimalistas de violão acústico que privilegiam a voz gostosa do cantor - mas, tentar entender o estilo de Heyward Howkins através de uma descrição não vai ser tão eficiente quanto vê-lo e ouvi-lo em um dos vários vídeos que ele tem no YouTube. Então, corra lá que vale a pena.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Cubão


Adorei esta pegadinha que enganou muita gente, principalmente porque é muito bem feita.

Esta escultura do Cubo (o nome oficial da obra é Alamo) é uma obra de arte que faz parte da paisagem de rua de Nova York desde 1967. Pois na semana passada surgiu este vídeo no YouTube de um rapaz que comprova, pelas imagens, que mora há alguns anos dentro do Cubo. O vídeo é muito bem feito e muita gente realmente acreditou que havia uma pessoa morando lá dentro. É o que eu chamo de 'morar com arte'.

Três letrinhas

No começo de 1991 eu embarquei em São Paulo em classe executiva para uma viagem de negócios à Suiça. Ao meu lado foram acomodadas duas crianças pequenas viajando desacompanhadas, que chegaram no vôo de Brasília e foram colocadas no vôo para a Europa. As crianças tinham constante supervisão da tripulação, e foram dois amores durante toda a viagem - pareciam estar acostumadíssimas com o procedimento. O casal era lindinho, o garoto não tinha mais do que 7 anos e a garotinha aparentava ser um pouco mais nova. Lá pelas tantas perguntei o nome ao garoto. "Meu nome é Nelson. Nelson Piquet. Júnior". O vôo terminou em Paris onde eu peguei uma conexão para Basileia e nunca mais os vi, exceto pela imprensa.

Lembrei disso agora ao ler que Nelson Piquet Jr. acaba de ser multado em dez mil dólares pela NASCAR por ter feito um comentário homofóbico pelo Instagram. Foram só três letrinhas (fag!, termo ofensivo comparável a veado!) que acabaram custando quase sete mil reais cada. Bom isso. As figuras públicas precisam ter ciência da repercussão de seus atos.

domingo, 29 de setembro de 2013

Amore mio


Enquanto a multinacional de massas Barilla não sabe mais o que fazer para mostrar arrependimento pelas declarações desastradas de seu presidente contra os gays, a concorrente Bertolli aproveita para dizer ao mercado que promove a diversidade e que recebe de braços abertos todos os tipos de clientes, principalmente aqueles de estômago vazio. E para reforçar que não é apenas uma declaração de ocasião, a Bertolli relembrou este comercial simpatizante que já tinha veiculado em 2009:

sábado, 28 de setembro de 2013

Colapso

Ontem eu precisei ir a São Paulo para resolver um assunto que deveria ter sido rápido e que normalmente me permitiria estar de volta ao sossego da minha toca ainda no meio da tarde. Logo após almoçar tentei retornar à minha cidade mas acabei preso no meio do trânsito infernal da sexta-feira piorado por uma manifestação que havia fechado algumas ruas. Quando a gente passa horas parado em um trânsito completamente travado que move apenas alguns metros a cada hora fica mais fácil entender porquê algumas pessoas surtam e acabam tendo um dia de fúria. Uma viagem que normalmente duraria uma hora acaba se tornando uma odisseia de cinco horas infernais.

Este é só um dos aspectos que serve muito bem para ilustrar o que está acontecendo em geral com a infraestrutura desse nosso país. Usar aeroportos, rodovias, ruas, estacionamentos, estruturas públicas, não é mais possível sem que o simples ato se converta em uma aventura atroz e desumana. E a razão é muito simples: nossas infraestruturas entraram em colapso por falta de investimentos.

Para entender, basta imaginar um homem desenvolvido e grande de uns 30 anos tentando usar as roupas de quando tinha 10 anos de idade. Ou uma mulher como esta da foto, que conseguiu entrar em roupas que são, no mínimo, cinco números menores. Nossa infraestrutura pública está assim, praticamente parada e sem investimentos de grande porte há cerca de vinte anos. Nós não cabemos mais dentro dela.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Sem medo de ser feliz

Sabe aquele momento quando você está sozinho em casa e coloca a música no último volume e sai rodopiando, dançando e dublando, só de cueca, na frente do espelho? Então... Se você não tem ideia do que estou falando então talvez você seja ainda um garotinho de 2 anos de idade - é só ter paciência que a sua hora vai chegar.

Tem também aquele momento no carro, com o trânsito parado, em que a música enleva e arrebata e a gente só se dá conta do arroubo quando percebe os ocupantes do carro ao lado olhando nervosos e tentando decifrar se a gente está precisando de ajuda. Ah, quem nunca?

Quem já passou por tudo isso vai se divertir bastante com este número apresentado ontem no programa do Jimmy Fallon em que o apresentador, o escritor/ator/diretor inglês Stephen Merchant, e o piteuzinho do Joseph Gordon-Levitt competem para ver quem melhor dubla um trecho de música. Cada um deles escolheu dois trechos de músicas bem conhecidas, e o resultado é simplesmente uma delícia.

sábado, 21 de setembro de 2013

Elysium


Elysium se passa no ano de 2.154 - curiosamente o mesmo ano da história de Avatar - e era para ser um manifesto socialista, uma crítica a como já vivemos atualmente. Mas não rolou. É só um filme de ação mesmo e, uma vez que se admita isso, é um filme de ação muito bom. A visão socialista não pega porque é maniqueísta demais. Os pobres são pobres, pobres, pobres de marré deci, vivem em lugares asquerosos de uma Terra superpopulada, e aparentemente não tomam banho. Os ricos são lindos e cheirosos e vivem na estação espacial Elysium, que mais parece uma colônia de férias, e não fazem nada além de tomar champagne e desfilar fazendo caras e bocas. A estação Elysium lembra o "Nosso Lar" do outro filme, só que as pessoas estão vivas e não usam aquelas batas cafonas dos espíritos, e a arquitetura é mais criativa.

Desde o início a gente já sabe exatamente quem é quem na fila do pão francês. Porém o filme teria funcionado melhor se tivessem dado razões para a gente odiar os ricos de Elysium e torcer pelos pobres da Terra. Mas não, a única coisa odiosa em Elysium é a ministra da defesa (Jodie Foster) que é cruel, malévola, tem planos de tomar o poder, e provavelmente roubaria o doce de uma criancinha sem sentir nenhuma culpa. Os brasileiros Wagner Moura e Alicia Braga estão estupendos e têm papéis de grande destaque ao lado de Matt Damon e Jodie Foster. É realmente animador ver Wagner Moura fazendo sua estreia em Hollywood tão bem.

O personagem de Matt Damon tem apenas 5 dias para achar um jeito de se infiltrar em Elysium para se curar de uma exposição acidental à radiação e para isso vai precisar da ajuda do personagem de Wagner Moura, um rebelde que vive de enviar pessoas doentes para se curarem nas maravilhosas máquinas de Elysium que removem em segundos qualquer doença do corpo. Aqui caberia a analogia atual de mexicanos tentando cruzar a fronteira americana para melhorar de vida, ou a lembrança de qualquer outro regime segregacionista do planeta, mas não deixe que este papo cabeça tire o prazer de se ver um ótimo filme de ação.

Quero dançar com alguém... alguém que me ame

Five Dances chega em menos de um mês.




sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Clintinho

Duas palavras: Scott Eastwood. Ele tem a genética a seu favor: é filho de Clint Eastwood que ainda bate um bolão aos 83 anos de idade e foi um pedaço de mau caminho na juventude. Scott já apareceu em alguns filmes e estrelou algumas campanhas publicitárias. Ultimamente tem publicado fotos desinibidas pelo Instagram e deixado o mundo um pouquinho mais interessante...