segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Por tabela

Neste mundinho restrito em que convivemos, você já parou para pensar quantas pessoas já beijou por tabela? Já pensou que entre eu e você podem existir bem menos do que seis graus de separação?

Esta montagem abaixo unindo James Franco a Anne Hathaway por beijos ficou uma delícia. Lembrei-me até da cena final de Cinema Paradiso. Por que beijar é bom demais. E me animo de saber que, por tabela, talvez eu também já tenha beijado até o James Franco.

O Oscar e o futebol

Eu nunca consegui entender a paixão irracional dos homens fanáticos por futebol. A idolatria pelo time, as discussões intermináveis sobre se estava ou não impedido, e a impressionante memória para lembrar a escalação de todo o escrete do Corinthians naquele jogo contra o Piracicaba numa tarde de sábado de 1992. Francamente, isto é demais para a minha cabeça.

Mas acho que consegui encontrar um paralelo no mundo gay. O futebol do mundo gay é o Oscar. Nas últimas semanas eu presenciei a paixão irracional pelo cinema sacudir os fanáticos com a mesma intensidade que a bola sacode a rede na hora do gol. E ouvi comentários tão insensatos e absurdos quanto os proferidos pelos torcedores do Corinthians ou do Piracicaba.

Ouvi amigos saindo do cinema depois de O Cisne Negro decretando que estava ali o vencedor do Oscar. Mas quando questionados sobre como este filme se compara com os demais concorrentes não sabiam responder pelo simples motivo de não terem visto nenhum dos outros. Hello-o-o-o!!!

O filme que a gente acha que deve ganhar é sempre aquele que a gente adotou por puro gosto pessoal. Só isso. Opinião pura e absolutamente pessoal. Quando alguém escreve que houve injustiça, isso só significa mesmo que o filme que ganhou não foi o que ele queria que ganhasse. Basta comparar os palpites publicados por quem entende de cinema e que realmente viu todos os filmes e ver que não há o menor consenso. Exatamente como no futebol, em que o time que deve ganhar é sempre o time para o qual se torce independente de como ele jogue.

De qualquer forma, eu, pessoalmente, não gostei nem de O Cisne Negro nem de A Rede Social - achei ambos muito chatos. E adorei O Discurso do Rei. Então estou contente que o meu gosto pessoal tenha coincidido com o resultado.

Agora, de tudo isto, só não entendo porque a Rede Globo continua comprando os direitos de transmissão para apresentar aquela porcaria vergonhosa que ninguém assiste mesmo. A transmissão já começa no meio da festa. O foco principal são os dois comentaristas no estúdio, com José Wilker fazendo cara de José Wilker e dizendo obviedades do tipo "este filme é muito bom mesmo". Pelo menos as transmissões do futebol demonstram mais respeito pelo espectador.

Desconhecido

Desconhecido (Unknown, 2011) tem uma história daquelas que fazem a gente ficar o tempo todo sentado na beiradinha do assento sem conseguir relaxar um único segundo. Tem Liam NeesonAidan QuinnFrank Langella e Bruno Ganz (que fez o Hitler em A Queda! As Últimas Horas de Hitler). Tem ação ininterrupta toda filmada em Berlim. E uma história que é um verdadeiro quebra-cabeças que vai sendo montado peça a peça - cada peça acompanhada de um suspiro da plateia. Faz duas horas parecerem dez minutos.

A premissa do enredo me lembrou A Identidade Bourne, o que não tira o mérito da história. Um cientista chega a Berlim para participar de uma conferência e sofre um acidente de carro. Ao se recuperar descobre que sua identidade foi tomada por outro homem que ocupou seu lugar. E todos, inclusive sua esposa, juram que o impostor é ele. E ele precisa descobrir o que está acontecendo sem nem mesmo saber por onde começar.

Desconhecido é daqueles filmes que fazem os apreciadores de filmes cabeça de alta cultura torcerem o nariz porque é cheio de ação e tem cenas vertiginosas de perseguição. Já chega com o carimbo de "proibido gostar" nestes tempos de Oscar e de filmes pretensamente herméticos e cheios de diálogos incompreensíveis que fazem a cabeça das plateias eruditas. Mas o filme não perde de vista durante um único segundo o principal objetivo do cinema: entretenimento. Um ingrediente muitas vezes esquecido no "cinema arte".




domingo, 27 de fevereiro de 2011

Agora vai

O deputado Jean Wyllys está chegando com muita vontade de lutar pelos direitos LGBT, e o melhor de tudo: ele está escolhendo as armas certas. Nesta semana a frente parlamentar evangélica está preparando uma ofensiva para reverter o direito concedido aos casais homossexuais de incluirem o parceiro na declaração de imposto de renda. Vocês acham que o Jean Wyllys pegou o microfone da câmara e fez um discurso lindíssimo para aquele público de toupeiras ignorantes sobre como somos dignos, e bonitinhos, e cheirosos, e merecemos o respeito de todos, e pagamos impostos, e somos discriminados, e patati patatá patatá patacolá?

Não. O Jean Wyllys resolveu usar o mesmo argumento legal dos colegas evangélicos para questionar o fato de as igrejas não prestarem contas à população sobre a imunidade fiscal de que gozam. Bravo! Bravíssimo! Em primeiro lugar, porque se as atividades das igrejas são financiadas com o dinheiro que sai do meu bolso eu quero saber como isto está acontecendo. Em segundo, porque esta é uma estratégia realmente inteligente e que pode surtir efeito.

Já está todo mundo cansado de ficar falando com um bando de ignorantes que têm a inteligência de uma ameba e que ouvem tanto quanto uma porta de aço. A notícia completa está aqui.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Bruna Surfistinha


Enquanto eu estava assistindo a Bruna Surfistinha fiquei pensando naquele tempo em que filme nacional era sinônimo de enredo sem pé nem cabeça, fotografia ruim e som péssimo - e como o cinema nacional evoluiu nos últimos anos.

Bruna Surfistinha é um filme competente. Embora todo mundo já conheça a história da garota de classe média que larga tudo para ser garota de programa, o enredo não deixa a história ficar maçante. A única exceção são as poucas partes em que há alguma tentativa de atribuir culpa à família ou de tentar justificar o comportamento da protagonista com alguma teoria psicológica da busca por 'sentir-se amada'. Pura balela que não convence. Felizmente estes momentos são poucos. Quando Raquel Pacheco Pinto resolveu despirocar legal e virar Bruna ela sabia muito bem o que estava fazendo e sua motivação era unicamente a grana.

Déborah Secco é muito mais bonita que a Bruna verdadeira e tem um semblante mais digno, o que ajuda o filme a não resvalar para a vulgaridade apesar de mostrar cenas de sexo praticamente o tempo todo. Seu desempenho é corajoso. Mas o filme também é de Drica Moraes - a gerente do bordelzinho no centro de São Paulo onde Bruna arruma seu primeiro emprego, e Fabiula Nascimento - uma prostituta de personalidade forte, ambas em desempenhos memoráveis.

Uma cena ótima é quando as "meninas" estão em um salão de beleza e as outras clientes se sentem constrangidas com o vocabulário vulgar. Após a primeira reclamação as garotas rodam a baiana com toda a baixaria que lhes é peculiar - comprovando que uma puta emputecida é sempre um grande perigo.

O filme termina, apropriadamente, ao som de Radiohead com Fake Plastic Trees. "...She looks like the real thing / She tastes like the real thing / My fake plastic love / But I can't help the feeling / I could blow through the ceiling / If I just turn and run..."


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ninguém merece...

Se eu fosse o chefe da rebelião que está se disseminando na Líbia, a minha primeira resolução após tomar o palácio do governo seria mandar prender o costureiro e o cabeleireiro do Kadafi. Porque, realmente, ninguém merece...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Eu também, Mark


Eu tenho medo de cruzar com o Mark Ruffalo pela frente algum dia pois sei que vou dar o maior vexame. Eu vou querer agarrá-lo e não soltar mais. Este olhar de me-abraça-e-toma-conta-de-mim é dos mais fortes e sinceros que já vi.

A felizarda da esposa dele tem um nome lindo: Sunrise. Os dois gravaram um vídeo divulgado hoje para a campanha da igualdade no casamento no estado de Nova York. Eles querem um mundo mais justo para seus três filhos. Eu também, Mark. Eu também.

Santa Claudia Raia da pá virada

Ti-ti-ti é cheia de encantos. Além da deliciosa história de amor que está se desenvolvendo entre o Julinho (André Arteche) e o Thales (Armando Babaioff) a novela tem personagens responsáveis por verdadeiros shows. Como Claudia Raia.

Claudia Raia tem um papel escrito sob medida para comportar toda a sua histrionice, o que tem rendido cenas muitíssimo mais engraçadas que qualquer programa de humor no ar atualmente. No começo da semana, quando alguém lhe perguntou se ela não se preocupava com sua reputação ela soltou "minha filha, desde aquele fatídico réveillon no Boqueirão em 1989 que a palavra "reputação" foi expurgada do meu dicionário!". Impagável.

Na trama ela sabe que o marido Thales é gay e está apaixonado por alguém, mas nem desconfiava que o objeto da paixão do "marido" era justamente o amigo Julinho. Até ontem, quando caiu a ficha - em uma cena engraçadíssima.

A cena começa com Julinho chateado ao ver que o dr. Eduardo, por quem ele curtia uma paixonite, está de namorada nova. Sai chateadinho do hospital e dá de cara com a Jaqueline, que é sempre como um furacão por onde passa. Depois de ver a cena, você ainda vai ficar aí parado com o cotovelo cheio de calos?

(Se a postagem do video der erro, assista aqui).