quarta-feira, 5 de junho de 2013

Intolerância

Ao ser sabatinado hoje pelo Congresso, o futuro ministro do STF Luís Roberto Barroso disse "Nós vivemos a época da tolerância. A época em que se deve respeitar todas as possibilidades". Suas palavras não poderiam ser mais exatas para refletir o momento atual.

As culturas mais impermeáveis a mudanças comportamentais viviam praticamente isoladas do resto do mundo até alguns anos atrás. E nas sociedades ocidentais mais abertas havia uma predominância das religiões católica e protestante que sempre conviveram mais ou menos bem com as diferenças.

Mas nos últimos anos o mundo vem mudando de forma radical com o surgimento de denominações religiosas neopentecostais fundamentalistas e com a disseminação do islamismo - duas correntes que oferecem resistência maior à convivência com o diferente. Para muitos dos seguidores destas vertentes não basta ser um bom religioso e seguir as recomendações de seus livros sagrados. Para muitos deles, é insuportável viver em um mundo onde o próximo não concorda com a realidade que eles estabeleceram para si, e faz parte de sua missão religiosa converter o mundo todo ao seu redor para a sua fé, mesmo que à força e à custa de muito sangue.

O que acontece na Turquia hoje é a consequência direta disso, e estes tipos de confrontos podem ser o futuro do Brasil. É como tentar misturar óleo e água - até hoje ninguém conseguiu. No final de 2011 o Dr. Contardo Calligaris fez o desenho que muita gente precisava para entender: "O fundamentalista não consegue praticar normas que ele prega e sente inveja de quem não as respeita".

3 comentários:

Glauber Guimarães disse...

Nunca comentei aqui, mas passo para elogiar o ótimo trabalho e o conteúdo do blog.
Temos afinidade na forma de pensar e às vezes me impressiono por ter passado o dia pensando em determinado assunto e, quando leio o Muque de Peão, acabo me deparando com opiniões muito parecidas. Foi o caso de hoje, com a questão da Turquia e o futuro do Brasil.
Obrigado pelas doses de bom conteúdo e informação! Grande abraço!

Anônimo disse...

O conceito do economista [Bacha?] de ser o Brasil a Belíndia, com partes da desenvolvida Bélgica e partes da então subdesenvolvida Índia [hoje emergente] permanece válido. E em alguns aspectos tende até para a Nigéria mesmo, como nas práticas políticas em que só os safados pontificam e aí é um prato cheio para pentecostais e cia. ltda.

Oliveira Santos disse...

Repito a mesma coisa que escrevi no post acima, por aqui não temos maremoto, nem furacões nem terremoto e nem vulcões mas temos políticos que fazem o mesmo estrago, e o povo não ajuda mesmo!!!!