segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O amor e a vida

O crítico Nilson Xavier escreveu na semana passada que Amor à Vida é uma ótima novela ruim, e eu concordo com ele. A despeito de todos os defeitos a novela tem excelente ritmo e tem trazido tópicos ótimos para a mesa de debates. O tema do homem gay que se passa por hétero para agradar a família nunca foi tão escancarado como no caso do personagem Félix (Mateus Solano). E, caso se confirmem as cenas adiantadas pela imprensa, nos próximos dias um novo dilema despontará na trama: César (Antônio Fagundes) promoverá Eron (Marcelo Anthony) a diretor do hospital, mas pedirá a ele que esconda o marido Nico (Thiago Fragoso) e que se faça sempre acompanhar de uma companhia feminina nos eventos oficiais do hospital para manter as aparências.

Na novela o personagem do Marcelo Anthony é um gay bem resolvido, portanto vai ser interessante observar como o dilema deve ser abordado. Eron é assumido e bem resolvido, mas precisa do emprego. Vale lembrar que o casal gay da série americana Brothers & Sisters - no qual o casal gay da novela é inspirado - também enfrentou a mesma questão.

Quem viveu nos anos que antecederam a abertura que existe atualmente sabe muito bem o terror que as confraternizações da firma sempre representavam para os funcionários gays que não tinham uma família de comercial de margarina ou uma namorada ou noiva para levar a tiracolo nos eventos da empresa. Um grande amigo meu tinha uma melhor amiga que sempre quebrava os galhos dele e de qualquer amigo que precisasse. Ela era sempre ótima e costumava dizer "me leva que eu seguro na mão, faço cara de apaixonada e dou até beijo na boca".

6 comentários:

Anônimo disse...

É Niko [né Nicolas Corona]. Francamente, Nico é nome de peladeiro de várzea, mas nunca de bicha sofisticada.

Anônimo disse...

Essa amiga do olhar apaixonado e beijo na boca, além de ser muy amiga, no bom sentido, daria um excelente personagem de série incrementada de TV.

Anônimo disse...

Novela ruim é pleonasmo, pois é impossível uma história, por melhor que seja, se estender por quase sete meses [como Amor à Vida]. Nem J. Cristo conseguiria essa façanha.
As fofocas paralelas - o Tarcísio, quem tá comendo quem, a Suzana, o beijo gay, as Glórias, o galã que dizem que é... - talvez prendam mais a massa ignara às TVs do que as histórias.
Mas, é claro, existem novelas [ruins] boas, médias e muito irritantes.
E, para contrabalançar o excesso de vilanias, há a possibilidade de alguns valores ganharem grande divulgação. Um urbano designer de requintado trabalho levou tremendo chute da mulher e se escondeu no sítio dos pais, em praia distante, onde se juntou com a filha de um pescador, gente muito simples. Impressionado com a bela e ordenada mesa que a moça arrumava para as refeições, ele perguntou onde aprendera e ela explicou 'assistindo novelas'.
Para a causa gay é, sem dúvida, excelente veículo de divulgação.

Anônimo disse...

Inspirado em Brothers & Sisters é uma forma elegante de você se referir a uma cópia né Luciano? Poxa, poderiam variar pelo menos as profissões, e dar à trama uma vida própria não é exatamente o que o autor fez. Para mim é uma versão televisiva de Ctrl+C Ctrl+V. É o pior é que o casal em questão nem tem o mesmo carisma que o casal de Pasadena. O Antony está muito robótico na minha opinião. E tem mais: tá faltando pai, mãe ou pelo menos um irmão que seja. Mesmo que haja algum conflito. Ao menos um telefonema para a família. Não sei acho que eles estão isolados, gelados em uma casa que não tem cara de lar. Desculpe mas falta calor humano ali. Mas apesar disso ainda está valendo.

Sabe o que seria legal de o advogado brasileiro fazer? Dizer NÃO à proposta do César. Justamente para oferecer um contraponto ao Félix que deveria ter chutado o pau da barraca e enfrentado o pai já que não tinha mais nada a esconder. Lembro do episódio em que o Kevin se sujeitou ao pedido do chefe por uma promoção e se deu mal. O personagem do Antony poderia se negar a fazer o mesmo e mostrar ao chefe/pai machista que ele não precisa trancafiar a sua dignidade no armário para ser um profissional respitado.
Enfim, é esperar para ver.

Em tempo: já que era para copiar algo, poderia ter copiado uma mamãe Nora. A minha mãe favorita da TV.

railer disse...

é bom essas coisas estarem sendo discutidas mesmo e ainda numa novela, que é o programa preferido da grande massa.

Nelson disse...

Sou grande fã de Brothers & Sisters. Eis um novelão muito bem feito.