terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O galego da cabeça quebrada

Juro que não consigo entender o que está a acontecer com o João Pereira Coutinho. Há exatamente um ano ele escreveu na Folha criticando o fim do Don't Ask Don't Tell nos Estados Unidos (na época comentei aqui) em um artigo estranho onde dava a entender que a visão dele de gays nas forças armadas era de uma eterna pool party na caserna.

Hoje ele surpreende novamente com o artigo Homofobia não é crime (link para assinantes). Segundo ele, é perfeitamente legítimo não gostar de gays, da mesma forma que gays podem não gostar de héteros. Até aí morreu o Neves. Como já dizia meu falecido avô, e com o quê eu sempre concordava prontamente, "mais vale um gosto do que um caminhão de bucetas".

As ideias ficam turvas quando Coutinho parte para "no vasto mundo da estupidez humana, é perfeitamente legítimo não gostar de brancos; de negros; de asiáticos; de portugueses; de brasileiros; de judeus; de cristãos; de muçulmanos; de ateus; de gordos ou de magros". Aqui ele parte para a supersimplificação que destrói toda a ideia de liberdade democrática.

Não gostar de gays ou de negros ou de nordestinos não é o mesmo que não gostar de batata-doce ou não gostar de pimentão. Estes "estados de preferência" podem existir na cabeça de qualquer um; defendê-los em público é outra história. Será que este galego não consegue ver onde se iniciam os crimes de ódio? Será que ele realmente não vê as consequências de uma figura pública como a Ana Maria Braga, por exemplo, dizer em seu programa matinal "não gosto de negros"? Será que ele realmente acha que teria o mesmo efeito se ela dissesse "não gosto de jiló"?

9 comentários:

Gus disse...

Ok, acabei de acordar, nem fumei o meu primeiro cigarrinho, mas tem como explicar a frase do seu vô? não consigo entender nada, rs!

Lucas T. disse...

Sinceramente eu não perco mais meu tempo lendo nada que esse babaca escreve desde a primeira coluna citada. Agora, então...

TONY GOES disse...

Os héteros ainda não se acostumaram com esse novo mundo. Fomos todos criados achando que ser gay era pecado, crime, tara. A cultura mudou, os costumes evoluíram e muita gente estea ficando para trás.

O que o Coutinho quer dizer no fundo é "tá legal, eu respeito os gays, mas vou continuar achando uma aberração, isto você snão podem me obrigar a mudar". Não podemos mesmo. Mesmo com todas as leis contra o rcismo, é óbvio que ainda tem muito racista por aí. Imagine então quando o assunto é homofobia.

O que podemos é nos tornar cada vez mais visíveis, mais integrados, mais parte do mainstream. Homofóbicos de armário como Coutinho tendem a desaparecer com o tempo. São uma espécie em extinção.

Anônimo disse...

De fato não é possível extinguir a homofobia, ou o racismo. O jornalista foi experto prendendo-se apenas ao conceito de homofobia (medo de homossexuais), separando-a da discriminação. O projeto da Marta Suplicy criminaliza a discriminação oriunda da homofobia - é preciso deixar isso claro. Ele parece tão "desinformado", ou cínico mesmo, que ainda não "percebeu" que é justamente a "cegueira" da justiça que faz com que no Brasil a maior parte da população carcerária seja formada por pobres e negros. A Justiça até pode ser cega, mas enxerga quando quer, principalmente quando isso lhe convém. O caso da sentença dada pelo juíz no processo movido pelo jogador Richarlyson, por exemplo, é uma pérola de discriminação, em que o jurista chega ao absurdo de afirmar que futebol é esporte de héteros. Espero que figuras como essa sejam realmente uma espécie em extinção, como falou o Tony.

((ADRIANO)) disse...

Homofobia é assim mesmo...

As vezes vem escancarada de uma forma que não tem como negar.

Também vem embrulhada em religião, em sofismas e falácias pseudo científicas.

E pode vir de gente intelectual e culta, tão disfarçada que fica difícil de identificá-la.


Mas não deixa de ser homofobia e preconceito sujo e nojento.

RESUMINDO TUDO:
É a velha mania que alguns humanos tem de se acharem melhores do que os outros, usando as mais diversificadas e sofisticadas desculpas.

((ADRIANO)) disse...

QUANTO AO COMENTÁRIO DO TONY GOES,

Ele fez um comentário que simplesmente anulou o Coutinho,

Comentou com uma visão de cima para baixo(não estou dizendo que foi esnobe ou com ar de superioridade, não é isso!),

Mas o reduziu a uma pequenez(o seu real tamanho), a um simples preconceituoso que não se encaixa na humanidade.

Conseguiu transformar minha indignação em PENA. PENA mesmo, de alguém tão tacanho.

Juro!! Não consigo mais sentir indignação, só PENA...

Lucas disse...

Eu posso gostar ou não gostar de quem eu quiser. Daí sair incitando ódio ou partindo pro desrespeito e violência é outra história, ou melhor, é crime. Não dá pra evitar sentir preconceito, atitudes preconceituosas podem e devem ser evitadas.
Minha avó era uma pessoa maravilhosa, porém racista. Era essa a dificuldade dela, seu calcanhar de Aquiles. O que não a impediu de ser uma pessoa de bem e atuante na comunidade, a ponto de no seu enterro a família ser minoria de tão querida que era.

Soteropolitano disse...

O ponto de vista dele é o mesmo do idiota do Aguinaldo Silva, e eu gostei do adjetivo usado pelo anônimo, esse povo não é desinformado, nem burro, eles são descaradamente CÍNICOS.

Cara Comum disse...

Luciano, vc quer mesmo entender tal figura ingrata que escreve nesta coluna? Para com isso! Para o seu bem. Entrar na cabeça maluca e desorganizada dos outros pode ser uma experiência penosa. Acredite em mim! desiste de entender e começa a não dar importância (diferentemente de ignorar, né?) que é melhor.

Abraços, meu querido!