sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A Viagem


A Viagem (Cloud Atlas, 2012) é melhor apreciado se consumido exatamente pelo que é: várias histórias interessantes e bem executadas contadas ao mesmo tempo. Tentar encontrar uma ligação entre as histórias ou alguma lição moral profunda só vai tirar o prazer da diversão.

O que diferencia A Viagem de outros filmes com várias tramas paralelas independentes é que aqui as histórias variam de gênero (indo do drama à ficção científica) e cobrem uma grande variação temporal e geográfica (indo do passado até o próximo milênio, na Terra ou em outras galáxias). Até o momento de as histórias engrenarem o espectador fica com a impressão de estar sendo apresentado a um samba-enredo do crioulo doido - mas logo começa a diferenciar uma história da outra e o filme deslancha. E o mais interessante: o elenco espetacular (Tom Hanks, Halle Berry, Jim Sturgess, Susan Sarandon, Hugh Grant) se repete nas diferentes histórias, com o mesmo ator fazendo vários personagens em caracterizações tão perfeitas e diferentes que fica muitas vezes irreconhecível. Halle Berry, por exemplo, é uma moça branca judia em uma história, Hugo Weaving é mulher em outra, Susan Sarandon é homem na outra, e assim por diante - uma sacada genial. Espere até o final dos créditos para saber quem é quem (há uma apresentação dos personagens interpretados por cada ator) e se surpreenda.

Uma das histórias mais emocionantes se passa em 1936 e tem como protagonista um jovem compositor gay (Ben Whishaw) que compõe o sexteto Cloud Atlas do título original do filme.

Se os personagens feitos pelos mesmos atores são reencarnações da mesma alma em vários tempos, ou continuações de suas linhagens familiares, ou nada disso, e qual o significado da marca de nascença em formato de cometa que alguns apresentam, não faz a menor diferença. Como também não faz diferença a tentativa de vender a história como uma saga espiritual profunda (o próprio trailer de quase 7 minutos já é quase um curta-metragem por si só). A Viagem é muto boa diversão - mais ou menos como assistir a seis filmes diferentes pelo preço de um único ingresso.

6 comentários:

Nelson disse...

Pra mim não rolou. Talvez eu estivesse cansado. Talvez o filme seja um pouco tudo-ao-mesmo-tempo-agora demais. Coisa rara, mas saí do cinema com menos de 1h de filme.

Anônimo disse...

Concordo que não se deve dar muita atenção a mensagem que o filme tenta passar, mas cada história está sim interligada. Por exemplo o filme do velhinho desencadeia o interesse da Sonmi pelo mundo exterior, já a melodia do compositor é basicamente um mantra para as 'fabricantes'.

Oliveira Santos disse...

Muitos podem não acreditar, são livres para isto, mas saibam que tudo tem o seu motivo de ser e acontecer, tudo realmente está interligado!!!! Nada é por acaso!!!!!

glatex disse...

Vi ontem na
estreia e no
geral eu
gostei muito
do filme
apesar de
pelas criticas,
já imaginar
que ele teria
algum furo.
Dito e feito.
o problema é
que é tudo
tao confuso
que nao
consegui
captar a tal
ligacao entre
todas as
historias além
da Somni e
do
Sixmith(!?).
Nao sei se
por gostar de
homem, mas
os mais
interessantes
mesmo foram
o Ben
Whishaw e o
Jim Sturgess
(q gatinho ele
tava de
asiatico nao?
ate o Tom
Hanks achei
atraente).
((((spoiller)))
Foi ótimo ver
o beijo gay no
início do
filme e o
murmurinho
de alguns
expectadores
... enfim no
geral eu
gostei mas
poderia ser
melhor e até
mais curto.

Luciano disse...

Eu gostei muito do filme como diversão, achei cada uma das histórias interessante e bem executada, e não dei importância à possível conexão entre elas. Não me preocupei em procurar pistas.

Mas hoje encontrei um documento interessante na Internet, este Your Guide to the Characters and Connections of Cloud Atlas que explica tudinho. As explicações são no mínimo interessantes e me deixaram até com vontade de assistir ao filme uma segunda vez. TrueTrue.

Segundo este guia os personagens feitos pelo mesmo ator são, sim, uma espécie de reencarnação que determina a viagem espiritual de cada um (a seção “soul journey” de cada “ator” explica como ele evoluiu).

Mas o que eu mais gostei foi da seção “onscreen connections to other characters/story lines” que traz uma avalanche de detalhes sobre o filme que são quase imperceptíveis para o espectador. Pegando por exemplo somente os personagens interpretados pelo Tom Hanks, a gente descobre que na história que se passa na floresta em 2321 o personagem dele usa ao redor do pescoço as pedras azul turquesa do colete do personagem Adam Ewing de 1849. E quem diria que mansão do compositor feito por Jim Broadbent em 1936 é o mesmo lugar que se transformou no asilo do qual o personagem tenta fugir em 2012?

railer disse...

luciano, quando você diz 'tentar encontrar uma ligação entre as histórias ou alguma lição moral profunda só vai tirar o prazer da diversão', na boa, acho que vc não entendeu o filme...

não é preciso muito esforço para se entender a ligação entre as histórias.

pra mim foi um filme belíssimo e que recomendo muito.