quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Eu caso gente

Pela lei brasileira, a presença de um tradutor público (antigamente éramos chamados de tradutores juramentados) é exigida toda vez que um estrangeiro que não fale o português precise assumir ou transferir direitos ou obrigações oficiais. Isto significa que além do trabalho de traduzir contratos, processos, procurações, sentenças, certidões, atestados, e documentos acadêmicos, eu participo de audiências e julgamentos de estrangeiros (normalmente triangulando a comunicação entre juiz e reu) e, com bastante frequência faço casamentos de casais binacionais. Casamentos são sempre divertidos - é o encontro de duas culturas diferentes, os noivos sempre estão muito nervosos, todo mundo trata o tradutor público com muita reverência e respeito, e a gente sempre acaba ficando para o começo da festa.

Ainda não tive a felicidade de fazer um casamento gay. Muitos colegas já fizeram e também já acompanharam casais para registro de uniões estáveis em cartório (a presença do tradutor público também é exigida neste caso), e todos disseram que os casamentos gays são os mais animados que já presenciaram. Um colega de São Paulo fez, somente no mês de dezembro, o casamento de um casal de lésbicas e dois casamentos de casais gays homens. Morri de inveja.

Ontem fui fazer um casamento em Jacareí - noiva brasileira e noivo americano. Apesar de ser um casal tradicional, o casamento foi feito no cartório onde foi registrado o primeiro casamento gay no Brasil. Eu tinha acompanhado as notícias pela mídia na época, mas ontem tive oportunidade de conhecer e conversar longamente com o oficial de registros dr. Marcelo Salaroli. Eu já o tinha visto na mídia defendendo a igualdade de direitos, mas não podia imaginar que ele era tão jovem, simpático, bonito, educado e agradável. Se eu não soubesse que ele é casado, tem uma esposa linda e uma filhinha que parece uma bonequinha de tão graciosa, acho que eu teria me apaixonado por ele. O mundo está precisando urgentemente de mais pessoas assim.

11 comentários:

Anônimo disse...

Como assim? Vc também atua como intérprete? Nicole Kidman feelings? Explica aí, pleeeasseee....

Luciano disse...

@Anonimo:
sim, sou tradutor e intérprete há quase quinze anos, depois de ter trabalhado como engenheiro por vinte anos. no futuro ainda vou fazer medicina...

Anônimo disse...

Toda vez que eu pergunto pra minha filha de 6 anos o que ela gostaria de ser quando crescer ela responde: "bailarina e médica". Eu já fui bombeiro, cozinheiro e veterinário. Hoje sou Administrador. No futuro quero virar travesti.

Dimas disse...

Vivendo e aprendendo - não sabia dos detalhes interessantes da atuação de um tradutor público.

Regra geral se imagina que se atue numa sala fechada , num trabalho solitário - e não é que você também casa?

Grande abraço Luciano!

Luciano disse...

Abração, Dimas!

As interpretações em juízo também são interessantes. Da última vez foi uma audiência com um rapaz indonésio aqui em SJC que havia atropelado um casal em motocicleta. O pobre coitado estava tão assustado, e sem falar a língua é ainda pior. Acho que ele pensava que iriam trancafiá-lo em uma masmorra.

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Margot disse...

Então Luciano, fui ler sobre a língua que se fala na indonésia... parece que são várias... ou o coitado do moço falou em inglês??? Javanês? Malaio??? Fiquei curiosa... da pra esclarecer???
Mais uma... se arrumo um gringo para casar... te trago pra minha cidade...aceita? rsrrsr

Abraços

Luciano disse...

Oi, Margot:
Os tradutores púbicos são habilitados e empossados em idiomas específicos. Eu me arrisco no francês e no espanhol também, mas sou habilitado como tradutor público apenas em inglês. O moço indonésio falava inglês.
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Anônimo disse...

tradutor oficial, apenas mais um jeito do funcionalismo publico arrancar dinheiro das pessoas

Luciano disse...

@Anônimo:
O tradutor é público só no nome, mas o serviço é pago (e bem pago!) pela parte privada contratante. Os tradutores públicos não são funcionários públicos e não utilizam um centavo do dinheiro de imposto que você e eu pagamos.
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Daniel disse...

Já usei do serviço antes. Tem concurso para ser, mas quem paga é o cliente.

Aliás, agora que SP tem conversão automática de união estável para casamento, posso casar com meu bf americano usando os seus serviços? Precisamos ter residência em SP?

Luciano disse...

@Daniel:
Vai ser um grande prazer. Quer que eu reserve uma data?
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