domingo, 1 de abril de 2012

Jogos Vorazes

Qualquer pessoa que se senta no cinema para assistir a um filme está assinando um acordo tácito com os realizadores aceitando abrir sua mente e se deixar convencer de uma plausibilidade construída para aquele filme. É isto que nos faz concordar que um homem pode voar e ter superpoderes, que vampiros existem, que o amor entre os protagonistas é real, que o sofrimento da mocinha é autêntico, que o vilão é mau. É o que nos faz embarcar na história, torcer, sofrer, chorar.

Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012) não funcionou para mim. Falhou em construir na minha cabeça a plausibilidade que me faria aceitar a história. Logo nos primeiros segundos, quando os letreiros explicam sobre os jogos anuais em que cada distrito sacrifica um casal, minha mente disparou uma campainha "Que ideia mais ridícula!". Esta resistência não me deixou embarcar na história por mais que eu tentasse.

Para piorar, não consegui odiar os vilões. Para mim o vilão era o sistema e não os outros jovens concorrentes. Senti pelos outros jovens o mesmo que senti pelo casal protagonista e não consegui me posicionar a favor de ninguém.

Uma pena. Devo ser a única criatura na superfície da Terra que não embarcou na onda dos jogos da fome. Tecnicamente o filme é muitíssimo bem feito, tem atores carismáticos, muita aventura, muito suspense. Mas quando a gente está pouco se importando com o destino dos protagonistas tudo perde a graça. 

6 comentários:

Anônimo disse...

Não li nem assisti, mas qdo soube do que se tratava achei totalmente implausivel

Yuri disse...

ai FDP! kkkkkkkkkkkkk eu caí nessa... :)

Daniel S.Orlandi disse...

Concordo com a questão sobre ir assistir um filme com a mente aberta para crer naquilo que é contado, entretanto, e sem defender fervorosamente o filme e os livros, a ideia é exatamente você "odiar" o sistema, a Capital e não os oponentes.

Wendell Veloso disse...

Ainda não vi o filme, mas sua opinião é destoante (o que a torna ainda mais interessante!) em meio à críticas empolgadamente favoráveis. Devo assistir neste feriado!

Pedro Bitencourt disse...

Comigo também não funcionou... mas não pelos mesmos motivos! Achei a história bastante inteligente, mas achei o filme bem lento... preciso ler o livro!

Também não enxerguei os viloões entre os garotos... mas sim no sistema!

railer disse...

luciano,
como eu comentei no blog, eu li a trilogia jogos vorazes e gostei muito.

pra quem leu os livros, no filme parece que está tudo acelerado, mas mesmo assim achei que o resultado foi bom. na verdade, faltou um pouco mais de peso a certas cenas que no livro possuem toda uma carga emocional e que contribuem para que a gente se identifique e passe a torcer pelos protagonistas.

em tempos de guerra e bbb, não acho o enredo implausível. basta lembrar também das arenas romanas e o grande coliseu.

enfim, a capital tem como oprimir através dos jogos pois é poderosa e inclusive destruiu o distrito treze anos atrás quando os motins começaram. ela encontrou essa forma de mostrar sua força e as pessoas aceitaram tanto que continuam assistindo.