quarta-feira, 11 de abril de 2012

Mau gosto


Achei de extremo mau gosto esta família ter levado a filhinha para participar das manifestações contra a legalização da interrupção terapêutica da gestação nos casos de acrania no STF hoje. Porque ela nasceu em um tempo em que não havia escolha, então sua mãe nada fez senão cumprir a imposição da lei. No futuro outras mães poderão dizer que escolheram continuar com a gestação embora a lei lhes desse outras opções - aí sim, será um caso de amor incondicional.

Para mim, esta senhora não está respeitando a dignidade de sua filhinha e está mostrando exatamente o contrário. Ela parece dizer: eu não tive escolha!

17 comentários:

Lucas T. disse...

Sem comentários. A filha deles não tem cérebro, procede? Ela não tem opinião, não pensa, não raciocina, não faz nada sozinha. E mesmo assim nesse caso os pais é que são doentes e não querem enxergar a realidade. Querem que o aborto não seja legalizado para outros pais passarem pelo mesmo que eles estão passando. Como você bem disse: eles não tiveram escolha.

Margot disse...

Foi exatamente o que ela fez Luciano. Mostrou com extrema falta de respeito (mau gosto é pouco) a própria filha, e que a teria abortado se a lei permitisse. Falta de caráter e compaixão. Abraços

Anônimo disse...

Luciano,
Acho você um cara inteligente e sensível. Por isso me surpreendi com seus argumentos nesse post, acho que essa mãe pode sim amar sua filha incondicionalmente, a questão é ela achar que pelo fato dela ter prosseguido com a sua gestação, as outras mulheres também deveriam prosseguir.
As escolhas individuais não podem determinar a liberdade de todos, que é o que se discute: a liberdade de escolher!
Abraço,
seu leitor de Salvador/BA

Dino Costa disse...

muito triste isso. A vida já é tão difícil para quem nasce perfeito, imagine para quem nasce assim.

Vinicius disse...

A imoralidade disso está no fato de essa criança ser acrania, e não anencéfala. Ela tem cérebro, com uma má formação menor que a dos anencéfalos, que em sua maioria morrem poucos segundos depois de nascidos. Estes não possuem nenhuma chance de vida.

Antonio Carlos disse...

Eu como méico e ginecologista sou plenamente a favor da liberdade de escolha. Liberdade sempre...

Antonio Carlos disse...

Eu como ginecologista/obstetra sou plenamente a favor da liberdade de escolha. Um feto anencefalo não consegue sobreviver além de poucas horas pois todas as funções do corpo são comandadas por ele como coração , respiração , funcionamento das glândulas endocrinas. Pra que obrigar gestar durante 9 meses? Deixe esta decisão para capacidade de cada gestante de suportar a situação. Liberdade sempre

Luciano disse...

@Antonio Carlos:
Eu estava curioso de ouvir a sua opinião - imagino que o médico está sempre muito próximo da paciente em uma decisão difícil destas. É lamentável que a religião esteja se intrometendo também em assuntos médicos.
Abraço!
**

Uomo disse...

Então Luciano, entendo seu post e como sou um leitor assíduo do seu blog, posso até imaginar o que tem por trás dele - e que não está explicito, mas implicito. Entretanto, acho que era bom separar um pouco alho de bugalhos.
Como julgar se a senhora que expõem a filha com mal formação craniana (diferente de anacefala) não ama essa filha de forma incondicional? Quem somos nos para fazermos tal julgamento?
Sou pela liberdade. E acho que a mãe é que deve saber o momento que tem ou não de interromper a gravidez, mesmo sabendo que o feto tenha mal formação craniana ou seja anacefalo. E não nos cabe julgar, qndo o amor de uma mãe é condicinal ou imposto por lei, ou incondicional.
Talvez a imagem da criança seja um pouco chocante e confunda a opinião publica, tão mal informada quanto a questão em votação.

ivan disse...

expor uma menor de idade indefesa para fazer campanha, seja contra ou a favor de qualquer coisa, é anti-ético e fere a dignidade humana.

ivan

P. Florindo disse...

Não havia pensando no comportamento dela como você pensou e achei bastante interessante, mas não acho que ela tenha ido lá dizer nas entrelinhas "não tive escolha". Acho que ela se apegou a filha mesmo com a deficiência, mas de certa forma, acho que "ela condenou" a filha a uma sobrevida. Ela vai simplesmente sobreviver porque ela enfrentará muitas dificuldades pra fazer amigos, ir para a escola, se relacionar com amigos, etc. Estará fadada a infelicidade. Muita gente que se posiciona contra dificilmente gostaria de ter uma vida como a que essa criança vai ter.

Jota Farr disse...

Li alguma coisa sobre o caso dessa criança e falava que o caso dela não é de anencefalia, daí ela estar viva; logo é complicado mesmo usar a criança dessa forma ainda mais em uma votação tão específica como essa dos fetos sem cérebro.

Juliano disse...

Fiquei quase revoltado ao ver essa família. A menina é nitidamente anencéfala, mesmo tendo um resquício de encéfalo, mas insuficiente para proporcionar uma vida autonoma se chegar a crescer. Sou biólogo e nao consigo conceber como os pais se iludem a esse ponto. Muito triste a falta de conhecimento e a opressao religiosa...

Anônimo disse...

sinceramente não tenho opinião totalmente formada sobre isso, mas lendo seu texto me perguntei... e se tivesse como saber que a criança seria gay ainda no útero e os pais preferissem abortá-la? afinal para algumas( várias) pessoas ser gay é ser doente. eaê comofas?
e na boa, não achei que nenhum dos dois está com cara de fui obrigado a fazer isso, clínicas clandestinas estão aí aos montes.

Anônimo disse...

" não achei que nenhum dos dois está com cara de fui obrigado a fazer isso, clínicas clandestinas estão aí aos montes." (2)

Acho que pela foto não dá pra saber se a mulher o fez por obrigação ou por amar realmente a criança. Achei o julgamento precipitado.

As coisas não são tão cartesianas quanto parecem...

Anônimo disse...

Ver uma criança assim é extremamente perturbador. Já visitei hospitais com pequenos seres humanos em condições parecidas e digo: não é fácil. Mas nessa etapa da minha vida, muito do meu ponto de vista de "certo/errado" caiu por terra. Me obrigou a sair um pouco do meu mundinho e olhar em volta. Acredito que essa mãe pode sim, amar essa criança.

Dierry disse...

OLHA EU ACREDITO QUE O AMOR É O QUE MOVE O MUNDO, ETÃO COMO O AMOR ENTRE HOMEM E MULHER,HOMEM E HOMEM, MULHER E MULHER, AMIGOS E AMIGOS, ESSES PAIS PODEN SIM AMAR OS SEUS FILHOS ELES TENDO A DOENÇA QUE FOR, A DIFICULDADE QUE FOR.