sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sem noção

Eu já tinho lido muito a respeito da ministra Iriny Lopes, da pasta de Assuntos da Mulher, mas não tinha a menor ideia de que cara tinha a encrenca. Dei uma googlada hoje de manhã e levei um susto: gente, ela é o Laerte! Com todo o respeito, esta foto bem poderia ilustrar qualquer reportagem sobre transexuais.

Brincadeiras a parte, parece que a atribuição de defender a mulher lhe subiu a cabeça, e da pior forma. Depois de tirar o comercial da Gisele do ar, a ministra quer agora alterar os rumos da novela Fina Estampa porque acha que o personagem da Dira Paes é muito submissa. Ah, e ela quer também proibir o quadro de maior audiência do Zorra Total, aquele esquete com a travesti Valéria (o ótimo Rodrigo Sant'Anna).

Imagino que o próximo passo seja proibir os comerciais de produtos de limpeza (todos mostram só mulheres limpando as casas, são sexistas), os comerciais de cerveja (onde as mulheres são gostosas burras e os homens são só burros), as transmissões do futebol na quarta à noite (os times não permitem mulheres jogando, incentivando a discriminação), o banimento dos desfiles de escolas de samba (onde abundam as mulheres com pouca roupa, transformadas em objetos) e a transmissão de filmes de ação americanos onde as heroínas indefesas são salvas por brutamontes treinados em artes marciais (imagino que ela já deva estar preparando uma carta para o Obama pedindo o fechamento de Hollywood).

Ter uma ministra que mostra trabalho é ótimo. Ter uma ministra que não consegue distinguir realidade de ficção é péssimo. Ter uma ministra sem noção é o pior de tudo.

23 comentários:

Fernando disse...

Luciano,

Existe uma grande diferença entre "querer" e demonstrar uma opinião, principalmente quando se trata de um oficial público demonstrando sua opinião. Depois daquela discussão enorme sobre "os efeitos revolucionários do beijo gay em novelas e suas influências para a causa gay no Brasil", chega a ser ligeiramente contraditório chamar de intromissão "sem noção" o pedido de uma oficial responsável pelos direitos femininos.

Não dá para olhar para a nossa causa e ignorar o fato de que as mulheres ainda tem um longo caminho pela igualdade de condições na sociedade.

Abraços,
Fernando.

Anônimo disse...

gente,
sério que todo mundo acha um absurdo um membro do governo dar opinião ou sugerir alguma coisa?

Acho super normal a Laerte falar o que pensa. Ela não está censurando nada. No caso da Gisele ela enviou carta ao conar dizendo o que pensava. Quem vai proibir ou não é o conar. No caso do metro apenas apoiou o pedido da associação dos funcionários do metro. Quem vai decidir se tira do ar ou não é a globo. E no caso da novela falou que o assunto é válido e que o governo tem recursos para lidar com situaçoes do tipo, mostrando quais são esses recursos.

Em nenhum momento ela tentou impedir a veiculação em nenhum dos três casos. Acho válido o governo se posicionar.

Ficaria indignado desse jeito que vc está se ela tivesse entrado na justiça ou simplesmente proibido qualquer uma da três, mas se posicionar é o papel dela.

não?

Luciano disse...

@Fernando:
Não sei se entendi bem o quê você disse, acho que a sua redação ficou truncada. Não ficou claro para mim se você está criticando o que eu disse, o que a ministra disse, o que ambos dissemos, ou nada disto.

@Anônimo:
Discordo totalmente.
Um cidadão comum como eu, numa sociedade livre e dentro da legalidade e da decência, pode (e deve) dizer tudo o que pensa, expressar sua opinião sobre qualquer coisa, por mais absurda que seja. Ouve quem quer, e todo mundo tem o direito de concordar ou não.
Já com um representante do governo a coisa é bem diferente. Um ministro brasileiro é o co-piloto de um Boeing com quase duzentas milhões de pessoas a bordo. Tudo que ele faz, fala, ou deixa de falar ou fazer, afeta todo mundo. Dependendo das palavras que o ministro Mantega usa hoje, amanhã caem as Bolsas e sobe o dólar. Na área econômica é mais fácil perceber estas coisas, mas isto vale para todas as áreas em maior ou menor escala.
Um cidadão comum tem "opiniões". Um ministro tem "políticas". As atitudes da ministra Iriny não são opiniões pessoais, são diretivas governamentais.
Eu posso fazer campanha pelo beijo gay na novela, pela liberação da maconha, pela nudez nas praias, pelo extermínio dos chatérrimos defensores do mico-leão-dourado, por qualquer coisa que eu acredite. Já um ministro de estado é uma pessoa pública que tem que ter cuidado (muito!) com o que fala e faz - é o tipo de posição onde não se consegue separar o pensamento privado do público.

o Humberto disse...

Rapaz, eu não tive tempo ainda de escrever sobre essa louca, mas pretendo fazer isso. Meus trabalhos acadêmicos sempre foram em torna da questão da mulher e eu nunca vi uma pessoa tão limitada pra tratar do assunto.

Por fim, por favor, nunca mais ofenda o Laerte, que eu amo desde sempre (mas tá a cara mesmo, hahahaha).

Abração Luciano, bom fds pra vc!

o Humberto disse...

By the way, adorei sua resposta. ;)

Anônimo disse...

Fernando, te amo.

João Pedro disse...

Luciano, acho que os comentaristas quiseram dizer que o seu discurso é tendencioso ou distorcedor. Se eles não quiseram dizer isto, perdão, é o que eu quero dizer.

Você disse que a ministra quer alterar os rumos da novela. Ela não quis alterar, mas sim sugerir um fim adequado à luta da mulher.

Não assisto a novela, mas sei que ela é importante para a mudança da questão de gênero no Brasil. É importante porque o brasileiro se espelha na novela. Uma mulher denunciando o seu agressor é tão bom quanto um gay que é visto positivamente, em um bom relacionamento, bem sucedido no trabalho...

Acho que foi você mesmo (se não foi, perdão) que, quando criança, via o gay afetado da televisão como uma imagem negativa e ridicularizada, por isto não queria ser gay, tinha medo de se tornar aquele gay afetado da televisão. Se não foi você que disse isto, foi um outro blogueiro.

A novela afeta a vida social do brasileiro. O que a Iriny fez, neste caso, não foi censura, mas sim o seu trabalho, procurando zelar pela imagem da mulher.

E ela não quer proibir o quadro do Zorra Total. Quem se mobilizou para isto foi outro sindicato, ela apenas demonstrou apoio. E é de se apoiar, sim.

Tudo isto é violência simbólica. E a violência simbólica é muito perigosa!

Por fim, Fernando, casa comigo? rsrs

Anônimo disse...

Vergonha alheia detected.

TONY GOES disse...

Cê jura que essa é mesmo a Iriny? Quando eu abri o seu blog até pensei, "que maldade do Luciano, pondo uma foto do Laerte para ilustrar o post..."

Luciano disse...

@TONY:
Juro! Dá uma googlada nela e você vai ver. Eu ainda tentei escolher a foto em que ela estivesse menos parecida, para não ofender o Laerte.
;-)

Lucas T. disse...

Como diria mamãe, essa racha "viajou na maionese". Acho o cúmulo governo meter a mão em ficção. Ficção é ficção e ponto final. Ela deveria estar mais preocupada com as mulheres do nordeste brasileiro, por exemplo, que são as que mais sofrem com o sexismo.

Isso que ela está fazendo não é trabalhar, é procurar pêlo em ovo.

Bagaceirinho de Jesus disse...

Mudando de assunto, que mulher feia! Blogs tem de ter opiniões pessoais do dono e não o que A ou B "querem" ouvir, se não for assim, que graça tem? Adelante, sr. do MUQUE e não olhe p/ trás.

DPNN disse...

Censores sempre usam a desculpa de que estão agindo para proteger a sociedade... a sociedade precisa ser protegida de gente como ela, isso sim.

Realmente ela é a cara do Laerte, mas não tem 0,000001% do senso de humor dele.

Lullitah Q-Dah disse...

Absolutamente nada pessoal, mas Fernando obrigado por seus comentários que tem sobre mim o mesmo efeito de um coquetel de rivotril, ansiopax e diasepan... zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...

Flávio disse...

Quando abri sua página levei um susto. Juro que pensei que você ia dizer algo sobre o Laerte ser sem noção. Ou que ele não sabia escolher lencinho para o pescoço.

Anônimo disse...

Essa daí é mais uma VACA vivendo as nossas custas, desse governo mediocre comandado por uma VACA MAIOR AINDA!!!!!
PT CÂNCER DO BRASIL VAI SER DIFÍCIL SE LIVRAR DISSO!!!!

Sheeva Shara disse...

Ela e Laerte foram separados no berçário da maternidade, só isso explica, kkkkkkkkkk. O anonimo disse tudo:

Essa daí é mais uma VACA vivendo as nossas custas, desse governo mediocre comandado por uma VACA MAIOR AINDA!!!!!
PT CÂNCER DO BRASIL VAI SER DIFÍCIL SE LIVRAR DISSO!!!! [2]

Carlos disse...

Acho que a luta das mulheres e a dos gays tem muito em comum. Ambos os grupos lutam por direitos que são negados pelo machismo. Uma sociedade menos machista tende a ser menos homofóbica. Não tiro o mérito da Ministra em criticar o sexismo na TV, só acho que seria mais eficaz se o governo criasse campanhas publicitárias combatendo o sexismo e obrigasse os canais, que são concessões públicas, a veicularem essas campanhas, como o Equador fez. Elas também tem o direito de reclamarem pra que a personagem reclame e denuncie o agressor, assim como nós queríamos que a novela passada tivesse um beijo gay. É uma luta por direitos igualitários, como a nossa.

Cara Comum disse...

Luciano, meu querido!! Pela primeira vez discordo de vc e tenho que concordar com opiniões semelhantes a do Fernando.

É claro que ficar emitindo pareceres desfavoráveis à comerciais e obras de ficção não resolve o preconceito e a violência simbólica e psicológica em si, mas isso SOMADO a políticas públicas efetivas pode sim fazer a diferença.

Entendo que a gente tem que ter sempre um pé atrás para evitar atitudes de mera censura. Mas acho importante que veículos como a TV cuidem do conteúdo das mensagens que pregam e que, infelizmente, são fonte de forte influência para um povo como o nosso que raramente se questiona e utiliza seu senso crítico.

Ao meu ver, educar um povo é como educar uma criança: se vc tira da repressão total e de repente bota na liberdade total vc não está educando. É preciso aprender a lidar com graus intermediários de liberdade para que o nosso povo aprenda por si só a selecionar e criticar o que lhe chega veiculado pela mídia.

Abraços!!

Noves Fora! disse...

Essa desculpinha esfarrapada que essa mulher (?!) só tá fazendo o trabalho dela é mesmo argumento usado por bolsonaro, myrian rios, marcelo crivella quando usam tribuna das casa que representam, mesma desculpa de que estamos numa democracia, que alguem tem de "zelar" e "conservar" segmentos como família, liberdade de crença, raça, gênero...

E.O.Q.A. disse...

Chega disso, se tudo que esse povo questiona for acatado, aonde vamos parar? P/ mim essa daí é recalcada pela condição física e inalienável que natureza deu a ela e quer punir todo o resto do mundo que não é tão feio-chatonildo quanto ela.

Thiago Lasco disse...

Eu até concordo com o Fer que as mulheres têm um longo caminho de conquistas pela frente, mas acho que estamos vivendo uma onda neoconservadora em que o bom senso foi completamente deixado de lado. Além disso, curioso como se quer mostrar serviço para proteger as mulheres, enquanto nós, gays......

Jack disse...

claro que um governo deve mostrar sua opinião sobre toda e qualquer questão. desde o que se passa na tv - uma concessão pública - ao que acontece nas filas com mulheres morrendo sem atendimento do sus do pará. afinal, é governo.

órgãos reguladores e a sociedade devem decidir sobre o que fazer a partir dessa posição.

não concordo com a desculpa de que algo deve ser relevado por ser uma 'obra de ficção'. obra de ficção é o filme 'avatar'. novela, programa de humor e comerciais retratam e perpetuam crenças e preconceitos.

o comercial da hope é sexista. a 'valéria vasquez' incentiva o 'estupro solidário'. a novela tem que mostrar que há saídas - precárias, mas existentes - para as mulheres que apanham de seus maridos.

o governo tem sim a obrigação de alertar sobre esses fatos. esse é um dos pilares do estado democrático de direito.