terça-feira, 17 de abril de 2012

Rodando a batina


É inacreditável como a Igreja Católica perde oportunidades excelentes de fazer relações públicas de forma eficiente sem gastar um centavo. Tem empresas que gastam milhões com agências especializadas neste trabalho e nem conseguem metade do que a Igreja poderia conseguir de graça. A Igreja vai continuar existindo por muito tempo. Os gays também. Então não seria no mínimo prudente que a Igreja começasse a trabalhar contra esta pecha de intolerância que tem atraído muito mais atenção e gerado muito mais manchetes do que qualquer notícia que exalte sua benevolência e benemerência?

A polêmica da vez é o cartaz que foi criado para promover a Parada Gay de Maringá que acontece em um mês. O cartaz aproveita a imagem da catedral símbolo da cidade em uma montagem baseada na capa do disco The Dark Side of The Moon (de 1973) do Pink Floyd. A ideia é simples e boa, e emprega elementos emblemáticos facilmente reconhecíveis da cultura pop (o disco) e do local (o símbolo da cidade). Mas foi o que bastou para que o clero local rodasse a batina.

Há muito que alguns locais perderam a significação meramente religiosa e passaram a ser marcos turísticos e pontos de referência. O Corcovado, no Rio de Janeiro, é talvez o melhor exemplo. Fui ao Corcovado pela primeira vez há pouco mais de um ano e quase entrei em êxtase com a vista realmente deslumbrante, mas nem de longe me passou pela cabeça que minha visita era uma peregrinação religiosa. Além disso, por serem isentas do pagamento de impostos, as igrejas são, sim, parcialmente financiadas pelo dinheiro público que sai do bolso de todo cidadão de bem. Só por isto já deveriam ter um pouquinho mais de cuidado com a intolerância que projetam contra os cidadãos que permitem que elas existam.

Não teria sido muito mais apropriado de uma organização que professa o amor ao próximo uma declaração do tipo "nós da diocese de Maringá aproveitamos esta ocasião para abraçar nossos irmãos homossexuais na luta por uma sociedade mais justa e livre de preconceitos"? Fica a dica.

(Obrigado ao amigo Clóvis, que é de Maringá e que está acompanhando tudo diretamente do epicentro da celeuma).

7 comentários:

Margot disse...

Luciano, nunca apreciei tanto um post seu como este. Não gosto de discutir religião, mas é inevitável não ver o erro crasso que a igreja católica tem cometido ao longo dos séculos e nas últimas décadas em especial. Ao verem o estrago, pressinto, será tarde demais. Abraços e bjks..rsrrs

Dino Costa disse...

...Maringá é superconservadora...conheci muitos gays de lá refugiados não só na capital, mas no interior de São Paulo também.

Essa igreja devia estar no livro dos records como o maior chapéu de bruxa do planeta...

Iuri disse...

Olha, sinceramente, eu hj em dia já nem quero mais q a igreja se reinvente. Quero mais q eles fiquem com essa teimosia imbecil, grudadas no sec XV, até finalmente descansarem em paz na cova q eles msm cavaram.

E só uma pequena correção: ess é uma confusÃO feita inclusive por muitos cariocas, mas corcovado e cristo redentor não são a msm coisa. O corcovado em si não é um símbolo religioso, visto que corcovado é o nome do morro sobre o qual o cristo redentor, este sim, símbolo religioso (ou não, pq nesse ponto concordo inteiramente com vc, é muito mais símbolo cultural do q meramente religioso)foi colocado.

mada disse...

olha, o padre conversou com o cara da organização lgbt numa boa e na proxima reunião de bispo, de padre ( acho q da CNBB), sei lá q está pra acontecer vai propor a criação da pastoral da diversidade, inclusive acho q essa organização vai orientar ele, um troço assim. Achei a postura tanto do padre qto do rapaz super sensata e os dois mantiveram um diálogo longe de histerias e preconceitos. Estão tentando caminhar no cipoal de imcompreensão e ódio. Pastoral da diversidade. Talvez seja um caminho. Os católicos são muito maleáveis e aceitam muitas coisas q o Vaticano condena.

Luciano disse...

É verdade, Mada
O Clovis me mandou este link hoje pela manhã sobre a abertura do diálogo. Está prevalecendo o bom senso.

Anônimo disse...

Ah, por favor, reconheçamos: foi sim uma provocação. O arco-iris irrompendo o domo da igreja transmite a ideia de imposição e não de integração.

railer disse...

achei o cartaz fantástico!

quando voltar ao rio, entre em contato! abraços!