sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Um novo tempo

Há algo de novo no ar. E é algo bom.

A luta pelos direitos dos homossexuais é o lance atual da eterna guerra pela garantia dos direitos humanos. Os avanços conquistados nos países mais civilizados do planeta têm sido mais rápidos e mais abrangentes conforme a população que apóia os homossexuais cresce e prevalece sobre a parcela conservadora cada vez menor.

A Suprema Corte dos Estados Unidos anunciou hoje que analisará no próximo ano dois casos relacionados com os direitos dos gays. A notícia está sendo bastante comemorada. Ser escolhido para análise pela Suprema Corte nos Estados Unidos é mais ou menos como ganhar na loteria. A Suprema Corte elege pouquíssimos casos para serem analisados, e as decisões são normalmente históricas. Ninguém pode prever o resultado, principalmente se tratando de uma Corte que normalmente toma decisões conservadoras, mas pela velocidade com que a população americana tem abraçado e aceitado a igualdade dos gays, é muito possível que a Suprema Corte surpreenda com uma decisão iluminada. As matérias serão examinadas possivelmente em março, e as decisões deverão ser conhecidas no final de junho.

E no Brasil o caso da agressão covarde ao André Baliera teve, pela primeira vez, um tratamento diferente do que vinha acontecendo a acontecimentos deste tipo até então. Houve uma indignação generalizada, um apoio maior da imprensa (o fato continua notícia de destaque quase uma semana depois), uma condenação sem ressalvas das atitudes homofóbicas, e uma certa sensação de que agora chegamos ao limite. Até o blog da Folha Para Entender Direito, ótima fonte que sempre explica fatos do momento sob uma perspectiva jurídica, aproveitou para explicar hoje porque os dois agressores estão absolutamente ferrados e sem saída ao discorrer sobre como a lei enxerga a teoria das reações razoáveis e proporcionais. Vale a pena a leitura.

11 comentários:

Oliveira Santos disse...

Que seja feita a justiça!!!!Chega de brutalidades como esta!!!!

Oliveira Santos disse...

Realmente não pode ficar impune, depois de ler esta matéria, os agressores vão pagar pelo que fizeram, eu mesmo vou mandar e-mail para gente muito influente aqui em Brasília, isto não pode ficar impune!!!!

Anônimo disse...

Estou muito curioso pra saber até onde esse caso vai e quais serão as consequências. Claro que dessa vez tudo parece certo para uma punição exemplar (se existe isso), mas com a confiança que o Judiciário inspira, fico na dúvida. Pelo menos os dois criminosos estão presos. Isso já é um alívio.

Lucas T. disse...

A Corte poderia aproveitar e analisar o aviso de transgênicos nos alimentos nos EUA. A proposta da California não passou na última eleição. Vergonha.

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

será mesmo q novos tempos já estão por vir? tomara q sim ...

bjão

Dino Costa disse...

Como o próprio André disse, a imprensa e a sociedade só teve uma reação diferente porque aconteceu com um rapaz branco, de classe média e estudante da USP. Se fosse uma travesti de esquina ou uma bichinha de subúrbio, ninguém nem falaria nada...nem mesmo os blogs dos gays..

Luciano disse...

Dino:
É claro que o fato de o André Baliera ser bonitinho, branco, classe média, estudante da USP faz diferença. Isto se chama IDENTIFICAÇÃO. As pessoas viram nele um primo, um irmão, um namorado, um filho, um vizinho, e se assustaram. Não há nada de errado nisto.
Se a agressão tivesse sido com uma travesti negra, pobre e feia teria sido igualmente terrível, condenável e lamentável. Mas é necessário que haja identificação para que as pessoas se comovam e se movam, e isto ninguém pode mudar.
É claro que não é justo. Mas eu só sei que é assim.
**

Anônimo disse...

A lei de defesa do casamento foi há pouco tema de episódio de The Good Wife. A situação era até mais grave que a de Edith Windsor, já que envolvia a perda da liberdade de locomoção, vale assistir: o episódio se chama A Defense of Marriage, coincidentemente um dos melhores já vistos.
Vão ser escancarados na Suprema Corte as consequências medonhas dessa Lei e os danos visíveis da discriminação. Torcer pra que Scalia e companhia ouçam com atenção...
Boa semana!

Edilson Cravo disse...

Luciano:

Minha indignação foi externada em duas postagens, compartilhei o perfil dos agressores no Facebook e mandei pedidos de compartilhamentos para umas 70 pessoas (pelo menos), acho que de um jeito ou de outro, precisamos fazer algo, precisamos lutar e gritar um BASTA para tanta bárbarie.

Abraços e ótima semana.

railer disse...

muito bacana essa atitude da justiça, da mídia e de todos que podem ajudar de alguma forma a diminuir a ocorrência deste tipo de violência.

Anônimo disse...

Luciano, acho que nos dias de hoje, em um caso assim, o fato de ser estudante da USP, uma universidade de acesso muito concorrido, conta mais, pois o rapaz teria um bom desempenho escolar e isso impõe respeito.
A solidariedade entre membros da classe média perdeu força, pois esse segmento foi bem ampliado e incorporou pessoas de níveis antes mais simples, deixando de ser um grupinho fechado de iguais ou parecidos. Também o fato de ser o rapaz branco, na visão de um carioca, não sensibiliza mais do que se fosse ele negro, pois a violência urbana intimida muito a todos.
Mas esteja certo de que, fosse ele um travesti, ainda que louro e com olhos azuis, a solidariedade seria bem mais restrita.