quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Cheiro de mofo

Ives Gandra Martins
O pensamento do dr. Ives Gandra Martins sempre foi referência em matéria de legislação no Brasil. Professor emérito da Universidade Mackenzie e dono de um currículo invejável, o jurista tem sido figurinha fácil em todo debate que envolve legislação. Mas parece que o pensamento do ilustre dr. Gandra começa a ficar datado.

Em relação ao casamento de cônjuges do mesmo sexo aprovado ontem pelo STJ, o dr. Gandra diz: "Os pares gays têm todos os direitos, mas o que eles não são é família. Segundo a Constituição, não são porque não podem gerar prole. Qualquer que seja a decisão do STF ou do STJ, do ponto de vista doutrinário não são família." ... "A família é a base da sociedade. Se todo mundo for gay acabam o Estado e a sociedade." ... "A família, que cria valores e é o primeiro berço do cidadão, só pode ser heterossexual. Não tenho preconceito, reconheço que têm todos os direitos, só não são família."

Luís Felipe Salomão
Segundo o entendimento do dr. Ives Gandra Martins, casais heterossexuais que não podem ou não querem ter filhos também não são famílias.

Esta opinião contrasta frontalmente com a visão do ministro Luís Felipe Salomão da 4ª Turma do STJ, que foi o relator do processo decidido ontem confirmando o casamento civil para um casal de lésbicas do Rio Grande do Sul. Segundo o ministro Luís Felipe Salomão: "Não existe um único argumento jurídico contrário à união entre casais do mesmo sexo. Trata-se unicamente de restrições ideológicas e discriminatórias, o que não mais se admite no moderno Estado de direito".

O que é importante destacar na opinião do ministro Salomão é a palavra moderno quando ele se refere ao moderno Estado de direito. Ele reconhece que a sociedade evolui e muda. E realmente mudou. Os pensamentos do dr. Ives Gandra Martins, como as ideias daquele partido do peixe podre, começam a exalar cheiro de mofo.

8 comentários:

Lucas T. disse...

Parabéns ao Salomão. Amei a palavra "moderno" também. Pena que tivemos 1 voto contra. Poderia ter sido unânime que nem no STF, mais um tapão na cara da sociedade. Se dependesse mim a sociedade estava toda cagadah cheia de hematomas.

Cara Comum disse...

Pois é. A questão de ter um pensamento "moderno" ou não fica tão mais triste quando se pensa no que esconde-se atrás da natureza desse pensamento... Fascismo mandou lembrança!

Abraços!!

Dan disse...

cheira podre...

Paulo Braccini - Bratz disse...

está morto e fede!

Anônimo disse...

Para esclarecer:
Na verdade, o voto não foi contra. O entendimento firmado no voto vencido abordou questão diversa, asseverando que a questão de mérito tinha cunho constitucional, o que atrairia a competência do Supremo Tribunal Federal (STF) para a análise da questão. O STJ tem competência para análise de normas de direito federal. Portanto, ainda que não tenha sido unânime, não se pode dizer que o voto vencido foi contra.
Wesley

Lucas disse...

Eu também fiquei impressionado. O dr Ives Gandra influenciou gerações de juristas e uma citação sua em qualquer artigo enriquece o texto.
Isso nos mostra como ainda é difícil, mesmo para um homem cultíssimo, aceitar a diversidade sexual. Talvez seja difícil porque há um componente narcísico aí, a dificuldade de compreender quem não seja seu reflexo.
O fato é que o Direito segue adiante, porque a sociedade não para. E hoje em dia, cada vez menos homossexuais estão dispostos a abrir mão de vivenciar a sexualidade.

Soterpolitano disse...

"Não tenho preconceito, reconheço que têm todos os direitos, só não são família." Palavras da Excelência, que como todos os outros que tocam o terror, jamais admitem o que verdadeiramente são: PRECONCEITUOSOS. Comportamento covarde que eu considero típico do Brasil.

"O que é importante destacar na opinião do ministro Salomão é a palavra moderno, quando ele se refere ao moderno Estado de direito. Ele reconhece que a sociedade evolui e muda. E realmente mudou. Os pensamentos do dr. Ives Gandra Martins, como as ideias daquele partido do peixe podre, começam a exalar cheiro de mofo." Palavras do grande Luciano. Como eu acho que você não é da área jurídica, chamou minha atenção você ter destacado justamente esta palavra:Moderno. No início da Faculdade de Direito, é justamente o que nós aprendemos, que as ciêcias jurídicas acompanham a evolução social, e não o contrário, e por isso, estas não são, definitivamente, imutáveis.

É Luciano, tô completamente apaixonado por vc, tenho que parar de ler esse blog, Nossa Senhora!

Jack disse...
Este comentário foi removido pelo autor.