sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Irmãos de armas

Os Estados Unidos são o melhor exemplo de como devem ser estruturadas e organizadas as lutas por direitos - e já era tempo de começarmos a aprender com eles. Em primeiro lugar, direito é algo muito abstrato, então toda luta tem que ter uma cara que simbolize a essência do que está sendo buscado - seja o rosto de Rosa Parks, de Harvey Milk, ou de Matthew Shepard. É o rosto daquele que ousou levantar contra o mais forte. A partir daí começa o engajamento de todos que apoiam a causa, que passam a bombardear o agressor por todas as formas possíveis e imagináveis, eventualmente conquistando o apoio da imprensa e de políticos influentes.

No Brasil temos a oportunidade de testar este modelo com o recente caso do médico Ricardo Tapajós (o da direita na foto) que teve negado o pedido de inclusão de seu marido Mario Warde, também médico, no quadro de associados do tradicional Club Athletico Paulistano. Seria só um caso de obediência às normas do regulamento interno do clube se não acontecesse de a organização aceitar a inclusão se o parceiro fosse do sexo feminino. Aí passa a ser um caso de preconceito mesmo. Como disse Ricardo, "concubina pode, meu marido não". O caso está ganhando repercussão, e eu espero que o Ricardo faça um barulho tremendo com isso. Existem todos os ingredientes para ganhar a simpatia da imprensa (luta por direitos civis contra clube elitista e preconceituoso).

Falta agora a presidência do clube ser bombardeada pela imprensa e pelos cidadãos de bem indignados com esta atitude. Para enviar um e-mail para o clube, basta clicar em Presidência do Club Athletico Paulistano. Eu acabo de enviar o meu e-mail expressando repúdio, e terminei minha mensagem com "Este episódio é uma mancha vergonhosa nos registros desta organização cuja história se confunde com a própria história da cidade". É bom lembrar que ninguém vai vir bater na sua porta para perguntar se você está precisando de alguma coisa em termos de direitos.

2 comentários:

Daniel disse...

Aqui no Rio eu já soube de decisões favoráveis em casos idênticos. Acho que isso rende uma briga boa. Já existe a teoria da "eficácia horizontal dos direitos fundamentais" que diz que os direitos e garantias fundamentais não são oponíveis só ao Estado, são também aos particulares. Ou seja, não é só do governo que a gente tem que cobrar respeito ao direito da igualdade. Pode-se cobrar de um clube privado também. Se reconhecem união estável HT, tem que reconhecer gay também.

o clube nem está sendo tão homofóbico, só estão se apoiando no vazio legal para tentar faturar com mais um sócio que pague, ao invés de um dependente que não paga.

tommie disse...

Apesar de todos os filmes e séries de tv americanos, eu ainda acho a nossa sociedade tão diferente da deles e me pergunto porque, em vez de olharmos tanto pra lá apenas, a gente não tenta aprender com culturas mais parecidas, como a espanhola, até mesmo portuguesa, pois pelo que consta essas conseguiram coisas nesse segmento que nem mesmo os exemplares norte-americanos conseguiram.