domingo, 19 de setembro de 2010

Oh, my god!!

O ateísmo tem crescido drasticamente, mas pouca gente percebe. É um grupo de baixíssima visibilidade. Não têm templos, não fazem campanha, não batem à sua porta para pedir nada, não têm reivindicações, não espalham ameaças, enfim... não enchem o saco de ninguém. Existem silenciosamente.

Declarar-se ateu no passado era quase uma sentença de morte. O exercício de uma religião era associado a princípios éticos e morais. Quem não tinha religião não era bom. Hoje, longe da idade das trevas, a dissociação das duas coisas é muito clara para todas as pessoas esclarecidas. Há ateus muito bons, éticos e morais, da mesma forma que há religiosos péssimos, aéticos e amorais.

Cerca de 65% da população do Japão se declara ateísta. Na Dinamarca este número sobe para 80% e na Suécia para 85%. Não é difícil traçar um paralelo direto entre ateísmo e desenvolvimento, e não foi só o Caetano Veloso que já percebeu a "incompetência da América católica". Foi-se o tempo em que a igreja conseguia catequizar povos à força para salvá-los das garras do diabo - argumento que nos dias de hoje soa absolutamente risível.

Mas é nesta visita ao Reino Unido que o papa está sentindo de perto o quanto sua igreja está ficando desimportante. 40% da população da Escócia, cerca de 2 milhões de pessoas, atualmente se considera muito bem sem deus, obrigado. E fez questão de deixar isso bem claro em uma campanha feita para coincidir com a visita do pontífice. Chegando em Londres, o cenário não foi diferente. Com a sutileza de um elefante manco histérico, o papa fez um discurso equiparando o ateísmo ao nazismo. Na hora errada, no lugar errado.

Como se a própria evolução da sociedade já não bastasse para erodir a importância da igreja, a eleição de um papa sem carisma que tem sido extremamente inábil na gerência da crise gerada pelos escândalos sexuais do clero tem cuidado do resto. Nunca uma visita papal foi acompanhada de protestos tão intensos. O mundo está mudando. E mudando bem depressa.

5 comentários:

Gui Sant'Anna disse...

Graças a Deus.

Por ironia do destino.

Introspective disse...

Amém! ;^)

Paulo Braccini disse...

e que assim seja ... quem sabe isto seja o prenúncio de melhores dias e melhores tempos ...

bjux

;-)

Papai Urso do Interior disse...

Só lembrando q esta tendência já tem seguidores d longa data, por exemplo, Jorge Amado, sua esposa Zélia Gattai e o Nobel José Saramago eram ateus, tb. Resta saber p/ onde acreditavam q iriam, pois onde quer q seja é lá q estão agora... ui... meda da morte!!!

[ joe ] disse...

Não fico desejando que o mundo inteiro se converta ao ateísmo, mas certamente fico feliz que as pessoas comecem a se livrar das prisões das religiões. Sempre é bom ter um pouquinho de fé em alguma coisa/alguém. Mas, como disse Madonna, algo que sempre carrego comigo: a religião separa as pessoas. E isso é fato. O Cristianismo, principalmente. E deste sim, tenho muito orgulho de ter me livrado; mais sujo do que isso, não tem.
E adorei a iniciativa dos escoceses. Aposto que com a comparação babaca ao nazismo, os ingleses quiseram ter feito o mesmo.

[j]