quinta-feira, 14 de abril de 2011

Desconexão Repórter

Acabei de assistir ao programa Conexão Repórter no SBT sobre violência contra gays e nunca imaginei que o Roberto Cabrini, que já foi um repórter bastante respeitado, pudesse comandar uma atração tão meia-boca. O programa se baseou em material requentado do Profissão Repórter sobre preconceito exibido pela Globo em maio do ano passado - este sim, muito bem feito e emocionante (e que pode ser visto na íntegra aqui). Mostraram a mesma D. Edite, que lidera um grupo de ajuda a pais de homossexuais e - pasme! - a mesma família Reder! Será a única família no Brasil que tem um filho gay e que venceu o preconceito??! A novidade na família Reder é que o Vítor já não está mais namorando o Júnior. E, é claro, o depoimento da mãe foi muito mais melodramático - com direito à encenação da suposta tentativa de suicídio. Alguém traga meus sais!

O bloco que cobriu o grupo de carecas que espalham violência pelas ruas mostrou algumas cenas chocantes de jovens gays sendo praticamente linchados nas ruas. Mas as fotos utilizadas foram as mesmas publicadas na Folha de S. Paulo há pouco mais de uma semana. As asneiras ditas pelos carecas foram mostradas para o apresentador Leão Lobo que fez declarações profundas do tipo "isto é um absurdo".

E houve um bloco inteiro dedicado a travestis bem baixaria que se prostituem em esquinas escuras da cidade. Este é o tipo de tema que deveria ser tratado a parte e com muito tato, principalmente neste momento que os gays tentam provar que são pessoas normais e que não vieram de Marte.

Há algum tempo atrás, quando um amigo de 30 anos se assumiu gay, o maior medo da família era que ele passasse a usar roupas de mulher ou que fosse fazer uma operação para mudar de sexo! A desinformação é muito grande e acho sempre um pouco perigoso colocar homens e mulheres gays, travestis e transexuais no mesmo pacote. Todos estes grupos merecem respeito e devem estar juntos na luta contra o preconceito, mas vivem realidades muito diferentes. Na confusão que se cria as pessoas acabam achando que qualquer homem ou mulher gay tem vontade de mudar de sexo. Eu queria, nestas horas, poder dizer que tenho muito orgulho de ser homem - um homem gay - e que nunca me passou pela cabeça ser mulher ou agir como uma.

8 comentários:

Wagner Koch disse...

Quando me Assumi gay, Minha amada irmã me pergunto exatamente o que tu falou no texto. ' tu vai travesti' e bem de bom falei, nãoooo... Amo demais ser homem, amo muito meu pinto.

ADRIANO disse...

Planejei em assistir o programa, mas dormi no sofá, e parece que não perdi muita coisa, o que estou interessado em ver é o depoimento dos carecas homofóbicos.


COMO AS HISTÓRIAS SÃO PARECIDAS !!!!
O comentário do WAGNER KOCH poderia ser meu !!

Quando me assumi gay meu irmão me perguntou se eu iria me vestir de mulher(nada contra quem gosta),
e minha resposta foi quase a mesma:
NÃO!! Adoro ser homem, gosto do meu pinto !(e do pinto dos outros também...)

Dino Costa disse...

Por aí a gente também vê como o preconceito contra transexuais e travestis é mais forte do que para LG. Deve haver algum problema com a sociedade frente à emasculação/feminilização. Até os gays e lésbicas vêem isso como algo negativo...

Parece que, para nós vítimas de preconceito, deveríamos ser os primeiros a defender TT (transexuais e transgêneros).

Thiago Lasco (Introspective) disse...

Socorro, socorro, socorro!!! Meu feeling me disse pra fugir do programa e pelo visto eu estava certo - mas mesmo assim não imaginei que o resultado poderia ser tão ruim. Tipo 'corrão' mesmo! Affff

Papai Urso do Interior disse...

Universo lgbt e seus dramas tem um leque enoooooorme de variantes mas só mostram a ponta do iceberg - as quaquás da vida - uh que ódio - nisso, quase nunca são levados em conta:

- Caras gays como eu q tiveram casamento hetero e tem filhos biológicos no currículo;
- A barra que vai ser 'a conversa' que um dia todo pai gay vai ter com esses filhos p/ abrir a real e não sofrer rejeição deles que são sim criados num mundo homofóbico;
- O horror/avacalhação que a gente enfrenta no emprego justamente por ter de justificar every single day que ser gay ñ é sinonimo de faturar com o koo na esquina que nem travas-sem-noção, querer casar na igreja com um de vestido e outro de terno ou sair por aí jogando purpurina na cara de todo mundo

Afff... é mais do mesmo, sempre, everytime, everywhere, ... é dose! Pior q depois que chego do trampo só me resta tv aberta... O Cabrini nem de longe é bom como o Caco da Globo, verdade seja dita, mas apesar dos deslizes da produção SBesTeriana [precária e Ctrl+C da concorrente], gostei pq na verdade nunca vi o similar feito pela Globo ano passado, nem tive tempo de baixar p/ assistir... Foi muito bom saber o que me espera nos bastidores de uma dessas paradas gay que nunca fui na vida, lógica matemática: odeio micaretas de axé = odeio gay pride parades, beeeem menos inclinado a ir depois de ver um cara ter seu crânio esfacelado por chutes no rosto!!! Acho que vou fazer minha própria pauta, matéria, locações e situações e mandar p/ essas tvs burras, burras, burras, como se nessas equipes não tivessem pencas de gays p/ fazer coisa mais interessante e menos apelativa...

Paulo disse...

Olá Luciano, também fui assistir o programa e concordo e assino embaixo com o que tu escreveu!! Realmente é verdade; mostrar a realidade dos travestis, que é quase toda na marginalidade da prostituição com gays fica meio contraditório. Foi um programa repetitivo e meio superficial. Um abraço!

Humberto disse...

Quando vi a chamada no SBT, pensei: não vai prestar.
Mesmo assim, resolvi assitir.
Chamar aquele programa de "meia-boca" é elogio.
Edição tosca, repetição incessante de mesmas imagens, superficialidade no tratamento do assunto.
Por ter sido produzido pelo SBT, não fiquei surpreso. Tudo que essa emissora produz é de extremo mau gosto.

Cara Comum disse...

É... mais um tiro pela culatra! rs