terça-feira, 16 de agosto de 2011

Casar não é para qualquer um


Acostumados a uma vida inteira sem pressão dos pais ou dos parceiros para o casamento, alguns gays que vivem em áreas onde o casamento já é realidade estão demorando a se acostumar com a ideia. Como Aaron e Dan, os rapazes da foto, que são de Nova York e já namoram há um certo tempo. Eles curtem a vida juntos, passam férias com as famílias - que os apóiam em tudo, e agora começaram a ouvir aquela pergunta insistente: "quando é que vai ter bolo?"

Este foi o tema de artigo publicado no New York Times há algumas semanas (aqui, em inglês), que leva a algumas reflexões realmente interessantes. Embora muita gente veja a instituição do casamento como algo ultrapassado e falido, não há dúvida que na vida civil muitos casais dependem do casamento para reger o regime de bens conjugais, adoção, herança, visitação hospitalar, disposição de última vontade, ou até a relação com a família de um cônjuge falecido. O papel assinado não aumenta ou diminui o amor de ninguém, mas na vida civil as relações entre as pessoas são determinadas por códigos estabelecidos na forma da lei e isto ninguém pode mudar.

É claro que nem todo mundo precisa se casar, principalmente em uma classe da sociedade onde a possibilidade de casamento era um sonho impossível até bem pouco tempo atrás. Todos conhecemos amigos imaturos que mal conseguem segurar um namoro por mais do que três meses - para estes, então, a ideia de casamento talvez assuste tanto quanto uma sentença de prisão perpétua. Mas esta não é a regra.

Independente de QUERER casar ou não, ou de precisar de um casamento para melhor estabelecer uma relação que envolva o patrimônio comum do casal, o mais importante no momento é PODER casar. O simples direito ao casamento reveste a relação de respeito e dignidade e retira os gays da posição de cidadãos de segunda classe. A vontade de casar pode vir depois. Ou não.

10 comentários:

FOXX disse...

ou não!

Pedro Bitencourt disse...

Ou sim... agora existem possibilidades! Isso é o que interessa!!

Anônimo disse...

post perfeito!!!

Marcus disse...

Sim, viver o dia a dia é muito difícil Luciano. Por experiêcia própria de haver vivido um casamento de 5 anos aqui na Espanha. Por um lado a aceitaçao e a normalidade social. Todos no meu trabalho e creio que em todo hospital sabiam que éramos um casal e tínhamos todos os privilégios de ser um casal e todos os direitos tb. Na verdade, um casamento muda poco no que diz respeito ao dia a dia. Os aspectos legais sim, mudam muito !!! creio que mudam tudo !!! Nao me arrependo de haver casado. O casamento acabou, mas somos grandes amigos e hoje existe um sentimento de profunda amistad ! Mas até chegar nesse ponto, foi necessário muita reflexao e esforço. Un Saludo

marta matui disse...

Não quero saber, agora eu quero bolo e limusine dourada!

Pedro Bitencourt disse...

uhuuuuu! É isso aê...

Dan disse...

nao, brigado!

ivan disse...

na mosca. vivo como se fosse casado ha 12 anos, e eu e meu parceiro nao temos o menor interesse em uniao civil ou casamento. Mas tem que ter o direito, sim!

i.

S.A.M disse...

Como voce disse 'poder se casar' é o primordial, querer são outros 500!

Outra belissima reflexão!

Abração.

Nelson disse...

Não concordo com essa associação que você fez entre maturidade e relacionamento estável. Não é necessariamente assim. Conheço gente imatura que está casada há anos e gente madura que sabe que simplesmente não nasceu pra isso. Tem gente que adora exibir seu casamento de anos mas que trai sistematicamente o parceiro - não vejo diferença de maturidade entre esses e os "amigos imaturos que mal conseguem segurar um namoro por mais do que três meses". Assim, creio ser mais realista associar relacionamentos longos a outras características pessoais, desde algumas bacanas, como paciência e generosidade, quanto outras nem tanto, como carência, comodismo e subserviência - vai de cada um.