terça-feira, 23 de agosto de 2011

A união faz a força

Maicon Nachtigall
Houve um tempo em que a visibilidade dos gays estava restrita àquelas profissões como decorador ou bailarino, ofícios normalmente associadas com criatividade e delicadeza. Existia uma ideia errada e preconceituosa que gays não se encaixavam em ocupações consideradas mais "rudes", como soldados, policiais, bombeiros, ou lutadores. Mas este preconceito também está sendo derrubado de uma forma muito bacana.

Li, com bastante gosto, a reportagem do G1 sobre a associação de policiais gays e lésbicas que se uniram para lutar contra a homofobia (aqui). No Brasil! É um grupo de delegados, bombeiros, policiais, agentes penitenciários, vigilantes, e outros profissionais da área de segurança, todos homossexuais assumidos, que estabeleceram uma rede e lutam contra a discriminação na área em que atuam. Entre eles está o policial rodoviário Maicon Nachtigall, 33 anos, do Rio Grande do Sul, que é casado há 13 anos com um guarda de trânsito, e já foi até candidato a deputado federal.

Eu tenho um amigo policial civil, um que é policial rodoviário, e outro que é agente de segurança - todos gays assumidos - e atuando aqui na região. Todos os três tiveram o apoio dos colegas quando se assumiram na corporação, e costumam levar seus parceiros nas festividades do grupo. Eles são aceitos como família, e todos concordam que a fase de piadinhas entre os colegas passou rápido. Hoje têm o respeito de todos e adoram o trabalho que fazem.

Atitudes como a dos policiais desta reportagem, que se uniram, valem tanto quanto uma parada na avenida principal da cidade.


11 comentários:

clodoaldo disse...

Legal, gostei...

Daniel disse...

Esse é o 3º gaúcho chamado Maicon que eu conheço na vida. O que passou pela cabeça das mães dessa gente? Por que não batizaram seus filhos de Giuseppe ou Johannes??

Cara Comum disse...

Essa atitude vale até meu telefone se ele quiser... Hehehehe (#FeticheModeOn).

Falando sério, é uma pena que nem sempre foi assim. Eu tenho um conhecido que vai na contramão dessa história: foi demitido de uma empresa de segurança pq o chefe dele alegou que os subordinados dele (ele ocupava um cargo de chefia) não iriam mais respeitá-lo sabendo que ele é gay. Isso aconteceu há uns 15 anos mais ou menos, mas ainda exerce forte influência psicológica sobre ele... Whatever...

Eu acho muito bacana essa coisa de associar esses profissionais porque quebra essas barreiras bestas. Tem um projeto parecido na Alemanha que eu torcia pra ser implantado aqui. Maravilha que já tá virando realidade!!

Quem sabe esse meu conhecido não fica mais confiante com uma notícia desta?

Abraços!!

Lucas T. disse...

Digníssimo, eu lembro dele na última eleição, acho até que tenho no Facebook, haha.

Anônimo disse...

Sou gaúcho e abri mão de votar em meu candidato para dar o meu voto para o Maicon Nachtigall. Só lamento ter tomado conhecimento de sua candidatura em cima da hora, tipo 2 dias antes da eleição. Infelizmente ele não se elegeu. Acho que faltou mais divulgação. Eu mesmo soube por acaso. Se soubesse com antecedencia eu teria ajudado a espalhar a notícia de alguma forma. Muitos amigos gays aqui na minha cidade por exemplo não sabiam quem ele era e, diga-se de passagem, quando souberam ficaram encantados com esse gato! rsrsrs
É claro que não é só beleza, assisti e li algumas entrevistas e gostei dele. Pena que ele não atualiza mais o seu twitter nem o blog. Gostaria de saber mais sobre o que ele pensa e faz.

CriCo disse...

Já tive namorados policiais e das forças armadas, sempre na encolha. Coragem para umas coisas e covardia para outras. Complicado...

Anônimo disse...

PERFEITO!!!

Thiago disse...

Acho muito, muito válido.

Anônimo disse...

Já fui policial militar no DF, e acho que o preconceito existe sim. Temos que nos desdobrar para mostrar a nossa capacidade. Do contrário, o comentário é um só: "esse serviço não é pra viado"!!!
Wesley

Anônimo disse...

Por mais que seja lenta, as coisas estão mudando, ainda bem, mas o preconceito ainda é grande, lembro-me de um caso em um supermercado em Brasília que não existe mais, tinha um rapaz que trabalhava lá, vivia sendo atacado e ofendido por seus superiores, resultado ele foi demitido ele entrou na justiça e ganhou por danos morais, o supermercado foi condenado a pagar a indenização, mas como sabemos, nada paga este tipo de ofensa e humilhações, não sei se no ambinte com gente de cabeça fechada sem preparo sem estudo isso é pior, ou em todos os ambientes é tudo igual, acredito que em todos os lugares.

Anônimo disse...

Já tive alguns casos das policias civil e militar, brigada de incendio, forças armadas, enfim, de todas as áreas da segurança... E nenhum deles era assumido, muito pelo contrário, todos eram casados com mulheres e todos infelizes nos seus casamentos. Hoje em dia não é diferente, meu atual "namorado" é da Brigada Militar, está no seu terceiro casamento (sinal que algo deu errado anteriormente) tem filhos já crescidos e até neto. Sei que ele não está disposto a mudar a sua estrutura familiar e nem mesmo a imagem que a familia faz dele a esta altura da vida. Porém também sei que muitos servidores da area da segurança (publica ou privada)se escondem atras de uma vida de hétero para não sofrerem discriminação por parte da corporação e até mesmo para não colocarem em risco os seus próprios empregos. Pois é sabido que ninguém é demitido oficialmente por ser homossexual, porém sabe-se que quando estes casos vêm à tona, os superiores sempre dão um jeito para desligar aquele que sai do armário. É uma pena pois são homens maravilhosos, que em nome da profissão acabam criando dramas familiares com os quais acabam tendo que conviver por toda uma vida de silêncio. Tomara que para este novo século as coisas mudem e as pessoas passem a ser valorizadas pelo que produzem, independente do que elas fazem na esfera privada, dentro de seus lares!