terça-feira, 10 de agosto de 2010

Caras de Dali

Já aconteceu de você conversar com alguém que tem algum defeito grave na face e não conseguir tirar os olhos do defeito? Por mais que você tente agir naturalmente e fingir que não está nem notando, parece que os olhos não conseguem se desviar da deformidade. Meus olhos se portam sempre desta maneira, quase me matam de vergonha. Parece que meu cérebro trava e fica tentando decodificar aquilo, e tentando, e tentando, e tentando, sem sucesso. É extremamente constrangedor.

Há muito tempo atrás tínhamos um porteiro no condomínio onde eu moro que, quando menino, tinha levado um coice de um cavalo na cara. O meu constrangimento ao conversar com ele era aumentado pelo fato de ele ser extremamente educado, muito gentil mesmo. Eu vivia fugindo dele.

Estas situações têm ficado cada vez mais frequentes com o aumento de pessoas que exageram nas cirurgias plásticas e no botox. Porque estas caras alteradas travam o meu cérebro da mesma forma.

Há algum tempo atrás eu cruzei no shopping com um amigo que não via há um certo tempo e a cara dele paralisada de botox me deixou muito desconfortável. Sem contar que ele deve ter feito algum tratamento que deixou a pele com um brilho estranho, com textura de porcelana. Eu olhava para ele e lembrava de umas bonecas de porcelana que a minha tia costumava guardar em cima do guarda-roupa, e que ficavam com as perninhas pendendo para fora. Este encontro está entre os cinco minutos mais longos da minha vida.

Na rua, no prédio, na fila do cinema - tenho visto cada vez mais estas caras alteradas que deixam meu cérebro meio perdido. Será que o medo de envelhecer vai deixar todo mundo assim?

4 comentários:

Paulo Braccini disse...

aff! kihorror!

bjux

;-)

kleberlourenco disse...

Quem desenha cara torta é o Picasso amigo!!!!
O Dalí era surrealista era mais onírico.

do fã dos pintores catalães

kleber

Luciano disse...

Oi, Kleber
Eu quis dizer Salvador Dali mesmo - as caras alteradas que eu vejo por aí são coisas tortas e surreais.
Abraço,
**

Diego disse...

Adorei o texto, adorei. É crônica ácida e esperta digna de jornal e revista.