terça-feira, 3 de agosto de 2010

Outro planeta

Há alguns anos atrás, quando eu ainda trabalhava como engenheiro, eu viajava com muita frequência para os países do Oriente Médio. Nesta foto aí ao lado eu estou na cidade de Khamis Mushayt, na Arábia Saudita, perto da entrada do sukh - o grande mercado que é uma efervescência e onde está a alma de toda cidade. Como normalmente tudo fecha no período da tarde por causa do calor intenso, o burburinho do comércio e a agitação na rua vão até perto da meia-noite.  Eu sou aquele de jeans, camisa amarela e uma mochila nas costas, bem no centro da foto.

A foto foi tirada numa tarde de sexta-feira, que é o feriado semanal dos muçulmanos. E se você olhar bem, vai reparar que na rua só existem homens. É uma das primeiras coisas que a gente percebe quando chega na Arábia Saudita: a sociedade é essencialmente masculina. As mulheres - que só saem cobertas por uma burca preta da cabeça aos pés - raramente são vistas sozinhas e normalmente andam alguns passos atrás do marido. Um homem pode ter até quatro esposas.

Os homens andam na rua de braços dados uns com os outros, às vezes até entrelaçando os dedinhos. São bastante ingênuos e praticamente destituídos de malícia. Às vezes eu tinha a impressão que não estava em outro país, mas em outro planeta.

4 comentários:

Antonio Carlos disse...

Estive recentemente na Turquia com 2 amigos brasileiros mas descentes de arabes e fomos numa casa de chá, tipica com aquelas centenas de luminárias coloridas no teto e paredes e chão todos devidamente cobertos por tapetes. Local em que a frequencia é 90% masculina, não raramente podia-se observar troca de carícias entre homens como mao no rosto e mao na perna, além das famosas mãos que insistem em não se "desgrudarem".
Provavelmente agiríamos assim por essas bandas caso não tivéssemos sido violentados com tantas normas e regras que acabaram ceifando manifestações expontâneas de afetividade.

Diego disse...

Para eles, pode tudo? Para elas, quase nada? É isso que eu entendi?

[ joe ] disse...

Morro de curiosidade. Na verdade, queria poder, em algum ponto da minha vida, lavar os princípios ocidentais, me despir de todos os conceitos já formados, e conhecer lugares assim, com mentalidades diferentes. mesmo que esta realidade não se refira à prática da homossexualidade, é bom ver uma sociedade que não cresceu aprendendo a odiar, como a nossa. pelo menos, não nesse sentido.
sei lá.

[j]

Anônimo disse...

Um bando de hipocritas
matam meninas por qualquer coisa
agora entre eles tudo vale
eles nunca deveriam casar mas ja que se dao tao bem fiquem entre eles deixem as mulheres em paz