segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Filme de mulherzinha x Filme de homem

No sábado foi o dia de Comer, Rezar, Amar. A crítica especializada já tinha detonado: a adaptação do livro é fraca e a personagem central ficou desinteressante. Eu achei que ela ficou muito mais do que desinteressante - ficou muito chata! Eu odeio gente depressiva, chata, pra baixo, que não está satisfeita com nada - e a Liz do filme é tudo isso junto e mais um pouco. Quando ela chega à India eu fiquei torcendo para ela pegar logo uma leptospirose para livrar o público daquele martírio. Não fosse por uma mosca teimosa e algumas mordidas cenográficas no pescoço da Julia Roberts, a India do filme seria mais asséptica que uma sala cirúrgica. O rapaz sentado à minha frente dormiu da metade do filme em diante, e roncou alto. A moça do meu lado chorava copiosamente toda vez que Julia Roberts vertia uma lágrima. Acho que é isso que se costuma chamar de filme de mulherzinha.

No domingo foi o dia de Tropa de Elite 2. Ao final do filme tive a impressão que as pessoas iam ficar de pé e aplaudir. Mas todos saíram do cinema completamente mudos, e eu estava com a sensação que tinha levado um soco no estômago. Vou precisar de muito tempo para digerir todo o filme - seguramente, um dos melhores que assisti nos últimos anos. É muito difícil tentar apontar um único defeito no filme. Acho que nenhum filme nacional conseguiu até hoje chegar a este nível de enredo bem amarrado, mesmo com toda a complexidade da trama. O filme leva exatamente 1 minuto e meio para começar a ficar interessante, e daí para a frente a gente não consegue piscar um único segundo. O filme é violento, cruel, real, verdadeiro, corajoso, contundente - tudo na medida certa, e Wagner Moura tem um desempenho a nível de Oscar. No final dá vontade de vomitar toda aquela sujeira que a gente viu em duas horas mas sabe que vem engolindo há muitos anos.

8 comentários:

Daniel disse...

Eu tava pronto para tacar 30 pedras nesse filme. Tenho asco a continuação feita para capitalizar em cima do sucesso inesperado do original. E apesar de ter gostado do 1o, não compartilhei do senso comum de que 'bandido bom é bandido morto' que varreu a nação em 2007. Eu tive a minha própria análise particular daquele filme.

Eu estava esperando uma continuação nos mesmos moldes da original e fui surpreendido. Isso é raríssimo! Quando o (agora) coronel Nascimento percebe que a sua própria conduta no filme anterior ajudou a criar o monstro das milícias, o filme me ganhou. Achei que o filme seria mais panfletagem anti-direitos humanos, mas a crítica é justamente a oposta.

O André Mattos está ótimo no filme fazendo o que ele faz de melhor: careta!

Os personagens são obviamente inspirados no Garotinho, Álvaro Lins, Wagner Montes e mais alguns pçolíticos que hoje estão presos (apesar que eu desconheço qualquer ligação do Wagner Montes da vida real com milicianos, aquele personagem é uma mistura de várias pessoas reais).

Só chamo atenção para alguns dados. Este filme foi patrocinado pela Globo e pelo governo do estado. Há um certo tom de denuncismo sobre os governos anteriores. Será que um dia teremos um "Tropa de elite 3" sobre os escândalos do atual governo?
E por que os uniformes usados no filme não são idênticos aos da PM como no 1o filme? Você viu que as fardas e os emblemas agora liam MPERJ? OI? Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro?

Mas adorei o filme. Na minha sessão, as pessoas aplaudiram. eu mesmo aplaudi sem nem perceber.

Luciano disse...

@Daniel:
Eu achei incrível como o filme tem um efeito quase catártico - eu também estava prestes a aplaudir automaticamente no final. Imagino que para vocês do Rio, que estão mais enfronhados em toda aquela realidade mostrada no filme, o efeito seja ainda mais próximo.
Os pequenos detalhes de inexatidão são perfeitamente admissíveis em uma obra que é, pelo menos oficialmente, de ficção.
O cinema nacional está, mais uma vez, de parabéns.
Abraço,
**

Diego disse...

Impressão ou ultimamente Ju Roberta só faz filme chato?

Daniel disse...

Não diria que foram erros. Aquilo foi proposital. Só não sei o motivo. Não divido que tenham passado uma lei aqui proibindo filmes, TVs e teatros de usarem réplicas idênticas de uniformes militares.

Ah, e ninguém aqui chama o Tanque de "bairro do Tanque". ;) Fora isso, o filme foi muito catártico mesmo.

marta matui disse...

Eu estou muda até agora por causa do Tropa de Elite 2... faz 3 dias que eu vi e ainda estou muda.

Papai Urso do Interior disse...

Está sendo exibido na capital, e eu tô no interiorrrrrr... QD eu assistir não vai ter glamour PQ será em pirate copy baixada pelo amigo do amigo do amigo, chique não?! Minha floresta, minha vida... Mas desde já é bom saber que o de mulherzinha já foi defenestrado e o tropa tá tudo de bom.

cronicas gulosas disse...

Vi o filme aqui em Recife, e no final a plateia ficou entre muda e explodir em palmas. Grande filme, uma pedrada sem dó nem piedade. As ligações entre milicia e poder já foram denunciadas, mas agora mostradas com todas as cores. Excelente filme. Quanto a questão do Oscar, o BRasil prefere mandar filmes do tipo " Filho do Brasil " - sem comentários...

Anônimo disse...

um monte de gnt aplaudiu na minha sessão e eu fiquei c vergonha de fazer o msm!
o filme é do caralho,nao tenho outra expressão.
adorei a frase c que vc encerrou o texto
"No final dá vontade de vomitar toda aquela sujeira que a gente viu em duas horas mas sabe que vem engolindo há muitos anos."

aliás sobre o filme achei mt bom qnd vi aquele deputado federal se defendendo do frade e dizendo "engula suas palavras" ...hahhahah
ainda bem q meu estado não o elegeu pra governador! dessa vez, pelo menos dessa vez, mostramos alguma dignidade.
e uma outra constatação pessoal: legalização de drogas num ia adiantar de nada por aqui.

e qnt ao comment do cronicas gulosas..cê jura que o governo (ou sei lá quem..) ia escolher tropa pra nos representar no oscar??? em ano de eleição? com a copa e as olimpiadas sendo feitas aqui?? tendo um filme sobre o nosso "grande lider" no msm ano? fala serio


flw