domingo, 30 de janeiro de 2011

Deixe-me entrar

Quando a gente achava que já haviam esgotado todos os tipos de tratamentos cinematográficos possíveis para as histórias de vampiros - desde as aventuras açucaradas e assépticas de Edward e Bella em Crepúsculo até a overdose de sangue, suor e sexo de True Blood - eis que chega Deixe-me Entrar (Let Me In, 2010). Baseado no filme sueco Deixe Ela Entrar de 2008, este é primeiramente e basicamente um filme sobre a solidão.

Owen é um garoto de 12 anos que mora com a mãe separada com quem pouco se relaciona. Franzino, frágil e tímido, é presa fácil para os garotos mais fortes da escola onde é vítima constante de bullying violento. Abby é uma garota linda da mesma idade, que acaba de mudar para o apartamento do lado, e vive igualmente só.  A solidão destas duas crianças é tão grande que chega a ser dolorida. A amizade que nasce entre os dois é verdadeira, ingênua, e desinteressada, como quase tudo na vida de garotos de 12 anos de idade.

Não demora muito para a gente perceber que Abby não é uma garotinha normal como parece. Em contraste com as cenas da amizade sincera dos dois garotos há a violência aterrorizante da luta pelo alimento natural das criaturas da noite: o sangue humano ainda quente que jorra da jugular da vítima indefesa.

O diretor Matt Reeves consegue construir a história de forma muito eficiente com poucos diálogos e um clima de suspense constante que chega a níveis sufocantes. É daqueles filmes em que a gente sai do cinema com a impressão que algo vai pular nas costas enquanto caminha para o carro no estacionamento escuro.

8 comentários:

Paulo Braccini disse...

Adoro Vampiros ... meu sonho é ter uma noite de orgias com um bando deles ... rs

bjux

;-)

Gustavo disse...

Eu vi a versão original do filme e ele tornou-se um dos meus preferidos. Será que eu devo ver esta versão de Hollywood? Estou receoso. Você já pensou em ver o filme sueco? Deixo esta sugestão. Parabéns pelo blog.

Fausto disse...

Estou ansioso para ver a versão americana, pois gostei muito da original. Espero que alguns detalhes tenham se mantido. Todo mundo que viu as duas versões tem recomendado, pois diz que está a altura do original. Fico feliz de terem respeitado a obra.

Luciano disse...

@Gustavo,
Eu não assisti à produção sueca, mas esta produção anglo-americana ficou muito boa. Eu diria que o lado "anglo" pesou muito mais - o filme tem uma linguagem de cinema europeu muito mais forte do que qualquer apelo hollywoodiano. Não perca.
Abraço,
**

Don Diego De La Vega disse...

Eu não assisti à sueca pq li que o DVD americano veio cheio de erros na legenda e que distorciam a história do filme toda....Ficava sem pé nem cabeça.

Essa americana vc viu no cinema?

Luciano disse...

@Don Diego:
Vi no cinema sim. Está em cartaz desde a semana passada.
**

Nelson disse...

A questão é: até que ponto a "amizade" de Abby é totalmente desinteressada? Sendo Abby vampira há tanto tempo é razoável imaginar que o "pai" um dia tenha sido um Owen da vida. E provavelmente o futuro de Owen será o de matar gente pra trazer sangue pra casa e alimentar Abby. Até não aguentar mais.

Anônimo disse...

Eu vi as duas versões e definitivamente a sueca ainda é melhor. Esta versão hollywoodiana tirou toda a sutileza da história. Uma pena. Embora tenha suas qualidade, o filme não superou o original em nenhum aspecto. Ou seja, uma produção absolutamente desnecessária, exceto, claro, pelo fato dos americanos adorarem refilmar um bom filme falado em outra língua.