sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Quem come garralê morre!

Quando pequeno minha minha mãe sempre usava o infalível argumento "Quem come garralê morre!" para fazer a gente sossegar logo após as refeições. Só depois de grande é que fui entender que ela dizia "quem come e agarra a ler morre" para justificar que não devíamos ler ou fazer exercícios mentais pesados depois das refeições pelo risco de congestão. Talvez criada para justificar o costume da sesta, esta crendice popular é incutida nas cabeças das crianças desde cedo, quando ainda não temos massa de conhecimento suficiente para contestar.

Se quem come garralê morresse mesmo, já estaríamos todos mortos neste mundo moderno em que muita gente nem ao menos consegue parar de trabalhar para comer.

A verdade é que muito dos sentimentos de preconceito e homofobia que existem nas mentes dos homens foram incutidos nesta fase infantil em que a palavra dos adultos representa a verdade mais absoluta e inquestionável. Estes sentimentos são fortemente carimbados e sua remoção demanda tempo e paciência. As campanhas inteligentes contra a homofobia trabalham com o lento processo de desprogramação de mentes viciadas por falácias repetidas seguidamente e que acabam aceitas como verdade inquestionável, principalmente porque são reforçadas por dogmas religiosos atrasados.

8 comentários:

Daniel disse...

Dia desses meu avô comentou que no tempo dele se amarrava a mão esquerda dos canhotos para eles aprenderem a escrever "direito".
De propósito, eu perguntei: "mas pq vcs faziam isso?"
e ele respondeu: "por ignorância mesmo"

Eu podia ter levado a conversa adiante, mas preferi deixar por aí.

Paulo Braccini disse...

ah! estas crendices à moda antiga ... qtas bobagens eu já ouvi ... rs ... mas sabe! era tanta a ingenuidade q hoje eu acho graça ... rs

bjux

;-)

Flávio disse...

Bom, em relação ao "garralê" você tá certo. Com o passar do tempo - e a depender de nosso interesse em ler depois de uma refeição - a gente aprende que isso não passa de crendice. Mas receio que o maior problema não esteja nas frases que a gente ouve e sim nas atitudes que a gente testemunha e que transmitem valores desde muito cedo. Como repensar ou desconstruir uma atitude de preconceito ou hostilidade inserida no comum do dia a dia da vida e que nos impregnou?

Cara Comum disse...

Processo lento esse de mudar as ideias que os adultos enfiam na cabecinha das crianças... Abração!

Anônimo disse...

mas o pior é quando acontece de alguém querer mudar a ordem das coisas, como aquelas mães americanas que diante da insistência e inclinação dos filhos ainda bem pequenos, resolveram aceitar e deixá-los se vestirem de mulher. a revolta foi geral, lembra?

Paulo disse...

Texto maravilhoso, dissestes tudo!! É verdade passaremos a vida toda depois desconstruindo estes mitos e clichês de um passado ainda presente.

Don Diego De La Vega disse...

Educação, educação, educação. A base de tudo é a educação.

Tendo a achar que o preconceito e homofobia vem mais da educação dada pela mãe do que da dada pelo pai....pois os filhos são 99% criados/educados pelas mães...

Anônimo disse...

você acredita que quando adolescente deixei de chupar um amigo do bairro so porque tinha comido manga a poucos minutos...
e como dizia a crendice: leite e manga mata...
E eu perdi a oportunidade de pegar o bofinho mais desejado da rua.
Edu Martins