sábado, 12 de março de 2011

Mundo cruel

Todas as vezes que eu me vejo frente a uma catástrofe natural de proporções bíblicas eu fico quase hipnotizado olhando para aquilo tudo - como se estivesse sob o efeito de um encanto. Pesquiso fotos, artigos, depoimentos. Acho que a minha mente fica tentando conceber e processar o tamanho de algo tão imensurável e trágico.

Nos últimos dois anos fiquei assim com as imagens do terremoto do Haiti, depois com o terremoto do Chile, depois os deslizamentos na região serrana do Rio, o terremoto na Nova Zelândia, e agora com a tragédia no Japão.

Acho que nunca houve uma tragédia desta proporção que fosse tão documentada, registrada, filmada, e fotografada como agora. São absolutamente espetaculares as imagens da onda gigante varrendo as cidades costeiras. A foto que ilustra esta postagem mais parece uma obra de arte abstrata formada por dominós quando vista de longe, mas são contêineres arrastados e amontoados no porto da cidade de Sendai.

Será que as catástrofes naturais estão ficando mais frequentes ou estão simplesmente sendo melhor documentadas? Será que nossos pais ou avós conseguiriam se lembrar de tantas tragédias de nível mundial acontecidas no passado no curto intervalo de menos de 2 anos?

7 comentários:

Daniel disse...

Olha, eu acho que, no mínimo, a atividade tectônica no Pacífico andou aumentando ultimamente.

Lucas T. disse...

Concordo com o Daniel.

David disse...

Sou professor de Geografia e o que realmente está acontecendo é que esses fenômenos estão sendo mais divulgados, sempre houve, mas agora todos tem câmera para filmar e colocar no You tube.

marta matui disse...

Boa pergunta, vou fazer um post sobre minha opinião nisso. Obrigada pela ideia!

Lobo disse...

Estão ficando mais frequentes. E aumentando de intensidade. Assim como melhor documentadas. Um misto de tudo isso.

Flávio Amaral disse...

As coisas têm o tamanho que percebemos. Minha mãe, cuja juventude em um ambiente simples tinha acesso ao rádio e a algumas revistas, no máximo e cujo universo, nessa época, ia pouco além das necessidades da família e do dia-a-dia, fala da II Guerra como uma época de escassez, que a impediu de ter fotos do casamento porque seria muito caro (por conta da falta de filmes), que exigia cobrir a luz das janelas, à noite, nos momentos de black-out aqui no Recife e que apenas sabia que muita gente estava morrendo na Europa. Só. Toda a II guerra para ela se resumiu a pouco mais do que isso. Penso que as pessoas comuns nada têm da experiência dos dias atuais além de imagens - nem se preocupam em ter (estão e ficam alheias à magnitude do impacto econômico, social etc). Isso é tão verdadeiro - em relação àquilo que chamamos de 'experiência', que é comum, diante de um fato intenso, bizarro, as pessoas mencionarem que se sentem assistindo a um filme - estão pessoalmente 'distanciadas'. Em resumo: penso que estamos mais expostos às imagens e notícias do que acontece no mundo - mas experimentamos menos e, em relação a qualquer outro aspecto, estamos menos sensíveis. Dito isso, não fosse a TV e a internet, que saberia a maioria das pessoas, diretamente em suas vidas, do que está acontecendo no Japão?

Anônimo disse...

Gostei muito do comentario do Flavio Amaral, disse tudo, eu sinceramente fiquei chocado, sempre admirei a cultura japonesa o País, nunca fui lá e nunca fui ao exterior, lembro-me dos antigos comerciais da Varig ao Japão quanta saudade, e agora esta catástrofe, fiquei em estado de choque, meu Deus quantas pessoas morreram e nem sabem o total ainda, e ainda tem o fantasma nuclear rodando, vejo que o planeta vai passar por muitas coisas aí pela frente, nada é por acaso, e tudo tem resultado lá na frente, de alguma forma ou outra.
Ricardo-DF