sexta-feira, 23 de julho de 2010

Memória de elefante

Ontem o Jornal da Globo mostrou reportagem sobre como as empresas têm cada vez mais utilizado as redes sociais para anunciar vagas de empregos, da mesma forma que vasculham a internet em busca de informações do candidato na hora da seleção e contratação. Isso na mesma semana em que o New York Times publica um artigo sobre como "ficam as relações pessoais e profissionais na era da internet que registra tudo e não esquece de nada?" Tudo que cai na internet - seja em blogs, redes sociais, Twitter, álbuns de fotos - fica registrado para sempre. Mesmo que o usuário apague a informação em seguida, há sempre as páginas arquivadas em cache e o risco de algum interessado já ter salvado a informação em seu computador.

Uma professora da Pensilvânia foi impedida de se formar no curso universitário de especialização por causa de uma foto publicada em sua página do MySpace em que ela aparecia bebendo com amigos vestida de pirata - conduta inadequada para o que se espera de uma professora que vai ter contato com crianças e adolescentes em período de formação. Na Inglaterra, uma mulher perdeu o emprego depois de se referir ao trabalho com "Estou de saco cheio" no Facebook.

Agora que já ficamos (mal-)acostumados com todas as quase infinitas possibilidades de massagear nossa vaidade com a publicação de fotos, confidências, opiniões, desabafos e confissões pela internet, não dá mais pra voltar atrás. Na sociedade do futuro talvez a privacidade seja um artigo de luxo. A memória dos amigos vai ficando cada vez mais débil com a idade, mas a internet tem memória de elefante.

Mas eu, pessoalmente, não vejo isso como uma coisa ruim. Toda nova tecnologia sempre veio acompanhada de previsões pessimistas que nunca se concretizaram. Uma sociedade mais transparente não é necessariamente pior. Por isso, não se preocupe se aos 80 anos de idade você continuar sendo assombrado por aquele seu vídeo dançando o rebolation totalmente chapado na casa de praia com os amigos usando só uma sunguinha de crochê. Pode ser uma excelente forma de nunca perder o contato com o passado.

6 comentários:

Paulo [ALT] disse...

Luciano,

Conheci teu blog quando joguei o nome do Greg Laswell no google, acabei caindo na sua página e vi que vc também postou dele. Num é que posts acima vejo uma dica.. Trevor Hall. Ouvi e curti mto. De fato, não parece ter a voz que tem.

Sobre esses históricos de internet... de fato, é complicado. O negócio é ficar atento né. Ainda mais a gente que tem blog.

E ri pra caramba com o 'dançando rebolation chapado com uma sunguinha de crochê' hahahahahah
genial

gostei bastante do teu blog
abraço!

Cadu disse...

hahahahaha
e eu pensando em dançar
alejandro pro blog hahaa
vai saber se depois eu
num vou ficar numa enrascado hahahaha,
é por essas e outras
que eu uso foto fake e meu
apelido
prontofalei#
bjs luciano

Diego disse...

Mas que me dá um frio na barriga, dá. Um deslize momentâneo te perseguir pela vida afora. Ai ai.

Paulo Braccini disse...

nem ligo mais para isto ... rs

quero mais é me ver no YouTube, daqui alguns anos, naquele vídeo em que eu estava de sunguinha de crochê dançando o rebolation ... ashuashuaashua ...

bjux

;-)

CriCo disse...

ai...

será que eu vou ter que deletar todos os meus amigos descamisados do Orkut/Facebook? E as fotos das baladinhas... hmmmf

Anônimo disse...

Eu acredito que meu blog é uma ferramenta 'pessoal', antes de 'social'. escrevo porque preciso.
quando comecei a me expor de verdade no blog, decidi que aquilo não me atrapalharia. assim como decidi que quero trabalhar em alguma área que me dê liberdade para ser o que eu quiser - ou tiver que ser. e assim tem sido. dessa maneira, me livro de enfrentar tantos problemas adiante. mais importante do que ceder a esse tipo de 'ameaça' é pensar na melhor forma de dribá-la, se for essencial a recompensa - meu caso.
Mais uma vez, ótima colocação.

[j]