quarta-feira, 3 de novembro de 2010

As mulheres, os gays, e o fim do mundo

Lendo uma reportagem publicada no G1 sobre a primeira mulher a ser eleita para um cargo público executivo no Brasil há 82 anos atrás no Rio Grande do Norte, chamou-me a atenção a notícia veiculada na época pelo New York Times. Era o ano de 1928 e o Rio Grande do Norte havia acabado de permitir que mulheres votassem, quando Alzira Soriano se candidatou e foi eleita prefeita do município de Lajes.

O que o NYT destacou foi o medo vigente na época de o estado se "americanizar". A feminista Bertha Lutz, nascida em São Paulo e presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino na época, percorrera o Rio Grande do Norte com discursos que continham muitas referências às condições de independência da mulher norteamericana.

Como todos sabemos, o tempo passou e o Rio Grande do Norte não se americanizou. E a ascensão de mulheres a cargos públicos não trouxe nenhuma ameaça à soberania ou à estabilidade do país.

82 anos depois, esta notícia me faz pensar sobre o movimento de igualdade de direitos dos homossexuais. Os avanços atuais fazem com que as instituições, principalmente a igreja, tentem demonizar os gays espalhando pânico e medo na população. Criando histórias que prevêem a destruição das famílias, o corrompimento dos jovens - enfim, o fim do mundo. Exatamente como fizeram com as mulheres quando estas começaram a ser independentes. Será que precisaremos de mais 82 anos?

5 comentários:

Paulo Braccini disse...

Acho q vai levar mais tempo ainda q estes 82 anos ...

;-)

Papai Urso do Interior disse...

Ou mais que 82 anos, muito mais... Basta dizer que a homossexualidade sempre existiu com muitas exercendo-a cladestinamente. Parece ser sempre este o caráter em que se encontra: clandestina, escondida, incômoda...

Lucas Santinelli disse...

Dilma não vale na estatística 'mulheres presidentes', por ela ser meio homem, rsrs... Marina Silva se encaixaria, 'Dilmo' está longe disso, rsrs... Como vou ter respeito por alguem que esmurra microfones com a força de um estivador e tem a audácia de dizer com voz grave 'mulher quando se zanga, sai de baixo...? Rindo alto...

P. Florindo disse...

Olha, ainda havendo machismo em pleno 2010, é bastante possível.

Caju disse...

Olha, não sei se seria pessimista, mas eu prefiro não me ligar em prazos. Pq, veja bem, em 82 anos ainda tem gente que torce o nariz pra certas coisas - ou a gente deve acreditar, mesmo, que o fato de tamanha rejeição à Dilma não teve uma dosezinha desse machismo barato? - imagine quanto tempo os gays não vão precisar?

Bjos